terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Patrimonialismo: qual a solução?


O patrimonialismo não foi superado e não será tão breve (alguns acreditam que nunca o será). Isso é um fato inquestionável, é um axioma. O patrimonialismo é uma instituição, no sentido sociológico, que se perpétua no tempo e no espaço -- esteve presente em todos os países e em todas as épocas.

Talvez, a questão mais controversa seja a causa desse triste evento e, consequentemente, a sua solução.

Sobre essa questão, há, basicamente, três pontos de vista.

O primeiro é o que atribui essa chaga à instituição. A corrupção é fruto da podridão estatal, institucional. Para eles, a instituição é um evento autônomo, cuja gênese e manutenção independem da modificação das pessoas que a constituem. Logo, a mudança nos indivíduos não resolveria o problema; é preciso transformar a instituição; a reengenharia teria de se dar de cima para baixo.

Os otimistas que adotam essa opinião acreditam que uma reforma da máquina estatal solucionaria todos os problemas.

Os signatários pessimistas afirmam que não há o que fazer, pois é da natureza do estado corromper a coisa pública.

A segunda acredita que o determinante não são as instituições. Essas são relegadas à condição de consequência. A causa está nos indivíduos. Para eles, a instituição é podre se os indivíduos que a mantêm o forem; será sã, se as pessoas o forem. A estrutura pode ser perfeita; todavia, se os indivíduos por ela responsáveis estiverem marcados pela má-fé, a organização irá, fatalmente, se corromper. Assim, quaisquer esforços positivos de alteração só surtiriam efeito se lograssem êxito na modificação dos indivíduos.

O terceiro é uma união dos dois pontos de vista anteriores. Não há uma separação inexorável ou uma causalidade estanque entre indivíduos e instituição. Na verdade -- embora sejam distintos --, não se relacionam no paradigma da causa-efeito. Há, entre eles, uma relação marcada pela retroalimentação constante. Assim, de nada adianta enlevar esforços de uma lado, caso esses mesmos esforços não sejam dirigidos ao outro.

Bem, é isso. As opiniões que já vi sobre esse assunto se enquadram, em graus diferenciados, numa das três visões aqui expostas. Eu, particularmente, adoto a última.

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