Trabalho de equipe. Integrantes:
Aline Oliveira Gomes
Cleiton Freitas de Melo
Flavia Ferreira dos Santos
Nortarso Gomes Chaves Mendes
Sabrina Ferreira de Lima
Tarciso Gomes Mendes
A
Teoria da Contingência foi uma resposta a uma demanda da administração
da década de setenta. Antes dela, cada teoria atendeu a uma necessidade
de seu tempo e, de certa forma, explicou e aprofundou uma realidade já
existente.
A Administração Científica focou a função produção,
pois – na época – o importante era produzir, visto haver vastos
mercados. A própria economia, como bem expressa a Lei de Say (SANTOS
FILHO, 2010), considerava que a oferta gera a sua própria demanda. O Estruturalismo debruçou-se sobre a função administrativa, em face do gigantismo das organizações. A Teoria das Relações Humanas e a Comportamental salientaram a área de recursos humanos, considerando-o não apenas um recurso, mas o recurso. A Teoria Sistêmica destacou que as organizações não existem no vácuo, mas sim num complexo mundo, com o qual estão em permanente interação; as organizações são um subsistema, que possui outros subsistemas e está contida noutros. Não se deve estudá-la como se fosse apenas uma de suas partes; deve-se enxergá-la como um todo.
A Teoria da Contingência,
ao contrário das que a precederam, não chegou afirmando que as
conclusões a que as outras chegaram, sobre as áreas que pesquisaram e
teorizaram, estavam erradas. Pelo contrário, afirmou que todas estavam
corretas, mas não eram mutuamente excludentes e não detinham toda a
verdade. São todas complementares, e cada uma contribuiu
significativamente no que se refere ao seu objeto de estudo.
Isso é claro quando se verifica como cada uma encarava o homem. A Administração Científica o considerava como o homem econômico; a Estruturalista, o organizacional; a de Relações Humanas, o social; a Comportamental, o administrativo; e a Sistêmica, o funcional (CHIAVENATO, 2004). Todas analisaram e explicaram uma parte. A Contingencial veio e afirmou que o homem era, na verdade, complexo; quer dizer, que era, ao mesmo tempo, econômico, organizacional, social, administrativo e funcional.
Todavia,
não se restringiu a compilar e a unir, estabelecendo relações –
mostrando como tudo se encaixa –, o que se havia produzido sobre
Administração. Inovou. Fez isso quando afirmou que “tudo depende”.
As organizações, que são sistemas abertos
– idéia essa introduzida pela Teoria Sistêmica –, interagem
constantemente com o meio que as circunda. Do ambiente geral
(macroambiente), extrai-se o ambiente de tarefas,
que é aquele que se relaciona diretamente com a organização, sendo
constituído por fornecedores, clientes, concorrentes e agentes
reguladores (SILVA, 2010). Mas como é essa relação? Foi aqui que a
Teoria Contingencial trouxe sua maior contribuição.
Lawrence
e Lorshc (1973 apud CHIAVENATO, 2004) fizeram uma pesquisa sobre o
ambiente no qual as organizações estão inseridas. Nessa, verificaram que
o determinante do comportamento organizacional é o ambiente externo. A
partir dessa conclusão, deduziram que há duas variáveis centrais que
influenciam as empresas. A primeira é externa e é considerada independente. A segunda é interna, sendo os procedimentos organizacionais e toda a estrutura empresarial, que é considerada dependente. Notaram também que essa relação não é de causa e efeito.
Ou seja, se ocorrer tal evento no ambiente externo, certamente ocorrerá
tal consequência no interno. Essa relação é, na verdade, funcional, no modelo se-então.
Quer dizer, se algo ocorrer na variável independente, deve-se se
adaptar a essa circunstância, sendo que não há, em auxílio a esse
processo de adaptação, uma “receita de bolo”. Cada caso é um caso. Cada
situação é uma situação. Não há uma solução universal e única para problemas similares. Nesse contexto, elaboraram os conceitos de diferenciação, que seria a mudança necessária para se atender às demandas externas, e de integração, que seria a reunião dos esforços organizacionais no sentido de possibilitar essa mudança.
Observa-se
que a Teoria Contingencial não descarta qualquer outra teoria
administrativa. Apenas afirma que não há nenhuma que seja universal, que
atenda a todas as demandas de todas as empresas. Busca especialmente
atentar para o fato de que, a depender do contexto, deve-se aplicar
prioritariamente essa ou aquela teoria.
Com
base nesse raciocínio, Burns e Stalker (1973 apud CHIAVENATO, 2004),
através de pesquisas, notaram que, em ambientes estáveis, modelos mecanicistas (Administração Científica e Estruturalismo) são mais apropriados. Já em ambientes instáveis, modelos orgânicos trazem melhores resultados. Em vista disso, desenvolveram o conceito de imperativo ambiental. Ou seja, o ambiente determina o desenho organizacional, unilateralmente.
Toffler
(1972 apud CHIAVENATO, 2004) leva o modelo organicista ao extremo,
afirmando que, no futuro, será o único existente. Prega ele o inverso da
Burocracia, a Adhocracia, cujos maiores exemplos são os projetos ou forças-tarefa,
que são equipes multifuncionais que se formam apenas para determinadas
tarefas e se dissolvem quando concluídas; a origem dessas equipes
remonta à Segunda Guerra Mundial.
Nos modelos orgânicos, os recursos humanos são bastante valorizados, são considerados o recurso,
sem o qual qualquer outro não tem nenhuma utilidade. São o oxigênio da
empresa. São o sangue que a sustenta e movimenta. São a inteligência que
a controla e melhora, permitindo com que se adapte (ideia
chave da Teoria da Contigência) às sempre renovadas exigências do
mercado. São o agente de todo processo, enquanto os demais recursos são,
forçosamente, pacientes. Ademais, frisa-se que, em virtude da grande
importância conquistada pela criatividade – devido à vertiginosa velocidade das transformações dos diversos mercados, provocada pelas revoluções no campo da telemática –, o reconhecimento dos recursos humanos como sendo o recurso é majoritário. E isso é positivo, pois leva as empresas orgânicas
a investirem pesadamente no setor de RH. Isso fazem, porém, não por
humanidade, mas sim por imposição do atual contexto econômico-social, no
qual a sobrevivência só é possível a custa de constante renovação.
A
Teoria da Contingência, contudo, não se centra apenas na questão
ambiental. Thompson (1967 apud CHIAVENATO, 2004) e Woodward (1965 apud
CHIAVENATO, 2004) ressaltam a importância da tecnologia.
Essa pode ser externa (quando se refere à tecnologia não utilizada e/ou
desenvolvida pela empresa) ou interna (quando se refere à utilizada
e/ou desenvolvida pela organização). Para eles – todavia –, essa
diferenciação era irrelevante. A tecnologia seria, e não o ambiente, a
variável independente, que determinaria todas as demais. Eis o imperativo tecnológico.
Woodward (1965 apud CHIAVENATO, 2004) dividiu as empresas em três tipos. O primeiro são as de produção unitária ou oficina. Nessas, há menos padronização, menos automatização, são produzidas pequenas quantidades, o departamento que predomina é o de engenharia, o de pesquisa; como exemplo, há o setor de construção de navios. O segundo são as de produção em massa ou mecanizada. Nessas, a padronização é máxima, a produção se organiza por linhas de montagem, o foco são grandes quantidades, o setor que se sobressai é o de produção e organizam-se conforme a Teoria Clássica, na sua vertente burocrática. O terceiro é o de produção em processo ou automatizada. Nesse, todo processo é automatizado. A participação humana se restringe à monitoração. O departamento de maior relevância é o de marketing. Como exemplo, citam-se as refinarias.
Thompson
(1967 apud CHIAVENATO, 2004) afirma que, em relação ao processo, a
tecnologia determina três tipos de empresa. O primeiro é o denominado elos em sequência. Nesse, a uma interdependência serial das tarefas,
de forma que a tarefa posterior depende, para se concretizar, da
anterior. Equivale ao que Woodward denominou empresas de produção
unitária ou oficina, e apresenta as mesmas características, sendo que
impera a Administração Científica. O segundo são as empresas mediadoras. A função delas é ligar clientes com clientes. A padronização deve ser máxima. O modelo utilizado predominantemente é o Burocrático. O terceiro são os de produção intensiva. Nesses, o foco é o cliente, para o qual tudo converge. Aqui, aplica-se intensamente a Teoria Contingencial. Caracteriza-se por ininterrupta retroação,
num eterno feedback, no fito de sempre atender às necessidades do
público alvo. Como exemplo, há os hospitais e as empresas de
publicidade.
Posto
isso, observa-se que duas são as questões centrais da Teoria da
Contingência: a ambiental e a tecnológica. Quando se centra na primeira,
que é mais bem apreendida pelo nível estratégico, tende a tornar a organização um ambiente aberto. Quando se centra na segunda, que é mais bem apreendida no nível operacional,
tende a se tornar um ambiente fechado (CHIAVENATO, 2004). Na prática,
verifica-se que, em menor ou maior grau, as organizações são,
atualmente, ambientes abertos e, simultaneamente, fechados, visto serem
sistemas necessariamente em ininterrupta interação com o ambiente de
tarefas e cada vez mais dependentes de tecnologias cada vez mais
mutáveis e avançadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004
SANTOS FILHO, Raul dos. Disciplina Macroeconomia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
SILVA, Joelma Soares da. Disciplina Teoria Geral da Administração. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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