domingo, 5 de julho de 2015

O Processo de Comunicação

O ruído, as distorções perceptivas, é inerente à comunicação. A mensagem ─ informação codificada (CHIAVENATO, 2004, p. 439) ─ sempre será transmitida de forma distorcida.

Guimarães (2010) afirma que há cinco fatores que interferem na comunicação: (1) comunicacional, no qual a própria mensagem é modificada ─ devido a mecanismos de defesa e à percepção distorcida; (2) externos, relativos a distorções do canal empregado e à influência das demais pessoas envolvidas no processo comunicativo; (3) o personalístico, no qual a personalidade do emissor filtra-distorce a mensagem; (4) os comportamentais, relacionados à ação deformadora que o comportamento do emissor  e do receptor imprimem à codificação-decodificação; e (5) as cognitivas, referentes às distorções provocadas pelas limitadas e parciais formas de pensar dos agentes envolvidos.

Chiavenato (2004, p. 129) afirma que a “comunicação é importante no relacionamento entre as pessoas e na explicação aos participantes das orientações tomadas”. Nova (2007) afirma que a comunicação é a responsável pelo sucesso da empresa. Elenca ele quatro problemas que distorcem o processo.

O primeiro é a comunicação inadequada. Exemplifica com o desconhecimento ou o uso inadequado da linguagem técnica. Um exemplo disso é fato ocorrido no BNB: ao perguntar o cliente se seu financiamento havia sido aprovado, o atendente perguntou-lhe se a sua “operação estava no SIAC”. Como solução, sugere que, antes de comunicar, o emissor verifique qual o nível de conhecimento que o receptor tem sobre o assunto.

O segundo grande problema é a falta de comunicação. Afirma que, infelizmente, informações vitais não são repassadas “no momento certo e no tempo oportuno”. A situação é mais grave quando isso é proposital. Conhecimento é poder. Assim, muitos não repassam a informação, não a compartilham, como o receio de “serem passados para trás”, no desespero de manterem seu cargo e seu status.

O terceiro é a falta de sincronia na comunicação. Afirma que, para que haja sincronismo, é necessário que “os interlocutores estejam imersos no mesmo paradigma”, que tenham “pré-conhecimento do assunto a ser tratado”. Como se vê, o foco é o estudo prévio da situação, para que as interações sejam otimizadas.

O quarto e último problema é o que Nova (2007) denomina de “temos muitos recursos e poucos meios que funcionam”. Quer ele dizer que não adianta ter diversidade de canais e de recursos tecnológicos comunicativos à disposição. É preciso utilizá-los. Há muitos líderes e funcionários que se recusam a usar essa tecnologia, prejudicando a agilidade e confiabilidade da informação organizacional.

Por fim, destaca-se o fato de que qualquer organização é formada por pessoas, em interação constante. E que o processo de interação é formado pela comunicação. Assim ─ fatalmente ─, a otimização desse processo redundará em otimização da organização.

No que se refere à satisfação e à motivação, primeiro serão esses dois conceitos definidos; posteriormente, serão traçadas relações entre os dois, utilizando-se as idéias de Herzberg. Guimarães (2010, p. 19) afirma que a motivação é a “energia interna que impulsiona a auto-atualização” e que através da conscientização e da autodeterminação se pode manter uma motivação real. Já a satisfação é um prazer resultante de uma realização. Numa palavra, a satisfação é prazer concretizado, e a motivação é um interesse, que pode ser espontâneo ou estimulado.

Em Chiavenato (2004) e Guimarães (2010), vê-se, dentre outras, interessante teoria que irá enriquecer as considerações sobre o assunto abordado. Herzberg criou a Teoria dos Dois Fatores. Esses seriam os motivacionais, intrínsecos, satisfacientes e os higiêncos, extrínsecos, insastifacionais. Os higiênicos seriam o contexto externo e as recompensas materiais: salário, condições de trabalho, relacionamentos com os colegas e superiores. Não dependem apenas do sujeito, fugindo assim do seu controle. Tradicionalmente, eram esses considerados os elementos motivacionais. Todavia, Herzberg alertou para o fato de esses elementos não motivarem. Devem existir e serem realizados. São fundamentais. Mas não motivam. No máximo ─ quando satisfeitos ─, evitarão a insatisfação (por isso são também denominados de insatisfacionais). Para ele, os elementos motivadores ─ que geram real satisfação ─ são os internos. São relacionados ao trabalho e às mais íntimas e profundas expectativas dos indivíduos. Dependem do sujeito, estando dentro do que Covey (2005) denomina círculo de influência.

Por fim, pode-se afirmar que a motivação é um processo, um meio. Já a satisfação é um resultado, um fim. É claro que, na interação entre esses dois elementos, há um movimento de retroalimentação.

REFERÊNCIAS:

COVEY, Stephen R.. Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. 22ª. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2005.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

GUIMARAES, Elidihara Trigueiro. Disciplina Psicologia Organizacional. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.

NOVA, Elias Nova. O problema é a comunicação nas empresas. Administradores: o Portal da Administração. S.I 26 fev. 2007. Disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-problema-e-a-comunicacao-nas-empresas/13365/. Acesso em: 14 abr. 2011.



Nenhum comentário:

Postar um comentário