A Antropologia se ocupa, nos dias de hoje, exatamente com o estudo das relações entre as diferenças. Assim, não visa ela gestar e/ou apreender um homem uno, mas um particionado.
Não
foca as semelhanças, o que todos os homens têm em comum, como antes foi
feito (e ainda é) pela Filosofia. Como afirma Laplantine (2003) – em
digressão sobre a evolução do pensamento do homem sobre o homem –, a
visão antológica de São Tomaz, a reflexiva de Descartes, a criticista de kant e a histórica de Hegel sempre buscaram padronizar o homem, buscando intensamente as semelhanças entre as pessoas.
Nunca
se pensou em pensar cientificamente a diferença e, o que é mais
importante, as relações entre as diferenças. Noutras palavras, não busca
a Antropologia criar um protótipo de homem, que será, fatalmente –
segundo o pensamento antropológico –, uma visão reducionista da
realidade; foca ela as diferenças (afirma que o que há em comum entre as
pessoas é precisamente o fato de todas serem diferentes, de cada qual
ser singular) que caracterizam as pessoas e, por consequência, as
culturas e sociedades, que são as mais complexas criações do homem.
É
importante destacar, entretanto, que esse estudo ocorre em quatro
níveis de relações, que se diferenciam em seus objetos e em sua
amplitude (GUIMARÃES, 2010). O primeiro é o entre indivíduos. Aqui, o foco é mais restrito e o viés mais psicológico. O segundo é do homem com a sua cultura.
Nesse, há maior amplitude, e o movimento de análise parte do particular
para o geral e do geral para o particular. Além disso, utiliza-se mais
da Etnologia,
na busca do símbolo que permitirá a análise da cultura estudada. É
importante destacar que, em Antropologia, qualquer análise só ocorre nas
relações. O terceiro é o entre culturas.
Aqui, atua diretamente a Antropologia, apropriando-se das informações
fornecidas pela Etnografia e pela Etnologia. Por fim, o quarto é da cultura com o meio ambiente. Nesse, apreende-se as relações existentes entre a cultura e o ambiente no qual ela é gestada e alimentada.
Por qual processo a Antropologia busca apreender as relações existentes entre homem, cultura, ambiente? Por meio do estudo comparativo. Foi esse que permitiu que fosse desenvolvido o conceito de alteridade.
Não se consegue enxergar – com a imparcialidade e completude
necessárias – uma realidade humana, uma sociedade, uma cultura, um modo
de vida, quando se está inserido nele, quando nele se foi gestado e
alimentado. Uma visão a mais próxima possível do real só é possível quando o olhar que é utilizado é externo. É por isso que a Antropologia, como afirma Laplantine (2003), adota como princípio metodológico o surpreender-se com o que é familiar e tornar familiar o que é estranho.
Para isso, é preciso apropriar-se de vários olhares e, feito isso,
utilizá-los. E é isso que faz a Antropologia nas três etapas que
constituem o seu método.
Primeiro,
através, em regra, da pesquisa de campo, debruça-se sobre outra
realidade, colhendo, com a máxima riqueza de detalhes, a cultura do
outro, os fatos brutos, concretos, através dos quais essa de expressa.
Essa fase é chamada de Etnografia.
Depois,
esses dados, numa primeira análise, são interpretados. São, entre eles,
estabelecidas as relações. Nessa etapa, são descobertos os símbolos.
Nessa etapa, apropria-se do olhar do outro. Essa fase é denominada Etnologia.
Por
fim, fechando o processo, de posse desse e de outros olhares,
analisam-se e relacionam-se todas as sociedades objeto-sujeito desse
estudo; noutras palavras, usam-se esses olhares. Aqui, no ápice do processo, tem-se a Antropologia.
Pois bem – como se vê –, a Antropologia consiste exatamente no estudo comparativo entre as relações que são apreendidas e interpretadas, respectivamente, pela Etnografia e pela Etnologia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
GUIMARAES, Elhidiara Trigueiro. Disciplina Seminário Temático I: Antropologia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003.
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