terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sociologia: presente em tudo que é humano


O que, no mundo humano, não são relações sociais?

Assim, o difícil, até impossível, não é se identificar o que esteja dentro do campo da Sociologia, mas sim o que não está. É até um desafio interessante e proveitoso. Que leva a uma melhor compreensão do mundo.

Basta um olhar superficial para se verificar que a família, a escola, a faculdade, o trabalho, o lazer e toda construção e atividade humana, propriamente dita, são relações sociais. Assim, vive-se num mundo de paradigmas e instituições.

Aqui, discorrer-se-á sobre a instituição que está mais próxima, simultaneamente, de todos que estão lendo este texto: a universidade semipresencial.

Ela é uma instituição nova. Possível graças à emergência, violenta, vertiginosa, do ciberespaço. Esse, o ciberespaço, é uma revolução na forma de interagir. Quebrou, e continua quebrando, os paradigmas de comunicação e aprendizado. Lévy (1999) discorre magistral e claramente sobre o tema, explicitando; a leitura de seu livro (Cibercultura) é uma necessidade para todos os que passam a, prioritariamente, se instruir no ciberespaço.

Pois bem –– na instituição ambiente virtual de aprendizagem ––, foram, e estão sendo, gestadas novas regras de convivência. As regras de organização dessa instituição  (paradigmas) diferem das da instituição ambiente presencial de aprendizagem.

Para começar –– na prática ––, os ambientes presenciais são marcados, no que se refere ao processo de interação –– tanto discente-discente, discente-docente, docente-docente, servidores-docentes, servidores-discentes e discentes-servidores-docentes ––, por práticas  predominantemente orais.

O mesmo não ocorre no virtual. A marca desse é a escrita. Assim, acaba sendo mais formal, sob um ponto de vista, do que o presencial. A interação é mais focada no conteúdo a ser estudado. Não se pode divagar muito, sem uma relação direta, sobre os assuntos do cotidiano. Isso, é claro, exige maior estudo e concentração.

Aqui, é importante destacar, não se está defendendo esse ou aquele sistema. O objetivo é apenas explicitar que se trata de instituições que, embora almejem o mesmo objetivo e estejam sob a mesma gestão, são, metodológica e estruturalmente, bem distintas. Noutras palavras, são constituídas por diferentes, e até divergentes, paradigmas.

Assim, os paradigmas do semipresencial necessários para o devido aprendizado são mais rígidos.

É preciso ter mais autonomia, pois não é função do docente dizer o que o aluno deve estudar, que material consultar, como estudar e como se organizar. O docente, aqui, não é quem repassa o conhecimento. Mesmo que ele queira fazer isso não conseguirá, pois o próprio sistema não fornece ferramentas apropriadas para esse fim. Até a denominação de orientador é inadequada. Pois, na verdade, o aluno, na maior parte das vezes, se auto-orienta. O termo mais adequado é, como frisado por Levy (1999), facilitador. Não é objetivo aqui discorrer sobre as vantagens e desvantagens sobre esse sistema, mas sim verificar que há gritante e inescusável diferença entre esse paradigma, esse modelo, e o do presencial, centrado na figura quase onipotente (pelo menos nos presenciais da universidade pública) do professor.

Outro ponto é a formalidade. Essa força uma maior responsabilidade. Pode se negar o que se disse e foi percebido apenas por alguns, mas não o que se escreveu e foi lido por todos. A fala perde-se no ar; não permite contínuas reanálises fidedignas. A escrita fica grafada indelevelmente, podendo ser, sucessivas e intermináveis vezes, lida e relida. Isso, é óbvio, confere maior seriedade e confiabilidade ao processo. A humanidade passou por uma reengenharia (utilizando-se de termos da ciência administrativa) quando passou a  registrar, por escrito, seus costumes, suas leis, sua história, sua ciência, a si mesma.


Destaca-se, também, a interatividade. No ambiente virtual –– no ciberespaço ––, a interação é ininterrupta. Não se circunscreve a limitações de tempo ou espaço. Para interagir com o professor ou com os demais colegas de turma, o discente não necessita encontrar-se com eles presencialmente.

A comunicação é, ao mesmo tempo, síncrona e assíncrona. E não é só isso: o assíncrono se transforma em síncrono e o síncrono em assíncrono. Uma postagem no fórum está lá, sempre viva. Isso possibilita que, “online”, textos postados sejam reexaminados, analisados, enriquecidos. O assíncrono se tornou síncrono. E o diálogo ocorrido na sala de bate-papo pode ser visto e revisto diversas vezes; o seu conteúdo não se perde com o tempo, diferentemente do que ocorre com os diálogos falados. O síncrono se tornou assíncrono.
Ademais, não se pode esquecer do hipertexto. Não se dialoga apenas com os que estão no ambiente virtual restrito à universidade. O mundo todo está conectado. Todos podem conversar com todos. E essa conversa é mais do que rica. É permeada de imagens, de sons, de criações virtuais, que simulam a realidade. A imaginação, o pensamento e o sentimento viram um mundo real-virtual.

Se se está estudando sobre motivação, pode-se, no mesmo instante, assistir, numa interação com os demais, um vídeo de Daniel Godri, ler um texto de Augusto Cury, uma análise de Chiavenato, um poema de Carlos Drummond. Tudo isso relacionado ao assunto, enriquecendo o debate. Tudo isso num único, infinito e aberto hipertexto, cujo suporte físico (apropriado para a reprodução de qualquer mídia, em qualquer lugar, a qualquer tempo, de forma extremamente interativa) é a rede mundial de computadores.

Como se vê –– com o exemplo do ambiente virtual de aprendizagem ––, foi possível se verificar o quanto a Sociologia, a análise sociológica, está presente na vida do homem. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

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