terça-feira, 25 de setembro de 2012

ERP no Setor Público


1. Faça uma pesquisa em um site de busca a fim de identificar um sistema de informação ERP aplicado à gestão pública. Responda os itens abaixo:
a. Endereço eletrônico onde o sistema foi encontrado;
b. Finalidade do sistema
O SINGAP (Sistema Integrado para a Nova Administração Pública) visa integrar todos os sistemas que representam as funções desempenhadas pelo setor público, isso numa única plataforma. Com isso, reduzem-se gastos, otimiza-se o tempo, possibilita a tomada de decisões em tempo praticamente real, registra-se a história da instituição e dos serviços que ela presta, além de melhorar o atendimento ao cliente-cidadão.

Ademais, possui, segundo seus fabricantes, quatro marcantes características: é único, pois acompanha todos os processos da administração pública (isso deve, é claro, ser efetivado por um SCM integrado ao sistema), numa única plataforma; evolutivo, visto garantir imediata adequação às mudanças da organização e da legislação; integrado, visto relacionar as diversas áreas funcionais da administração; e flexível, por não se exigir a aquisição do pacote completo, podendo a administração optar por apenas um dos módulos.

c. Principais componentes e recursos;
Os componentes e recursos do SINGAP são divididos em cinco áreas: gestão global, recursos humanos, gestão financeira, aprovisionamento e gestão patrimonial e gestão documental. Antes de começar a descrever que recursos estão em cada área, é relevante – para tornar mais clara a explanação – observar que os aplicativos voltados para o negócio (com foco no cliente externo) encontram-se na gestão global; noutras palavras, o CRM é operacionalizado pelos aplicativos da citada área. Já os demais têm foco na cadeia de suprimento; ou seja, no SCM. Além disso, frisa-se que os subsistemas que serão citados não são direcionados a toda e qualquer entidade pública. Noutras palavras, o SINGAP é personalizável, não sendo utilizado o pacote completo. Uma entidade pública, ao adquiri-lo, interessar-se-á apenas pelos sistemas que tenham relação com a sua atividade.

Na gestão global, estão: o sistema de apoio à decisão, responsável disponibilização e operacionalização tempestivas de dados internos e externos, macro e micro, passados e projetados, que possam embasar as decisões estratégicas da cúpula da instituição; o balanced scorecard (BSC) é o sistema que “traduz a missão e a estratégia de uma empresa em objetivos e medidas tangíveis”(SANTOS, 2008), isso fazendo pela quantificação – através de indicadores – de todas as metas e objetivos organizacionais (tanto as voltadas para a otimização da cadeia de suprimentos quanto as voltadas ao negócio), permitindo assim uma análise e um controle objetivos dos resultados alcançados pela instituição; o Workflow consiste na automação dos processos – materiais, de informação e de negócios (BARROS, 1997) –, garantindo assim consideráveis incrementos na efetividade dos processos (quase extinguindo os retrabalhos e disponibilizando a informação tempestivamente); o Benchmarking se refere à percepção e análise, contínuos e sistemáticos, da melhores práticas do mercado, no fito de delas se utilizar (SPENDOLINI, 1992 apud CARPINETTI; MELO; SILVA, 20--); o controle de qualidade, por meio da quantificação dos níveis de qualidade aceitáveis, de forma a permitir um acompanhamento contínuo dos processos organizacionais; o controle de gestão, sendo o responsável pela análise da gestão em seus vários níveis, estratégico, tático e operacional; e, por fim, o CRM, sendo esse voltado para o cidadão.

As demais áreas, doravante, não serão sucintamente descritas. Fez-se isso com a precedente por ser a que se nutre com os dados das demais e por ser, simultaneamente, a gestora de todos os processos organizacionais.

Na área recursos humanos, estão os seguintes sistemas: gestão de pessoal, processamento de vencimentos, portais web, avaliação de desempenho (SIADAP), BDAP (base de dados da AP), horas extraordinárias, comparticipações da ADSE, gestão da formação, recrutamento e seleção, ajudas de custo e despesas de deslocação, gestão de concursos, gestão de assiduidade, medicina do trabalho e gestão de beneficiários. Em linhas gerais, pode-se afirmar que tudo relacionado aos gastos, à capacitação, à renovação do quadro funcional, aos benefícios e à satisfação dos servidores é gerenciado e operacionalizado pelos sistemas citados.

A gestão financeira é constituída por: Contabilidade Pública (POCP, POC-E, POCMS, POCAL), Gestão Orçamental, Contabilidade Analítica, Previsão Orçamental, Gestão do PIDDAC, Conta de Gerência, Preparação de Orçamentos, Gestão de Encomendas e Facturação, Gestão de Tesouraria e Reconciliação Bancária, Home-Banking, Preparação de Orçamentos, Prestação de Contas, Exportador SIC, Guias de Receita do Estado. Grosso modo, esses sistemas operacionalizam todos os registros contábeis da organização e todas as suas movimentações financeiras.

A matriz de aprovisionamento e gestão patrimonial é composta por: Cadastro e Inventário dos Bens(CIB), Gestão de Aprovisionamento, Gestão de Stocks, Portal das Propostas de Aquisição, Portal das Requisições ao Armazém, Plataforma Transaccional de Compras, Gestão de Bens Móveis, Gestão de Imóveis, Portal de Pedidos de Transferência de Bens, Recepção e Expedição de Materiais, Gestão de Empreitadas, Obras de Conservação e Manutenção, Portal das Assistências e Manutenções, Gestão de Veículos, Gestão de Facturação, Gestão de Contratos Plurianuais, Apoio à Recepção de Visitantes, Gestão de Telefones e Telemóveis, Reprografia, Gestão de Cemitérios, Orçamentação e Gestão de Rochas Ornamentais. Como se vê – apenas se considerando a nominação de cada sistema –, nessa matriz se gerencia o inventário (que registra as alterações patrimoniais) e as movimentações de materiais.

Por fim – na gestão documental –, há: Registro de documentos externos e internos, Classificação de documentos, Digitalização de documentos, Anexação e gestão de versões de documentos, Circulação interna e workflows, Assinatura eletrônica, Cartão do Cidadão, Controlo de prazos, Segurança e perfis de acesso, Alertas e notificações, Portal de Gestão Documental, Gestão de Processos (BPM). Nessa matriz, gerencia-se o inumeráveis e variados documentos – em quaisquer que sejam os suportes em que se apresentem –, buscando a aplicação dos princípios da Arquivologia e primando pela efetividade de todo o processo.

d. Vantagens e Desvantagens
As vantagens já foram elencadas na resposta ao item anterior. Todavia, destaca-se o fato de que, nos dias atuais, não se é possível uma efetiva administração – muito menos de recursos públicos, por serem, em relação aos empreendimentos do mesmo espaço geográfico, geralmente numerosos e vultosos – sem que se utilize de sistemas ERP. Uma empresa (não se pode perder de vista a certeza de que os entes públicos são empresas com um público mais complexo que as organizações privadas) na qual o SCM e o CRM não estão integrados não conseguirá atender as necessidades sempre crescentes e atuais de seus clientes.

Não há, a rigor, desvantagens num bom sistema ERP. Há, na verdade, dificuldades em sua implementação. O custo é elevado – não somente na implantação, como também na manutenção –, pois exige pesados investimentos em tecnologia e em capacitação. Além disso, há, via de regra – principalmente no setor público –, grande resistência à sua implementação, visto exigir uma reengenharia na cultura organizacional.

2. Descreva as funções de negócios voltadas para a administração pública e apoiadas pelos sistemas CRM e SCM.
As funções de negócios do SINGAP são as que são operacionalizadas e gerenciadas pela área de gestão global. Estão descritas no segundo parágrafo do item “c” da primeira questão. Todavia – num tributo à clareza –, serão citados quais se encaixam ao CRM e quais viabilizam o SCM. Nesse, estão o Workflow (que automatiza processos) e o controle de qualidade (que garante o correto funcionamento da organização, como um todo). No CRM, estão o sistema de apoio à decisão, o BSC, o Benchmarking e o controle de gestão. Essa separação não é estanque, rígida. Há sistemas que cuidam, simultânea ou espaçadamente, da cadeia de suprimentos e do relacionamento com os clientes. Assim, os que tem mais funções voltadas para o processo, são catalogados como SCM; os em que predomina o negócio, para o CRM.

3. Citar as vantagens e desvantagens de se usar uma ferramenta de BI (Business Intelligence) como solução de geração de informações gerenciais em uma organização que tem diversos sistemas de informação sem muita integração e com os executivos fazendo intensivo uso de planilhas eletrônicas.
O que é um BI (Business Intelligence)? É um ERP na plataforma Web. O que é um ERP. É o SCM e o CRM operando, integradamente – formando um só sistema –, na mesma plataforma. A grande vantagem do BI em relação ao ERP é o acesso e a interatividade. Acesso, por poder se conectar com qualquer base de dados da rede mundial; interatividade, por se permitir comunicar com outros sistemas da citada rede. A Web é a plataforma majoritária do mundo virtual. Em breve, será praticamente a única. Enxergando isso, as grandes corporações há muito que estão migrando todos os seus aplicativos para a Web; algumas já concluíram todo o processo. Como exemplo, há dois bancos de escala nacional e internacional: Caixa Econômica e Banco do Brasil. Ambos, paulatina e solidamente, estão “aposentando” os aplicativos que não “rodam” na internet.

Quanto às desvantagens, faz-se o mesmo comentário constante no segundo parágrafo do item “d” da primeira questão:
Não há, a rigor, desvantagens (..). Há, na verdade, dificuldades em sua implementação. O custo é elevado – não somente na implantação, como também na manutenção –, pois exige pesados investimentos em tecnologia e em capacitação. Além disso, há, via de regra – principalmente no setor público –, grande resistência à sua implementação, visto exigir uma reengenharia na cultura organizacional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARPINETTI, Luiz César Ribeiro; MELO, Alexandre Meneses de; SILVA, Wendell Thales Silgueiro e. Utilização do Benchmarking por Empresas Brasileiras. São Paulo: FAPESP, 20--. Disponível em: < http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2000_E0205.PDF>. Acesso em 12 de setembro de 2012.
SANTOS, Marco Antônio Pereira dos. O que é Balanced Scorecard. [S.l], 2008. Disponível em:< http://www.portaleducacao.com.br/gestao-e-lideranca/artigos/3949/o-que-e-balanced-scorecard> Acesso em 11 de setembro de 2012.

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