Apresente, em seu portfólio individual,
uma discussão sobre o papel da centralidade do Estado no processo de
desenvolvimento econômico do Brasil e da Coreia. Utilize como base o texto “As
diferentes trajetórias percorridas por dois países periféricos de
industrialização tardia: Brasil e Coréia”. Acrescente ideias de outros autores,
pesquisados por você, sobre o assunto em estudo. O texto deve conter cerca de
duas laudas digitadas.
Nery
(2005) apresenta interessante estudo que, com dados, analisando os contextos
global e interno, desmistifica a ideia – apregoada por arautos do
Neoliberalismo – de que o sólido desenvolvimento da Coréia (tomada como símbolo
dos Tigres Asiáticos – Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Singapura) deveu-se à
sua liberalidade do mercado, nos moldes do extemporâneo
Liberalismo.
Defende
que foi exatamente o contrário. Enquanto – no Brasil e no restante da América
Latina –, o Estado era uma extensão da
iniciativa privada, preocupando-se em garantir os interesses provisórios do
grupo que ora estava no poder, não considerando o interesse da nação, e
desprovidos de visão de longo prazo, de visão estratégica; na Coréia do Sul –
devido ao contexto global e à ação férrea do Estado –, os esforços da nação
foram direcionadas ao desenvolvimento nacional.
Nery
(2005), primeiramente, destaca a questão externa. Mostra que o interesse da
nação então dominante no contexto da Guerra Fria (os EUA) em relação ao Brasil
e à Coréia era bem diferente. Com a Coréia do Sul, que, de um lado,
defrontava-se com a URSS, e, de outro, com a Coréia do Norte, os EUA
estabeleceram uma relação de parceria.
O objetivo era desenvolvê-la para que se fosse mostrado o sucesso do modelo Capitalista e, simultaneamente, consolidasse um
forte aliado em estratégica posição
geopolítica. Com o Brasil, estabeleceu-se uma relação predatória, na qual
as riquezas nacionais eram transferidas, mediante o instituto do investimento
direto das megacorporações e dos empréstimos externos sem um rígido controle
estatal dos capitais investidos; afinal, a nação canarinho já era cliente cativa
e submissa, não representando ameaça alguma aos interesses do Tio San.
Posteriormente,
enfatiza a postura dos dois Estados, frente às conjunturas econômicas que lhes
eram externas e internas. No Brasil, imperou a permissibilidade. Na Coréia, a rigidez.
O capital especulativo e a fuga de divisas “deitaram
e rolaram” no solo de vera cruz. Houve, durante décadas, uma verdadeira “farra”, na qual se locupletaram as
multinacionais e os grandes investidores. Na Coréia, – com braço de ferro – o
estado manteve, através de rígidas leis e de um eficiente padrão de
financiamento, a economia em suas eficientes mãos. No primeiro caso, – a título
de ilustração – cita-se o lei que apenava, inclusive
com a morte, aqueles que, na década de sessenta, ousassem transferir para o
exterior quantias superiores a 1 milhão de dólares. Para ratificar o segundo,
basta citar que, no princípio, estatizou
toda rede bancária (o que o “intervencionista” estado canarinho nunca sonhou
em fazer), detendo mais de dois terços de todo recurso investido no país.
Tinha, assim, total domínio sobre a economia, dando-lhe o rumo que bem
entendesse. Além disso, ao conceder subsídios aos setores estratégicos,
cobrava, com drásticas medidas, os resultados acordados. Ao contrário do
Brasil, cujo estado é o pasto do setor privado, que drena – pelos dutos da
corrupção – o patrimônio público.
Ademais,
há de se considerar a visão estratégica. Enquanto, acomodadamente, o estado
brasileiro contentou-se em reforçar os setores
tradicionais, como a pecuária, a agricultura e a indústria; a Coréia –
percebendo o contexto macroeconômico – investiu em telecomunicações, na
indústria automobilística e em informática. Para isso, consolidou um efetivo sistema educacional, que lhe
possibilitou formar mão de obra qualificada para esse empreendimento. E isso é
fácil de explicar. O Estado brasileiro é a classe dominante que, na época, era
retrógrada. Em vez de volver seus olhos para o futuro, centraram-se no
presente, guiados por antiquadas técnicas e mesquinhos objetivos. Na Coréia, o
Estado não representava um setor econômico, mas sim toda a nação. O seu
interesse não era parcial, era geral. Desde o início, devido à salutar
interferência americana (essa colocação é deveras estranha, aparentemente
paradoxal, mas, como já explicado, os EUA tinha efetivo interesse um real
crescimento coreano), o Estado pôde agir com independência em relação às
classes que anelavam manter o status quo.
Por
fim, vale destacar que uma fórmula exitosa em um país pode ser desastrosa em
outro. A Coréia, com seu punho de aço, conseguiu determinar, por meio do
Estado, o rumo da economia, mobilizando todas as forças da nação para os
objetivos delineados. Na Pátria do Cruzeiro – porém –, reina o famoso “jeitinho brasileiro”. As rígidas medidas
aplicadas na Coréia jamais vingariam aqui. Isso, de certa forma, torna a missão
mais complexa. É preciso convencer, em vez de impor; explicar, em vez de
determinar; dialogar, em vez de gritar. Essa dificuldade, porém, não é o mesmo
que impossibilidade.
Apesar
de não se ver a educação – alicerce do atual desenvolvimento econômico –
erigida à prioridade maior das políticas governamentais (o que fica claro
quando se considera a estrutura do ensino e à humilhante remuneração que se
impõem aos docentes – que só permanecem na profissão por necessidade ou por,
como disse um certo governador, ao ironizar uma greve de professores da rede
estadual de ensino, por amor),
observa-se que a evolução foi considerável. O Brasil tem mantido um crescimento
estável, o que lhe granjeou o respeito de todo o mundo. Sem dar grande passos,
caminha, firme e forte, rumo ao bloco dos países que conduzem os destinos do
mundo. Isso, porém – é imprescindível destacar –, só foi possível graças à
planejada e sólida intervenção do Estado que, há mais ou menos dez anos,
retomou as rédeas da nação, contrapondo-se ao modelo neoliberalista até então
vigente.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
NERY, Tiago. As diferentes trajetórias percorridas por dois
países periféricos de industrialização tardia: Brasil e Coréia. 2005.
Disponível em: http://www.senado.gov.br/senado/ilb/pdf/brasil_coreia.pdf. Acesso em
27 set 2012
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