domingo, 5 de julho de 2015

Questões relativas aos princípios fundamentais da contabilidade

Responda às questões abaixo que tratam dos Princípios Fundamentais de Contabilidade.
Identifique os Princípios Fundamentais de Contabilidade envolvidos nas situações abaixo e opine sobre os posicionamentos adotados:
a) A superação mercadológica dos produtos de uma entidade tem gerado prejuízos sucessivos, pressupondo descontinuidade. A contabilidade vem aplicando normalmente os princípios fundamentais da contabilidade.
            Sucessivos prejuízos pressupõem falência, descontinuidade. Logo — antagonicamente —, esse fato se associa o princípio da continuidade, segundo o qual a “entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.”(Res. 750/93,caput do art. 5º)
b) O proprietário de uma empresa para não aumentar o prejuízo da sua empresa pede que o contador não registre as despesas de salários do mês de Dezembro, pois ele só pagará os seus empregados no dia 02 de janeiro do próximo ano.
            O princípio que melhor se encaixa nesse contexto é o da competência. Eis o que afirma o artigo 9º da Resolução 750, do CRC:
“Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento.
            O princípio da competência está diretamente relacionado à despesa e à receita. Essas consideram-se realizadas independentemente do pagamento ou recebimento. No caso da despesa, esta considera-se realizada quando o serviço for prestado pelo credor ou o produto for entregue pelo vendedor. Caso o pagamento não seja realizado, transforma-se em dívida, transforma-se numa conta do passivo, deixando de ser conta de resultado para ser conta patrimonial.
            Esse é o caso. A despesa “salário” foi realizada em dezembro, pois o serviço foi prestado pelos credores (trabalhadores). Como a despesa não foi liquidada, ela entrará no passivo do ano seguinte, como dívidas a pagar.
            Já no registro da dívida no ativo, o contador obedeceria ao princípio da oportunidade, pois se trata de conta patrimonial. Eis a diferença entre os dois princípios que, aparentemente, mais se confundem: oportunidade e competência. Enquanto o primeiro trata de contas patrimoniais, o segundo trata de contas de resultado, de despesa e de receita.
c) A entrega da análise das Demonstrações Contábeis na empresa Xisto & Irmãos, costuma ser preparada após solicitação por escrito dos cotistas da empresa quando da realização de reunião mensal entre os mesmos.
Aparentemente, o princípio da oportunidade está sendo parcialmente negligenciado. Segundo esse princípio, o registro dos fatos contábeis deve ser concomitante ao fato, tempestivo e deve manter a integridade dos dados.  Além disso, vale destacar o parágrafo único, do artigo 6º da citada resolução:
“A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.”
            Logo, a intempestividade compromete a integridade.
            Todavia, a questão se refere à análise das demonstrações contábeis; não está se referindo ao registro dos fatos contábeis. Os fatos é que têm de ser tempestivamente registrados. Quanto à análise das demonstrações, essas podem ser realizadas periodicamente. Esse período, porém, não pode ser superior ao exercício financeiro, que, via de regra, é de um ano civil. Eis o que Pinho (2010, p. 18) afirma sobre essa questão
“Embora a gestão seja contínua, as Demonstrações Contábeis são levantadas ao final de cada exercício com a finalidade de medir os resultados da administração, sob o aspecto econômico-financeiro.”
            Pelo que foi dito — e se utilizando apenas dos dados fornecidos na questão —, percebe-se que, do ponto de vista legal, não há lesão a qualquer princípio contábil — embora aparentemente o princípio da oportunidade estivesse sendo lesado. Do ponto de vista administrativo, todavia, a prática dessa empresa é desastrosa. Para que os administradores possam tomar as decisões que alavanquem a empresa, é preciso que tenham em mãos os dados patrimoniais (balanço) e os de resultado (DRE). Não faz nenhum sentido solicitá-los após a reunião. Não faz sentido haver reunião sem esses dados.
d) A empresa adquiriu imóvel no valor de R$ 25.000. Antes mesmo de ser registrada a venda, foi anunciada pela imprensa, a construção de um grande shopping center no terreno ao lado, significando a valorização de 100% para o terreno.  Existe uma dúvida na empresa acerca do valor do terreno a ser contabilizado.
            Certamente, essa dúvida é da empresa, não do contador. Seguindo o princípio do registro pelo valor original — considerando-se o custo histórico —, forçosamente, o valor a ser contabilizado terá de ser o de aquisição. Entretanto, a necessidade de obediência ao custo histórico não paralisa o valor do bem. Há a variação do custo histórico, que se pode dar — combinada ou isoladamente — de cinco formas: custo corrente, valor realizável, valor presente, valor justo e atualização monetária. No presente caso, a variação do valor se dará pelo custo corrente. Eis o que afirma trecho da alínea “a”, do inciso “II”, do artigo 7º da resolução 750, de 1993, do CFC:
“Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis.”
            Embora o trecho afirme que deve ser o bem registrado pelo preço na “data ou no período das demonstrações contábeis”, é preciso considerar o princípio da prudência. Ou seja, deve-se registrar pelo da data, que é o menor.
            Quanto à contabilização do aumento de 100% do bem em questão, haveria um lançamento contábil formalizando-a, justificada pela variação do custo corrente.

e) O empresário Honestus Valério determinou ao contador da sua empresa que não registrasse o valor das perdas permanentes que as ações de uma empresa na qual ele investia, haviam sofrido no último ano.
            Essa ordem, se cumprida, ofenderá diretamente três princípios. O da oportunidade, pois um fato contábil não estaria sendo tempestiva e integramente registrado. O do registro pelo valor original — que “determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações” (Ibidem, caput do art. 7) —, visto o componente patrimonial sequer ser registrado. E o da prudência, que “determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO”(Ibidem, caput do art. 10). No caso, a ofensa a esse princípio foi absurda, visto o não registro, do ponto de vista da legislação, sequer ser uma opção.
f) O Sr. João Zinho é sócio de uma empresa, contudo não faz retirada de prolabore. Para compensar, suas contas são pagas, em dinheiro, pelo caixa da empresa. O contador precisa conversar sobre a situação com o empresário
            Certamente. Isso demonstra grave desorganização, que prejudicará a positiva evolução patrimonial da empresa. Segundo o princípio da entidade, “o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição”( Ibidem, caput do art. 4).
g) A empresa Desastrada S/A na data do fechamento do balanço precisava registrar alguns bens que possuíam seu preço de mercado superior ao preço de custo, porém o Contador orientou ao proprietário a registrar o bem pelo preço de mercado, sendo sua orientação prontamente aceita.
Equivocadamente. Dois princípios patenteiam esse erro: o do registro do valor original, que afirma que o registro do fato contábil deve ocorrer, no caso, pelo o da aquisição; e o da prudência, que, no caso, determina a adoção, numa situação de conflito, do menor preço do ativo.
h) A empresa Beta constatou que a forma de avaliar os estoques era inadequada e resolveu adotar outra, mais apropriada. O contador se recusou a fazê-la. Surgiu um impasse quanto a quem estava correto.
Há três formas de se avaliar o estoque: PEPS, UEPS e Média Ponderada.
Pelo PEPS, o primeiro produto a entrar é o primeiro a sair. Logo, a saída do estoque é registrada pelo preço de custo, obedecendo à risca o princípio do registro pelo valor original. Numa economia inflacionária (por menor que seja a inflação) — normalmente —, como é o caso do Brasil, o fisco estimula e permite esse sistema de controle de estoque. Isso porque, nele, o custo é diminuído, o que eleva o lucro. Elevando-se o lucro, o valor de imposto cobrado também aumenta.
Pelo UEPS, o último produto a entrar é o primeiro a sair. Os empresários, numa economia inflacionária, apreciam mais esse modelo, porque os custos são maximizados, o que, aparentemente, diminui a o lucro e, consequentemente, diminui o imposto.
Por fim, há a média ponderada, na qual o valor do primeiro produto a sair é resultante da média ponderada (na qual quanto mais antigo o produto menor o peso a ele atribuído) dos produtos que entraram.
A questão não especifica métodos. Apenas afirma que há uma discordância entre o contador e a empresa. O correto será o que adotar o método PEPS, pois é o aprovado pela legislação fiscal. Isso evitaria a aplicação de multas.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS:

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução 750, de 29 de dezembro de 1993. Dispõe sobre os Princípios de Contabilidade.

PINHO, Ruth Carvalho de Santana. Disciplina Contabilidade Geral. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.

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