A função financeira, se não fosse objeto manipulado arbitrariamente pelos recursos humanos
– que são a essência de qualquer organização –, seria a mais
importante. Ela é o meio através do qual a empresa gere os seus recursos
materiais.
No passado, a sua amplitude não era tão profunda como na atualidade. Antes, ela se ocupava apenas com os principais fatos da vida financeira, objetivando evitar a falência ou a reestruturação da organização (FAMÁ;SAITO;SABÓIA, 2006).
As
exigências impostas pela integração dos mercados determinada pela
globalização forçaram essa função a influenciar, praticamente, todos os
setores que constituem uma empresa.
Hoje, conceitos como risco e retorno
ganharam imenso destaque. Além disso, não apenas os mais importantes
eventos financeiros internos estão sob a tutela dessa função, mas também
os mais corriqueiros, por meio do controle dos orçamentos dos resultados de caixa.
Mais
complexa, exigiu novos instrumentos teórico-práticos de gestão do
capital financeiro. Daí a importância das políticas de investimento,
financiamento e dividendos (SILVA, 2010).
A de investimentos determina quais bens e serviços serão adquiridos; esses constituirão o ativo.
A de financiamento determina qual será a origem dos recursos que movimentarão a organização; esses constituirão o passivo.
A de dividendos determina a forma pela qual o lucro, após todas as deduções legais e estatutárias, será dividido pelos acionistas.
Além desses novos instrumentos de análise e gestão, novos princípios passaram a orientar a atividade financeira da organização: ética e transparência. Isso foi uma resposta às muitas fraudes financeiras que permearam e permeiam o sistema econômico-financeiro, como é o caso da crise hipotecária norteamericana.
No
que se refere ao futuro, destacam-se duas novas orientações, que,
rapidamente – para as organizações que não desejarem ser forçadas a
fecharem as suas portas –, estão se transformando em imposições.
A primeira é a questão sócio-ambiental.
A organização não é um ambiente hermeticamente fechado ao mundo que a
circunda. Interage constantemente com o meio. Nisso, influencia e é
influenciada, beneficia e é beneficiada, prejudica e é prejudicada.
Assim, não há como organizar-se e planejar-se como se o mundo lá fora
não existisse. Deve, no seu planejamento e na implementação desse,
considerar os elementos do ambiente social e natural.
A segunda é a questão da compreensão e previsibilidade dos agentes financeiros.
Hoje, e mais ainda no futuro, as organizações têm que se antecipar aos
eventos que impactarão no seu destino. Três instrumentos se destacam no
auxílio à função financeira, como agente desse processo. A Teoria Econômica Clássica, a Psicologia Humana e a Neurociência (FAMÁ;SAITO;SABÓIA, 2006).
Por fim – visto o curso tratar-se de administração em gestão pública –, é preciso destacar que a administração pública,
apesar de suas peculiaridades, insere-se nesse contexto. Tem ela que
adotar, adaptando, as diretrizes da função financeira do sistema
privado, sem descuidar do seu objetivo maior (que é propiciar o bem estar de toda a população) e da legalidade, que é o apanágio da democracia e da saudável política.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FAMA, Rubens; SAITO, André Taue; SAVOIA, José Roberto Ferreira. A evolução da função financeira.REGE-USP [online]. 2006, vol.13, n.spe, pp. 31-44. ISSN 1809-2276. Disponível em: http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/rege/v13nspe/v13spea3.pdf. Acesso em 05 out. 2011.
SILVA, Joelma Soares da. Disciplina Teoria Geral da Administração. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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