A saúde do
trabalhador, que é mental, emocional e viceral ─ devido a vários fatores ─, vem
sendo abalada pelo ciclo da psicopatologia. Esse é, nessa ordem, formado por
relações de dupla mão entre os seguintes elementos: pressão, tensão, ansiedade,
conflito, fadiga, estresse, dor, sofrimento, patologia e psicopatologia. E, o
que é pior ─ via de regra ─, esses males estão sendo combatidos por dois
contraproducentes instrumentos: medicamentos e o ato de ignorá-los.
Como causa
dessas mazelas, Guimarães (2010) aponta a primazia do paradigma cartesiano.
Nesse, leis rígidas e determinantes regem a natureza, sendo o humano regido
pelo livre arbítrio. Todavia, muitas ciências humanas e organizações
incorporaram esse determinismo. Dessa forma, o mesmo padrão de
pensar/sentir/agir é para todos generalizado. Compete-se pelo igual, não no
sentido de inovação, criação e autonomia, mas sim de forma mecânica, por meio
de modismos, com conseqüente despersonalização. Assim, a convivência saudável e
respeitosa foi substituída pela “sobrevivência sofisticada pela capa da
competitividade” (GUIMARÃES, 2010, p. 54), num processo cada vez mais intenso
de “corrupção da vida interpessoal” (Ibidem).
A solução
apresentada se baseia em dois constructos: o lúdico e o paradigma sistêmico
(também denominado holístico).
O lúdico,
inicialmente associado apenas ao jogo imaginativo, tem seu raio de abrangência
ampliado. Representa ele a imaginação/pensamento/sentimento/ação criativa,
renovadora, realizadora. O próprio processo lúdico é o que traz satisfação
(sendo o fator motivacional de Herzberg, a auto-realização de Maslow e o
crescimento de Alderfer), significando reais “momentos de vida” (Ibidem, p.
51).
O
paradigma sistêmico se contrapõe ao cartesiano. Enquanto esse apregoa o
determinismo, o individualismo, o isolamento, a massificação e o mecanicismo, o holístico enfatiza o
relativismo, a contingência, a conectividade, a interatividade e a singularidade.
O paradoxo
do presente tempo reside no fato de se exigir, através de métodos cartesiano,
resultados que só podem ser alcançados com o lúdico e se pautando pelo
paradigma sistêmico. Como nunca ─ para conviver e até sobreviver ─, as
organizações necessitam da criatividade e da inovação. Isso porque padrões
pré-estabelecidos são ineficazes devido às excessivamente rápidas
transformações sociais. O importante, como destacado por Beirão (2008), é
“dominar o desconhecido”, o processo de criar e de conhecer. Todavia ─
equivocadamente ─, recorrem a mecanismos que exacerbam desumana competitividade
e acabam se centrando no curto prazo.
Como soluções,
no campo concreto ─ na esfera individual ─, propõe-se a fórmula do
autoconhecimento. Somente ela poderia quebrar o já citado ciclo da
psicopatologia. Somente ela poderia mudar a triste realidade que também Gandhi
retratou: “A máquina ganhou as pessoas, e as pessoas se fazem máquinas:
funcionam e não vivem mais”.
Na esfera
organizacional, Guimarães (2010) apresenta duas soluções: compreensão da
dimensão humana e gerenciamento do estresse.
Essa
compreensão implica em a organização reconhecer-se como humana, e isso equivale
a reconhecer como humanos os indivíduos e as relações que a constituem. Nesse
processo ─ forçosamente ─, terá de reconhecer a singularidade e a complexidade
de cada indivíduo, abandonando a visão simplista e arcaica que o encara como
“máquina reprodutora de idéias” ou “depositório de comandos operacionais”
(Ibidem, p. 55). Para fazer isso ─ num exercício empático ─, organização precisa perceber que o indivíduo,
nos seus diferentes níveis (individual, grupal e sócio organizacional), forma-se
e se desenvolve não apenas o espaço de trabalho, mas também ─ e, talvez,
principalmente ─, no espaço familiar e no estudantil/acadêmico.
No que se
refere ao estresse, a autora destaca que, de sinal que servia para informar que
algo está errado, passou ele a companheiro de todas as horas. O anormal é não
ter estresse. Ressalta outro absurdo: que, em alguns casos, o estresse é tido
como motivador. Para que esse gerenciamento efetivamente ocorra, o planejamento
estratégico, fundado em eficaz diagnóstico organizacional, deve criar
mecanismos que concretizem a missão organizacional. Esse processo, é claro,
equivale à formulação de valores viáveis e condizentes, simultaneamente, com a
missão e com as aspirações individuais.
Em
síntese, pode-se afirmar que ─ para que haja uma real saúde do trabalhador ─,
do ponto de vista individual, é preciso debruçar-se sobre o auto-conhecimento,
no fito de se quebrar o ciclo da psicopatologia; do ponto de vista
organizacional, é preciso investir na ludicidade e na adoção do paradigma holístico, e isso deve ser feito por meio da
implementação de eficaz gerenciamento de estresse e pela tentativa de se
compreender a dimensão humana.
REFERÊNCIAS:
BEIRÃO,
Paulo Sérgio Lacerda. A importância da
iniciação científica para o aluno de graduação. Coordenação de Pesquisa ─
PROPEX/UFCG. Campina Grande, 13 mar. 2011. Disponível em: <http://www.pibic.ufcg.edu.br/apresentacao.html>. Acesso em: 16
mar. 2011.
GUIMARAES, Elidihara Trigueiro. Disciplina Psicologia Organizacional. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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