sábado, 10 de agosto de 2013

Sustentabilidade, tecnologia, crescimento.

Pode-se afirmar que, com o advento da Revolução Industrial, a relação do homem com a natureza se tornou mais racional, e isso pela necessidade mesma das coisas: a racionalização é necessária à preservação.

A tecnologia, se muito facilitou a vida – por meio da produção de larga escala e da invenção de um sem número de produtos criadores de bem-estar –, propiciou, igualmente, a destruição, também em larga escala, da natureza.

Aqui entra o crescimento econômico. Esse é o principal estímulo à evolução tecnológica. Esse é que financia esse movimento. O excedente financeiro criado pelo advento do Capitalismo é que possibilitou maciços investimentos em ciência e tecnologia.

Logo, a tendência é que essa evolução tecnológica preocupe-se apenas com a questão econômica, deixando de lado todas as demais. Todavia, não se quis considerar que, sem insumos, não há produção, não há sobre o que incidir a tecnologia.

Essa questão foi deixada de lado. Via-se, com hoje se vê, que o desordenado e predatório Crescimento Econômico estava acabando com os recursos naturais, com os insumos necessários a esse mesmo crescimento.

Chegou a um ponto, porém, que não se pôde mais ignorar essa realidade. Isso demorou dois séculos e meio (da Revolução Industrial, iniciada no início do século dezoito – com  criação da máquina a vapor –, até o Pós-Segunda Guerra).

Somente a partir daí foi esboçada uma teoria que orientasse uma prática que se harmonizasse com a natureza.

Nascimento (2008 apud CABRAL, 2010) destaca como sendo o marco inicial dessa construção teórica o livro Primavera Silenciosa, escrito por Carson, em 1962. É interessante observar que, já em seu início, a preocupação central não era apenas a natureza, mais sim “as inter-relações entre o meio-ambiente, a economia e o bem-estar social” (NASCIMENTO, 2008 apud CABRAL, 2010, p. 3). Vê-se que, nesse livro, já se esboçava o conceito de sustentabilidade, em seu tríplice aspecto.

Dez anos após, a preocupação social com o tema não mais se reflete apenas na teoria, mas também no âmbito institucional. Em 1972, é publicado o relatório Limites ao Crescimento, que radicalizava um pouco, principalmente por ter como autores os integrantes do Clube de Roma, signatários do zerismo, que apregoavam a estagnação do crescimento econômico, sob pena de extinção da vida no planeta (LIMA, 1997). São, ademais, criadas leis ambientais, para regulamentar a prática industrial, no fito de torná-la menos predatória. Há, também, a preocupação de se associar o conceito de qualidade ao de preservação, o que é retratado pela criação do selo azul, na Alemanha,

Na de oitenta, a institucionalização, não apenas no âmbito público, toma corpo. Surgem as empresas especializadas na emissão de relatórios ambientais, que subsidiariam as decisões das demais instituições. Gradativamente, na contabilidade real do setor privado, os investimentos sustentáveis começaram a deixar de figurar no lado dos custos, migrando para o dos investimentos. Desastres ambientais chamam a atenção da sociedade sobre a urgência de medidas sustentáveis: químico, em Bophal, Índia, 1984; nuclear, em Chernobyl, Ucrânia, 1986; e petrolífero, no Alasca, em 1989. Em 1987 – todavia –, ocorre, no âmbito ambiental, o mais relevante fato da década: o relatório Nosso futuro comum. Nesse, é apresentado o conceito mais conhecido de sustentabilidade: “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às  necessidades  do  presente  sem  comprometer  a  possibilidade  das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.

Na década de noventa, reforçam-se, embora aquém do esperado, as iniciativas anteriores. Além disso, busca-se que não apenas o produto final seja limpo, mas todo o processo produtivo. É a ênfase o ciclo de vida do produto. O principal evento foi a Rio92.

Atualmente, difundiram-se mais as tecnologias limpas, os Estados veem, com mais seriedade, a sustentabilidade. Veem-na não mais apenas como algo com que se deva preocupar, mas sim como uma solução, nas esferas social, econômica e ambiental, para diversos problemas que afetam praticamente todos os povos.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

CABRAL, Joana D’arc. Seminário Temático IV: Gestão Ambiental e Sustentabilidade. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.

LIMA, Gustavo F. da Costa. O Debate da Sustentabilidade na Sociedade Insustentável. Revista Eletrônica "Política e Trabalho"- Setembro 1997 / p.201-202. Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/debatesustentabilidade.html. Acesso em 09 agosto 2013.

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