Eis a missão do Google: organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil. Ela foi feita em 1997 e permanece ainda atual.
Entretanto
–– se obsevarmos um pouco ––, veremos que ela não está completa. Não
retrata, de forma adequada, a atual mentalidade da empresa.
Levy (1999) aborda com maestria esse ponto. Afirma que a Web é o espaço por excelência da interação. É um hipertexto totalizante. É um espaço virtual no qual "todos os textos formam um único hipertexto, uma única camada textual fluida" (LEVY, 1999, p. 107).
É
importante destacar que, para Levy (1999), texto não é apenas o suporte
que contém letras e palavras de uma dada língua. É, na verdade,
qualquer suporte a qualquer tipo de informação. Assim, vídeos, imagens e
sons são, nessa acepção, textos. E, para o mesmo autor, hipertexto é um
texto, em sentido amplo, que possibilita ao usuário interagir, de forma imediata, com outros textos que lhe são afins.
Pois bem –– nesse ponto ––, é fundamental falarmos do motor de busca do Google.
O que possibilita a ocorrência efetiva dessa “camada virtual fluida” ––
que liga, praticamente, quase todos os textos do planeta –– são os
motores de busca. E o Google é, na opinião da crítica especializada e
dos usuários, o que melhor desempenha esse papel.
Antes
de propormos o que deveria ser acrescido à missão do Google, é preciso
definir o que é uma informação. Aqui –– e esse é o conceito de Levy
(1999) ––, será entendida como qualquer manifestação humana. Nós, os
seres humanos, interagimos por meio da informação; por meio dela, é que
estabelecemos laços de amizade, é que constituímos as famílias e a
sociedade. Logo, é forçoso considerar que, ao organizar a informação
mundial e torná-la universalmente acessível e útil, o Google está unindo pessoas, está unindo toda a humanidade.
E
isso não é só especulação ociosa, não é apenas uma bonita falácia.
Fatos concretos, recentemente, vieram ratificar essa verdade. No Oriente
Médio –– onde ainda reina, embora com uma força menor do que a de
alguns anos atrás, o despotismo, a intolerância, arraigado preconceito e
fervoroso ódio ––, vimos que as atrocidade cometidas pelas autoridades
político-religiosas não ficaram escondidas. A população massacrada pôde
expor sua situação para todo o mundo, por meio do Youtube.
Na mesma região, os gritos pungentes e esperançosos das mulheres, que,
lá, são consideradas seres inferiores, podem, hoje, ser ouvidos em todas
as partes do globo. Vemos que praticamente todos (pelo menos os que
têm, embora de forma limitada, acesso à internet) têm voz, embora ainda
não tenham vez; mas esse será o próximo passo. Poderíamos enumerar
diversos outros exemplos dessa união, isso em todos os campos da
atividade humana (educação, lazer, política, entretenimento etc.). Mas
deixaremos esse exercício para a observação de cada um.
Pronto, agora podemos propor nova missão, que é extamente a mesma, só que acrescida de algumas palavras: organizar
a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil,
propiciando assim uma efetiva interação entre as pessoas de todas as
partes do mundo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
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