Pode-se afirmar que, com o
advento da Revolução Industrial, a relação do homem com a natureza se tornou
mais racional, e isso pela necessidade mesma das coisas: a racionalização é
necessária à preservação.
A tecnologia, se muito facilitou
a vida – por meio da produção de larga escala e da invenção de um sem número de
produtos criadores de bem-estar –, propiciou, igualmente, a destruição, também
em larga escala, da natureza.
Aqui entra o crescimento
econômico. Esse é o principal estímulo à evolução tecnológica. Esse é que
financia esse movimento. O excedente financeiro criado pelo advento do Capitalismo
é que possibilitou maciços investimentos em ciência e tecnologia.
Logo, a tendência é que essa
evolução tecnológica preocupe-se apenas com a questão econômica, deixando de
lado todas as demais. Todavia, não se quis considerar que, sem insumos, não há
produção, não há sobre o que incidir a tecnologia.
Essa questão foi deixada de lado.
Via-se, com hoje se vê, que o desordenado e predatório Crescimento Econômico
estava acabando com os recursos naturais, com os insumos necessários a esse
mesmo crescimento.
Chegou a um ponto, porém, que não
se pôde mais ignorar essa realidade. Isso demorou dois séculos e meio (da
Revolução Industrial, iniciada no início do século dezoito – com criação da máquina a vapor –, até o Pós-Segunda
Guerra).
Somente a partir daí foi esboçada
uma teoria que orientasse uma prática que se harmonizasse com a natureza.
Nascimento (2008 apud CABRAL,
2010) destaca como sendo o marco inicial dessa construção teórica o livro
Primavera Silenciosa, escrito por Carson, em 1962. É interessante observar que,
já em seu início, a preocupação central não era apenas a natureza, mais sim “as inter-relações entre o meio-ambiente, a
economia e o bem-estar social” (NASCIMENTO, 2008 apud CABRAL, 2010, p. 3).
Vê-se que, nesse livro, já se esboçava o conceito de sustentabilidade, em seu
tríplice aspecto.
Dez anos após, a preocupação
social com o tema não mais se reflete apenas na teoria, mas também no âmbito
institucional. Em 1972, é publicado o relatório Limites ao Crescimento, que radicalizava um pouco, principalmente
por ter como autores os integrantes do Clube de Roma, signatários do zerismo, que apregoavam a estagnação do
crescimento econômico, sob pena de extinção da vida no planeta (LIMA, 1997).
São, ademais, criadas leis ambientais, para regulamentar a prática industrial,
no fito de torná-la menos predatória. Há, também, a preocupação de se associar o conceito de qualidade ao de
preservação, o que é retratado pela criação do selo azul, na Alemanha,
Na de oitenta, a institucionalização, não apenas no âmbito
público, toma corpo. Surgem as empresas especializadas na emissão de relatórios
ambientais, que subsidiariam as decisões das demais instituições.
Gradativamente, na contabilidade real do setor privado, os investimentos
sustentáveis começaram a deixar de figurar no lado dos custos, migrando para o
dos investimentos. Desastres ambientais
chamam a atenção da sociedade sobre a urgência de medidas sustentáveis: químico, em Bophal, Índia, 1984; nuclear, em Chernobyl, Ucrânia, 1986; e petrolífero, no Alasca, em 1989. Em 1987
– todavia –, ocorre, no âmbito ambiental, o mais relevante fato da década: o
relatório Nosso futuro comum. Nesse,
é apresentado o conceito mais conhecido de sustentabilidade: “desenvolvimento sustentável é aquele que
atende às necessidades do
presente sem comprometer
a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas
próprias necessidades”.
Na década de noventa,
reforçam-se, embora aquém do esperado, as iniciativas anteriores. Além disso,
busca-se que não apenas o produto final seja limpo, mas todo o processo
produtivo. É a ênfase o ciclo de vida do
produto. O principal evento foi a Rio92.
Atualmente, difundiram-se mais as
tecnologias limpas, os Estados veem, com mais seriedade, a sustentabilidade. Veem-na
não mais apenas como algo com que se deva preocupar, mas sim como uma solução,
nas esferas social, econômica e ambiental, para diversos problemas que afetam
praticamente todos os povos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CABRAL, Joana D’arc. Seminário Temático IV: Gestão Ambiental e Sustentabilidade.
Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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