domingo, 9 de setembro de 2012

Comunicação no Setor Público


Ferreira (20--) defende que, no que se refere ao processo de comunicação e construção do conhecimento, não pode o poder público, sob qualquer que seja o pretexto, não se utilizar das teorias que constituem a mais moderna administração, em prescindir da tecnologia comunicacional, que revolucionou a forma de se lidar com a interação e a informação.

O Estado, para bem cumprir sua missão – que é atender as expectativas daqueles que ele representa –, deve adotar os modernos sistemas informacionais empregados sobejamente na iniciativa privada. Assim, o SCM, voltado para os processos construtores dos produtos e serviços – nominados cadeias de distribuição –, e o CRM, que foca o cliente, gerenciando e armazenando todo e qualquer tipo de dado e informação que possa – por mais remota que seja essa hipótese –, ser utilizado para construir um relacionamento saudável e duradouro com a razão de ser da organização (o cliente, seja externo ou interno), devem ser prioridades das políticas estatais. O governo não se pode dar ao luxo (a mais adequada expressão é ao despautério) de não acompanhar as evoluções tecnológicas que mudaram radicalmente a forma como o próprio homem interage consigo e com o meio.

Ferreira (20--) destaca que, no campo do setor público, há sistemas específicos, voltados a subsidiar, de forma eficiente e eficaz, os gestores em suas tomadas de decisão. Esses sistemas são nominados GRP (sistema integrado de gestão pública). Seu objetivo primeiro é fornecer:
 “ao gestor público um Painel de Controle, fortemente baseado em fatos e dados, permitindo tomar decisões com respostas rápidas e eficazes, mesmo com recursos humanos e financeiros escassos” (WOLYNEC, 2005 apud FERREIRA, 20--).

Nesse momento, a autora cita um rol das vantagens do emprego dessa sistemática. Aqui, serão citadas apenas as seguintes: armazenamento praticamente ilimitado de qualquer dado ou informação; acesso a esses dados e informações sem praticamente qualquer limitação de tempo e de espaço; compartilhamento tempestivo de informações e decisões; e segurança de todo o processo.

A autora também aborda a questão do conhecimento, além de aprofundar mais a questão da comunicação, não se restringindo a focar apenas a aplicabilidade desse processo no setor público. Todavia – nestas linhas –, falar-se-á  mais das questões voltadas à comunicação.

Mintzberg (1973 apud FERREIRA, 20--) afirma que o processo comunicacional – efetivado pela figura do gestor – dentro de uma empresa (e é extremamente nocivo negligenciar o fato de que o poder público é uma imensa empresa cujo fim é propiciar bem estar aos cidadão que se colocam sob a sua tutela, seja passiva ou ativamente) enquadra-se, de uma forma ou de outra, em três grandes esferas: informacional, decisória e interpessoal

A interpessoal engloba as ações de: relação, consistente na trato diário, por quaisquer que sejam os meios, com todos envolvidos nas atividades da organização; representação, referente à necessidade de, fática e formalmente, ser a corporificação da organização em que milita; líder, influenciando, pela autoridade de seus atos e capacidade pessoal, todos aqueles com os quais se relaciona.

A informacional dar-se quando o gestor: monitora as atividades, orientando os colaboradores – seja retificando seja informando –, para que os processos corram da forma a mais ótima possível; dissemina a conhecimento e as informações que tenham relevância para a organização; e executa a função de porta voz organizacional. Em Mintzberg (1973 apud FERREIRA, 20--), ser porta voz é ser um compartilhador de informações que possam agregar valor ao processos organizacionais.

A decisória é a em que o administrador assume o papel de: empreendedor, consistindo na atitude de toma de iniciativa para realização de melhorias e mudanças no processo organizacional, seja o atrelado ao SCM como ao CRM; gestor de problemas, relativo a necessitar tomar atitudes corretivas e construtivas ante os mais simples e mais graves problemas organizacionais; gestor de recursos, referente à alocação de toda sorte de recursos organizacionais, primando pela observância da efetividade processual, focando o valor agregado de cada atividade constituinte do processo; negociador, responsável por representar a instituição nas negociações com os clientes externos e internos.

Por fim, finaliza-se afirmando, esperançosamente, que o setor público – pela própria cobrança de que está sendo alvo por parte dos clientes-cidadão – está, não com a velocidade e comprometimento necessários (mas pelo menos já se está fazendo algo), buscando implementar os melhorias trazidas pelas mais diversas ciências e já há muito aplicadas pela iniciativa privada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FERREIRA, Michelle Karen de Brunis. As novas configurações da Gestão Pública: comunicação, conhecimento e pessoas. Unesp. São Paulo, [20--]. Disponível em:< http://www.faac.unesp.br/publicacoes/anais-comunicacao/textos/34.pdf > Acesso em: 09 de setembro de 2012.

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