Para
melhor se compreender o mundo e a si mesmo, é fundamental apreender –
mesmo que seja parcialmente – as diferentes formas por meio das quais o
homem toma conhecimento do que seja o que ele considera ser a realidade.
Trujillo
(1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2000) enfatiza cada conhecimento –
popular, científico, teológico e filosófico –, dividindo-os em cinco
categorias de elementos: (1)valor, (2) mecanismos de produção, (3)
ordenação, (4) verificabilidade e (5) falibilidade.
Esse autor não usa este termo: categorias de elementos. Esse foi colocado aqui para facilitar a compreensão.
Na categoria valor, o conhecimento científico é factual, centrado nos fatos, apenas no que pode ser medido, percebido; já os demais são valorativos,
não se centram em objetos concretos e claramente observáveis, não se
centram no que é extrínseco ao homem, mais sim ao que é lhe intrínseco –
emoções, razão e fé.
Na categoria mecanismos de produção, o conhecimento científico é contingencial, pois a experimentação – por meio de metodologia adequada – é o instrumento da ciência; o popular é reflexivo, pois a experiência é apreendida e interpretada por superficial reflexão; o teológico é inspiracional, pois a origem do seu saber é a revelação das divindades; e o filosófico é racional, visto os enunciados terem de ser – forçosamente – logicamente relacionados.
Na categoria ordenação, o conhecimento popular é assistemático,
porque as idéias são formadas por experiências parciais e isoladas, sem
que haja um método que almeje reunir o saber produzido num todo
articulado; já os demais são sistemáticos, pois o objetivo central é gestar um todo harmônico e coerente.
Na categoria verificabilidade, os conhecimentos científico e popular são verificáveis. Esse através da experiência, por meio de superficial reflexão; aquele, por experimentação, através de rigoroso método científico. Os conhecimentos filosófico e teológico são não-verificáveis, porque suas bases não são passíveis de verificação por meio da observação.
Na categoria falibilidade, os conhecimentos popular e científico são falíveis, pois a interpretação da observação pode refutá-los. Já o filosófico e o teológico são infalíveis, pois suas bases são axiomas, cuja validade não se presta a qualquer juízo de valor por meio de observação.
Assim, o conhecimento popular seria valorativo, reflexivo, assistemático, verificável e falível; o científico, factual, contingente, sistemático, verificável e falível; o teológico, valorativo, inspiracional, sistemático, não verificável e infalível; e, por fim, o filosófico seria valorativo, racional, sistemático, não verificável e infalível.
Conceituados
os tipos de conhecimento, na visão de Trujillo (1974 apud LAKATOS;
MARCONI, 2000), é importante associá-los a situações concretas,
cotidianas.
Certa pessoa adoece.
O cientista, baseando-se nos compêndios médicos, diagnosticará a doença, receitando a medicação cientificamente produzida.
O seu saber foi construído por meio de rigoroso método científico,
baseado em fatos, ordenados num sistema coerente, sempre sujeito à
renovação.
A avó dessa pessoa, com base na sua experiência pessoal
– e na melhor das intenções e com uma “pitada” de amor –, dirá que foi a
“quentura” e receitará aquele chá mágico, infalível. Esse saber vem do senso comum, da observação parcial, de um conhecimento desordenado, historicamente construído e bastante frágil.
O religioso
dirá que a pessoa estava fraca, por não ter fé ou por tê-la
negligenciado; sendo a doença um aviso de Deus, uma advertência. E essa
sua convicção será advinda de um todo sistemático revelado por Deus a um profeta.
O filósofo questionará todas as explicações citadas, analisando os pormenores, buscando ver o todo. A razão será a sua principal medida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia Científica. 3. ed.São Paulo: Atlas, 2000.
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