Há alguma outra contribuição da Antropologia para a Administração que não seja acerca do fator humano?
Como já dito e redito, a Antropologia tem, como único objeto, o homem; atualmente, o homem integral, o homem em sua totalidade (ARAÚJO, 20--; GUIMARÃES, 2010; LAPLANTINE, 2003).
Assim – no que se refere ao fator humano –, a Antropologia, sem dúvida, é a ciência que oferece, a qualquer outra que queira – mesmo parcialmente – aprofundar-se em questões humanas, mais recursos, tanto metodológicos como conceituais. O seu principal e mais usual método, que é a pesquisa de campo, centrado na observação participante (GUIMARÃES, 2010; LAPLANTINE, 2003), é o mais adequado para se apreender, na medida do possível, culturas organizacionais. Os conceitos que ela construiu e aperfeiçou, principalmente o de alteridade, são imprescindíveis à eficiente gestão, à efetiva prática administrativa.
É importante, entretanto, destacar, juntamente com Guimarães (2010), que a Administração e a Antropologia são bem distintas. Laplantine (2003) destaca que não cabe ao antropólogo, enquanto antropólogo, atuar sobre a sociedade. Segundo ele, o papel do antropólogo, enquanto antropológo, não é esse. A Antropologia não busca soluções, busca explicações. Fornece ela instrumentos para entender e ler a realidade, mas não os utiliza; e, repita-se, não é papel dela utilizá-los. Destaca, porém, que, como pessoa – visto não se ser apenas antropólogo –, é-se impelido a usar os instrumentos criados pela Antropologia. Nesse momento – porém –, quem está agindo não é o antropólogo, mas sim o cidadão.
Pois bem – nesse ponto –, a Administração é bem diferente da Antropologia. É ela uma ciência eminentemente prática. Tudo que ela produz é no fito de ela mesma utilizar. Assim, utiliza-se ela de conceitos de vários outros campos de conhecimento. Desses campos – no que se refere à questão humana e à questão da cultura organizacional –, a Antropologia é o mais utilizado, tanto (como já destacado) no que se relaciona à questão metodológica quanto no que se refere à questão conceitual.
Em termos práticos, isso fica explícito no que se refere ao diagnóstico e ao prognóstico de cultura organizacional. Esses processos são realizados, em regra, via pesquisa de campo, centrando-se na observação participante, orientando-se pelos conceitos antropológicos de identidade (que existe fundado na alteridade), mitos, ritos, artefatos, valores, incidentes críticos, identificação contrastiva, cultura organizacional, clima organizacional etc.
Portanto, a contribuição da Antropologia para a Administração refere-se exatamente ao fator humano, tanto no que se refere aos métodos quanto as conceitos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARAÚJO, Jaqueline. Antropologia Social e Cultural. [S.l.]: FTC EAD, 20--.
GUIMARAES, Elhidiara Trigueiro. Disciplina Seminário Temático I: Antropologia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário