Faça uma exposição do texto “Uma Nova
Gestão para um Novo Estado: Liberal, Social e Republicano, de Luiz Carlos Bresser-Pereira-Pereira
(Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)”. Das ideias do
autor, quais as que você concorda e quais discorda? Apresente, em seu portfólio
individual, um texto com aproximadamente três laudas digitadas.
Bresser-Pereira
(2001) defende um estado social-liberal. Esse é uma mistura dos ideais da
sócio-democracia com os métodos do neoliberalismo ou do estado
liberal-democrata. Divide a sua tese em cinco partes: formas históricas do
estado, ascensão da democracia, persistência da administração pública
democrática, o novo estado sócio-liberal e nova gestão. Aqui, será acrescenta
uma nova, nominada novo estado, que equivalerá à introdução.
Nessas
páginas – cujo objetivo é fazer uma análise crítica das ideias defendidas por Bresser-Pereira
(2001) –, far-se-á uma avaliação de cada tópico, na ordem em que acorrem no
texto; posteriormente, será feita a crítica daqueles pontos que parecem
contradizer a realidade.
No primeiro
tópico – novo estado –, o autor
busca mostrar que a vigente forma de governar o estado está ultrapassada,
necessitando ser substituída por outra que possa manter e impulsionar o
progresso. Isso porque há a imperiosa necessidade de o estado se tornar efetivo,
nas funções que lhe foram delegadas. Tem ele de, satisfatoriamente, regular a
economia e propiciar o bem estar social. Para isso, terá de abandonar o modelo
burocrático de se administrar e substituí-lo pelo gerencial; terá, numa
palavra, que substituir a administração
pública pela gestão pública.
Quando à
estrutura, esse tópico assemelha-se a uma introdução, pois pincela os temas que
serão aprofundados nos demais tópicos.
No mais –
além de breve exposição sobre a necessidade de se mudar a forma de gerir a
coisa pública –, conceitua o que ele entende por estado nação e faz uma sucinta
análise sobre a evolução do direito desde o advento do capitalismo.
Para Bresser-Pereira
(2001), estado nação é o resultado
da seguinte equação: sociedade civil organizada mais instituições públicas ou
com função pública mais governantes.
Já no que
se relaciona ao direito, elenca
quatro: civil, social, político e republicano.
O civil surgiu com o capitalismo. São os
direitos individuais. Antes, o individua se confundia na coletividade (o que
foi alimentado durante a Idade Média pela Igreja e pela estrutura feudal). O
preceito que melhor encerra esse pensamento é o lema igualdade e liberdade.
O social refere-se à atuação proativa do
estado, no sentido de possibilitar o bem estar do cidadão. Avulta com as crises
do capitalismo. Ganhou relevo após a Crise de 1929, consolidando-se após a
Segunda Guerra Mundial. São exemplos desse direito a moradia, a saúde para
todos, a educação etc.
O político está ligado à
representatividade. É a faculdade delegada ou conquistada pelo povo de
participar das decisões políticas. Ademais, refere-se à responsabilização desse
mesmo povo. Esse agora terá de também fiscalizar a coisa pública, não se
restringindo apenas ao exercício do voto.
O republicano foi o último, na visão do
autor, a se consolidar. Relaciona-se diretamente à coisa pública. É a separação
dessa do patrimônio privado. Não há que se misturar o que é de todos (a coisa
pública) do que é dos indivíduos. Antes – no Patrimonialismo –, não havia essa
distinção. Tudo era do soberano. Não havia patrimônio do povo. Tudo era privado
e tinha um único dono. O capitalismo, instrumentalizado – na esfera estatal –
pela burocracia, veio efetuar essa separação. Entretanto, é preciso convir que
essa distinção, embora vigorando no campo da legalidade, não se efetivou, de
forma satisfatória, no da prática. O patrimônio público, mesmo no capitalismo
gerido por eficiente burocracia, nunca deixou de se confundir com o privado,
nunca deixou de ser expropriado pelos que detiverem e detém o poder político.
Bresser-Pereira
(2001) defende que, em prol da eficiência administrativa – por meio da criação
de mecanismos de responsabilização dos gestores públicos –, essa separação será
mais efetiva, vindo a, no futuro, consolidar-se.
Em formas históricas do estado, o autor
começa conceituando o que é, a seu ver, política. Alega ser essa a arte de
governar pela persuasão, sem o uso da força. Assim – nessa visão –, não há que
se falar em política no Estado Absolutista. A política, diz Bresser-Pereira
(2001), é subjetiva, sendo, portanto, sujeita à escolha; nessa, vige o
interesse e o valor. Já as questões econômicas são de cunho objetivo, sendo
determinadas pelas forças do mercado; nessa, vige apenas o interesse. Noutras
palavras, na política, ao contrário da economia, há uma questão ética.
Ademais, relaciona quais os tipos de
administração que vigoraram em cada tipo de estado. Para o Absolutista, a administração patrimonial;
para o Liberal, Liberal Democrático e Sócio Democrático,
a burocracia; para o Social Liberal, a gerencial.
Enfatiza,
também, que, antes do advento do capitalismo, duas formas de governo se
revezavam na gestão do estado: a oligarquia e a república. Esse revezamento era
cíclico. Formas autoritárias e democráticas se sucediam no poder. Afirma que,
ao contrário dos regimes anteriores, o capitalismo, que é sempre democrático
(nas palavras do autor), é o único que, até o momento, tem-se mostrado
auto-sustentável. Nas palavras de Bresser-Pereira (2001, p. 4):
Com o
surgimento do capitalismo e dos estados-nação, a mudança política deixou de ser
cíclica e adquiriu uma direção. A direção do progresso, segundo os iluministas;
da racionalização, segundo Max Weber; do desenvolvimento econômico e político
auto-sustentados, em minha opinião: o capitalismo e a democracia demonstraram
até agora serem auto-sustentáveis e capazes de gerar seu próprio aprimoramento
contínuo.
Em ascensão da democracia, Bresser-Pereira
(2001) faz nova digressão histórica, para reforçar a idéia de que, antes – nos
primórdios da democracia –, o povo participava diretamente do governo, como é o
caso da Grécia. Elucida que isso só era viável devido à existência da civitas
(pequena comunidade de cidadãos das cidades-estado). Após, com o aumento
demográfico e com a complexidade do sistema econômico, necessitava de vultosos
capitais para manter-se e para satisfazer as necessidades das classes
dominantes; implantou-se, então, o Absolutismo, no qual o povo foi totalmente
alheado do poder. Com o Capitalismo, é reimplantada (se se considerar os tempos
da Grécia Antiga) a democracia, sendo que, dessa vez, assume caráter indireto.
Outra
questão colocada é a da coisa pública. Antes, a coisa pública se confundia com
a privada. Os cidadãos gregos auferiam parte de seus rendimentos da atividade
estatal. No Absolutismo, todo patrimônio era do estado. Logo, a população dele
era totalmente dependente. No Capitalismo, as principais atividades não são de
origem estatal, decorrem da atividade da iniciativa privada. Essa é a principal
geradora da riqueza e do patrimônio. Assim, os cidadãos não dependem, de forma
direta, do estado para sobreviver. Destarte, contrataram políticos
profissionais. Esses são pagos por meio dos impostos. Sendo o contrato (o termo
mais adequado seria a seleção para a nomeação) efetuado por meio do voto (no
caso dos membros do legislativo e do executivo) ou por concurso público (no
caso dos membros do judiciário). Atente-se para o fato de os servidores
(selecionados por concurso público ou, no caso de cargos ad nutum, nomeado por
indicação) não serem membros de poder; não sãoa gentes políticos, são apenas
servidores.
Em a persistência da administração pública
burocrática, Bresser-Pereira (2001) afirma que, mesmo ocorrendo, a partir
de meados do século passado, a transição, em alguns países da Europa e da
América, do estado liberal-democrático para o social-democrático, a burocracia
permaneceu; e ainda foi fortificada. Mudou-se o sistema sócio-político, mas
permaneceu o mesmo aparato que operacionalizava o sistema anterior. E isso,
segundo o autor, é preocupante, pois a burocracia, embora prime pela
eficiência, não pode ser eficaz. Não se volta para o resultado, mas sim para o
processo; não objetiva prestar serviço à população, mas sim manter-se a si
mesma. Bresser-Pereira (2001) se contenta em expor essa realidade,
criticando-a; todavia, não explicita as causas desse engessamento do modelo de
administração.
Ademais,
caracteriza os dois estados comparados: o liberal-democrático e o
social-democrático. O primeiro assegurou os direitos civis. Nesses, a atuação
do estado é negativa; noutra palavras, restringe-se a garantir, principalmente
pelo poder de polícia, o exercício dos direitos individuais. No segundo,
assegura, além dos direitos civis, os sociais. Nesses, a atividade estatal é
positiva, pois busca, pelos meios ao seu alcance, assegurar o bem estar da
população.
Em o novo estado sócio-liberal, Bresser-Pereira
(2001) alega que o estado, e não podia ser de outra forma, tem que continuar
com sua função social. Vai mais além: afirma que tem de reforçá-la. Essa é a
vontade do povo, é o que tem atestado as urnas em todo o mundo. Todavia, o
estão social-democrático é incapaz de executar essa função. Isso porque tenta
obrar por si mesmo. E já provou, por “a” mais “b”, que é incapaz. É preciso
que, nos objetivos que hoje lhe são inerentes, o estado seja efetivo (eficiente
e eficaz). Para isso, é preciso que a estratégia estatal se paute por dois instrumentos:
a privatização e a publicização.
Na privatização, o estado delega, sem
abdicar da regulação, das atividades que não constituem monopólios naturais, e
que havia passado a exercer diretamente, por meio da empresas estatais, devido
aos exageros (bem intencionados, na maior parte das vezes) da
social-democracia.
Na publicização, o estado delega, por meio
de contratos de gestão, a setores da sociedade civil, desde que sem fins
lucrativos, atividades, mesmo não tendo constituído empresas estatais para
executá-las, atividades de cunho social, fundamentais à otimização do bem
estar. Esses são os serviços sociais e científicos.
O objetivo
é estimular a concorrência. Essa é considerada por Bresser-Pereira (2001)
princípio inafastável da otimização de qualquer atividade. No caso da
publicização, a concorrência não seria por lucros, mas sim por excelência e
reconhecimento. E o estado seria o principal fomentador desse quadro.
Em a nova gestão, Bresser-Pereira (2001) realça
a imprescindibilidade da questão do gestor público. Antes, apregoou a
necessidade de se substituir a administração
pública (centrada na burocracia, na neutralidade, na eficiência) pela gestão pública (centrada na
administração gerencia, na política, na eficácia).
Na nova
gestão, o autor estima a questão do gestor público do alto escalão. Não se
refere ao agente político, membro de um dos poderes preconizados por
Montesquieu. Refere-se ao servidor, que a burocracia erigiu à condição de
exímio técnico, que agiria com neutralidade, imparcialidade, em conformidade
estrita com a lei.
É esse
profissional que Bresser-Pereira (2001) rechaça. É preciso responsabilizá-lo.
Como fazer isso se ele está comprometido apenas com o cumprimento da lei, a
revelia de quaisquer resultados? Por isso, deve ele livrar-se da capa da
neutralidade, que o eximia de seus deveres cívicos. O servidor deve produzir
resultados. Para isso, é preciso que seja responsabilizado pelos insucessos e
premiado pelas vitórias. Deve ser republicano, primar pela democracia, comprometer-se
com os resultados. É preciso anelar o poder discricionário (tão anatematizado
pelos burocratas). Deve-se substituir a ética burocrática pela ética da
responsabilidade.
Bem, feito
esse resumo do que Bresser-Pereira (2001) quis defender, pode-se agora se
posicionar sobre suas idéias.
Os
objetivos centrais dessa conferência (reforço da função social do estado e
emprego de métodos que primem pela eficácia social) são de todo louváveis. Não
são fruto apenas de especulação teorética. Fundam-se na observação do
comportamento das administrações públicas, mormente de meados do século XX para
cá.
Uma
colocação marginal que se pode fazer é em relação à assertiva de Bresser-Pereira
(2001) de que o capitalismo é sempre democrático. Assim, dispõe da capacidade
de autoaprimorar-se. Sem dúvida, a democracia, como defendido pelo próprio
autor, autoburila-se. O mesmo, porém, não se pode afirmar sobre o capitalismo.
Isso porque nem sempre é democrático. Que o digam os sistemas totalitários de
ultra direita que grassaram na Europa e na América Latina. Mas essa é uma
questão, como já dito, marginal, que não afeta a essência do pensamento do
autor.
Essa
conferência foi proferida em dois mil e um. De lá para cá, muita coisa
aconteceu. No Brasil, o Governo Lula e o Governo Dilma vieram, de um lado, a
corroborar alguns pontos defendidos por Bresser-Pereira e, de outro, a
desmentir. É forçoso considerar que efetivamente o estado continuou a delegar,
por meio da publicização, atividades sociais e científicas à iniciativa privada
sem finalidade lucrativa. Isso por meio de contratos de gestão e pela criação
de indicadores que auferissem o alcance das metas aneladas. Por outro, a
máquina pública não foi enxugada, no sentido de diminuição do corpo funcional.
E, pelo que se vê, essa não é a tendência. O estado, para executar as suas
funções estabilizadora, distributiva e alocativa, vê-se na obrigação de melhor
aparelhar-se, por meio da contratação de um corpo de servidores qualificados e
abrangente. É claro que não se é exigido desses a neutralidade, mas sim o
comprometimento.
Assim, Bresser-Pereira
(2001) foi, em regra, muito feliz em suas colocações, retratando fidedignamente
o burilamento por que vem passando a Administração pública.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRESSER-PEREIRA,
Luis Carlos. As Revista do Serviço Público, 52 (1), janeiro 2001: 5-
24. The 2001 John L. Manion Lecture, Ottawa,
Canadá. Disponível
em: http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=1220. Acesso
em 03 nov 2012
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