terça-feira, 25 de outubro de 2011

Antropologia, um olhar sobre a diferença

Cada ciência humana é, em última análise, um olhar sobre o homem e sua criação. Cada uma olha-o focando um aspecto. E esse olhar é sempre diferenciado; não apenas pelo método, mas também por imposição do próprio objeto alvo.

No caso da Antropologia, o olhar é viceral-global. Vai ela,  a um só tempo, ao íntimo do homem e a sua mais complexa criação -- a sociedade --, relacionando-os. Esse olhar, porém, não é esparso, fragmentado, exclusivamente cartesiano. É, acima de tudo, integrativo, como afirma Laplantine (2003).

Busca ela ver o global no viceral e o viceral no global. Isso porque ela percebeu que o homem é assim: viceral-global.

Em última análise -- antropologicamente falando --, o homem são relações entre as diferenças.

Costuma-se radicalizar quando se prega uma nova ideia. Costuma-se querer descartar o velho, que passa a ser considerado imprestável, e divinizar o novo, que já nasce considerado perfeito. Todavia -- como já é, pelo menos em teoria, consenso --, todo conhecimento é social,  todo conhecimento novo é, nada mais nada menos, uma ponta do iceberg das construções humanas do passado.

Isso foi dito para se afirmar que a Antropologia, sendo eminentemente humana (e se ufana de ser a mais humana das ciências humanas), não foge a essa regra, que, hoje, é considerada axioma.

E isso ela reconhece.

Laplantine (2003) afirma que a Antropologia tem como princípio metodológico surpreender-se com o que é familiar e tornar familiar o que é estranho. Nesse ponto, verifica-se um ceticismo quase cartesiano.

Mas o novo conhecimento, embora seja todo embasado no velho, não é uma cópia. Traz uma contribuição, um olhar diferenciado, uma nova luz.

E, segundo Laplantine (2003), a grande luz da Antropologia é seu olhar obsessivo e integrador sobre a diferença. E esse respeito à diferença recebe a denominação de alteridade.

Segundo esse autor -- em digressão sobre a evolução do pensamento do homem sobre o homem --, a visão antológica de São Tomaz, a reflexiva de Descartes, a criticista de kant  e a histórica de Hegel sempre buscaram padronizar o homem, buscando intensamente as semelhanças entre as pessoas. Nunca se pensou em pensar cientificamente a diferença.

Essa é a ruptura teórico-prática provocada pela Antropologia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003.

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