domingo, 6 de novembro de 2011

Tipos de Conhecimento


Para melhor se compreender o mundo e a si mesmo, é fundamental apreender – mesmo que seja parcialmente – as diferentes formas por meio das quais o homem toma conhecimento do que seja o que ele considera ser a realidade.

Trujillo (1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2000) enfatiza cada conhecimento – popular, científico, teológico e filosófico –, dividindo-os em cinco categorias de elementos: (1)valor, (2) mecanismos de produção, (3) ordenação, (4) verificabilidade e (5) falibilidade.

Esse autor não usa este termo: categorias de elementos. Esse foi colocado aqui para facilitar a compreensão.

Na categoria valor, o conhecimento científico é factual, centrado nos fatos, apenas no que pode ser medido, percebido; já os demais são valorativos, não se centram em objetos concretos e claramente observáveis, não se centram no que é extrínseco ao homem, mais sim ao que é lhe intrínseco – emoções, razão e fé.

Na categoria mecanismos de produção, o conhecimento científico é contingencial, pois a experimentação – por meio de metodologia adequada – é o instrumento da ciência; o popular é reflexivo, pois a experiência é apreendida e interpretada por superficial reflexão; o teológico é inspiracional, pois a origem do seu saber é a revelação das divindades; e o filosófico é racional, visto os enunciados terem de ser – forçosamente – logicamente relacionados.

Na categoria ordenação, o conhecimento popular é assistemático, porque as idéias são formadas por experiências parciais e isoladas, sem que haja um método que almeje reunir o saber produzido num todo articulado; já os demais são sistemáticos, pois o objetivo central é gestar um todo harmônico e coerente.

Na categoria verificabilidade, os conhecimentos científico e popular são verificáveis. Esse através da experiência, por meio de superficial reflexão; aquele, por experimentação, através de rigoroso método científico. Os conhecimentos filosófico e teológico são não-verificáveis, porque suas bases não são passíveis de verificação por meio da observação.     

Na categoria falibilidade, os conhecimentos popular e científico são falíveis, pois a interpretação da observação pode refutá-los. Já o filosófico e o teológico são infalíveis, pois suas bases são axiomas, cuja validade não se presta a qualquer juízo de valor por meio de observação.

Assim, o conhecimento popular seria valorativo, reflexivo, assistemático, verificável e falível; o científico, factual, contingente, sistemático, verificável e falível; o teológico, valorativo, inspiracional, sistemático, não verificável e infalível; e, por fim, o filosófico seria valorativo, racional, sistemático, não verificável e infalível.

Conceituados os tipos de conhecimento, na visão de Trujillo (1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2000), é importante associá-los a situações concretas, cotidianas.

Certa pessoa adoece.

O cientista, baseando-se nos compêndios médicos, diagnosticará a doença, receitando a medicação cientificamente produzida. O seu saber foi construído por meio de rigoroso método científico, baseado em fatos, ordenados num sistema coerente, sempre sujeito à renovação.

A avó dessa pessoa, com base na sua experiência pessoal – e na melhor das intenções e com uma “pitada” de amor –, dirá que foi a “quentura” e receitará aquele chá mágico, infalível. Esse saber vem do senso comum, da observação parcial, de um conhecimento desordenado, historicamente construído e bastante frágil.

O religioso dirá que a pessoa estava fraca, por não ter fé ou por tê-la negligenciado; sendo a doença um aviso de Deus, uma advertência. E essa sua convicção será advinda de um todo sistemático revelado por Deus a um profeta.

O filósofo questionará todas as explicações citadas, analisando os pormenores, buscando ver o todo. A razão será a sua principal medida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia Científica. 3. ed.São Paulo: Atlas, 2000.

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