A burguesia, com as belas cores da liberdade, da igualdade e da fraternidade,
cantou, nos quatro cantos do mundo, que era preciso se dar liberdade de
pensamento e ação às pessoas, e de mercado à economia. Assim – dizia ela por
meio de seus competentes teóricos –, iria propiciar-se uma maior justiça
social, num ambiente – e essa é a melhor parte – em que imperasse a justiça e a
igualdade.
Essa
ideia foi bem vendida (ainda hoje o é). Mas decepcionou os consumidores, embora tenha agradado imensamente os vendedores. Ficou mais do que comprovada
a falácia da igualdade. Cardoso (2007 apud OLIVEIRA, 2012, p. 8) afirma que a
prática da tão sonhada liberdade fez com que:
“Os interesses individuais se sobressaíssem
sobre os interesses coletivos, ou, em outras palavras, que o desejo de poucos
capitalistas prevalecesse sobre as necessidades da classe trabalhadora”.
Fundado
numa subvalorização da mão de obra, na acumulação de capital, no estrondoso
desenvolvimento tecnológico e sobre sólida teorização, o Capitalismo grassou (e
grassa) soberano, em todas as partes que o homem se organizava e se organiza
sob a forma de um estado.
Mas,
como disse Marx, todo sistema tem em si o
gérmen de sua destruição. E, com o belo Capitalismo, não foi diferente.
Concomitante à contemporânea corrida imperialista, movida à ambição e sangue,
acentuavam-se as disparidades sociais. Os capitalistas se erigiram à condição
de nova nobreza feudal, esmagando – com os punhos do Estado, do qual se
apossaram –aqueles que se arvorassem em defensores de uma ordem mais justa, de
uma ordem humanitária, antes defendida pelos novos senhores. Apesar de
alardearem, de forma a ensurdecer a consciência e o senso de realidade dos
oprimidos, que há igualdade de oportunidades, sendo a falência, o insucesso,
resultado da ineficiência individual (e houve todo um arcabouço teórico,
expresso principalmente na figura do protestantismo); esconderam, com sofismas
e engodos, que, na prática, essa equidade é uma monstruosidade. Grosso modo – a
título de ilustração –, pode-se afirmar que, nesse mundo essencialmente
competitivo, embora todos estejam competindo na mesma estrada, o rico está com
uma Ferrari, e o pobre com uma carroça.
Todavia,
não foi esse deplorável quadro, ainda hoje reinante com pujante força, que
provocou uma relativa reviravolta. O Capitalismo vive do consumo. Por incrível
que pareça, não se sabia disso a um século atrás. Acreditava-se que vivia da
produção. Logo, o que importava era produzir cada vez mais produtos. A oferta
era o centro. Assim, o foco – dos capitalistas e do Estado – era a indústria.
Salário baixo era sinônimo de maior lucratividade, não apenas no curto como no
longo prazo. Não perceberam que os trabalhares das indústrias e dos serviços
eram não apenas a mão de obra dos empreendimentos, mas também os consumidores
de toda a produção. Não há produção sem consumo. Não há consumo sem
consumidores. Não há consumidores se não houver renda.
A
Depressão de 1929 abriu os olhos do mundo. É preciso que se propicie o mínimo de
bem estar e renda para que haja o consumo. O mercado, fragmentado e sem outro móvel
que não a fome de lucro, é incapaz de implementar a solução. Apenas o Estado
reúne as condições necessárias. Surge, então, o estado intervencionista, que
assume, como já dito, duas feições. A primeira é a totalitária, consubstanciada:
nos regimes ditatoriais da América Latina;
no Franquismo, na Espanha; no Fascismo, na Itália; no Salazarismo, em Portugal; no Nazismo, na Alemanha; no Estado Novo e na Ditadura Militar, no Brasil. A
segunda é a de Estado de Bem Estar Social. Essa prima por maiores concessões à
classe trabalhadora. Defende-se a educação para todos, a saúde, a seguridade
social, a habitação e uma efetiva participação do estado na economia, como
agente central.
Adota-se
as ideias de Keynes. O estado é o agente fomentador da demanda e regulador das
atividades sociais, por meio de políticas macroeconômicas, focando
principalmente as questões fiscais e monetárias.
Com
novo status, ele se enche de jactanciosa importância. Movido por um eficiente sistema burocrático, volta-se
para si mesmo e para o seu sustentáculo: a classe dominante. Volta a crise. Vem
o Neoliberalismo. Que reincide, extemporaneamente, nos mesmos erros do
Liberalismo.
Hoje,
impera um misto dos dois; no qual se defende forte individualismo, em
detrimento da coletividade, e se lança migalhas às classes desfavorecidas, com
pálidas imagens da educação, da saúde, da seguridade, da habitação, do lazer.
Não
se pode esquecer, porém, que, mesmo eivado de injustiça, é o sistema atual bem
melhor que os seus predecessores (destaque-se que aqui está a se referir apenas aos que já foram implementados, e não aos que permaneceram na esfera da teoria), representando real evolução, do ponto de
vista sócio-político-econômico. Noutras palavras, esse é o sistema menos pior.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
OLIVEIRA, Joana D’arc. Seminário Temático III: Tópicos Especiais
em Administração Pública. Fortaleza: UFC Virtual, 2012.
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