A
Globalização – seja qual for o nome que se lhe dê (internacionalização
ou mundialização), ou qual a ótica sob a qual é analisada (céticos ou
globalistas) (--, 20--) – é, sem sombra de dúvida, fenômeno social
global que impacta maciçamente em todas as esferas humanas. Não há um
consenso quanto à sua origem. Uns dizem que começou com as Grandes
navegações; outros, com o imperialismo europeu do Século XIX; e outros,
com as revoluções tecnológicas no campo da telemática. Nas duas
primeiras, trata-se mais de uma interação econômica e territorial. Na
última, desaparecem as limitações de tempo e espaço (esses conceitos são
radicalmente modificados); é como se existisse um país global e todos
vivessem numa única casa. A informação, os sentimentos, a cultura, numa
palavra, tudo que é humano trafega livremente sobre todas as partes do
orbe, movido unicamente pela vontade. Isso é mais do que uma ruptura (no
sentido marxista e no sistêmico), é um mecanismo que possibilita
rupturas em cadeia, é o catalisador de rupturas globais.
A
Política, como não podia ser diferente – especialmente devido ao papel
central que desempenha em qualquer sociedade –, foi revolucionada pela
Globalização. Hoje, não mais há como reprimir a informação. E, para
alguns sistemas políticos – baseados na repressão cultural –, isso é um
golpe fatal; que o digam parte das nações do Oriente Médio.
No Brasil, a Globalização lançou, em todos os setores, raízes
profundas e eternas. No campo do trabalho, tornou-o mais dinâmico e
democrático. O maior exemplo é o do seu ex-presidente, que foi
laranjeiro, tintureiro, metalúrgico e não possuía conhecimento formal.
Hoje, vêem-se analfabetos superarem esse estado e se formarem,
engraxates se tornarem advogados, favelados se tornarem doutores (não
com a freqüência desejada, mas pelo menos ocorre). E isso se deve à
reestruturação do conceito de individualismo (--, 20--). O indivíduo não
mais é formado apenas em sua comunidade, mas sim pelo mundo inteiro,
por meio dos sempre melhores recursos de telemática. Todavia, não são só
rosas. Ao mesmo tempo, porém, disseminou o desemprego estrutural,
resultante não de crises nem da redução de investimentos, mas sim da
tecnologia, o que está sendo chamado de “apagão de competências”
(SAMUELSON, 2011).
Lacerda
(20--) destaca o grande espaço ocupado pela disseminação impositiva da
financeirização (e isso foi o que possibilitou a implantação do
famigerado Neoliberalismo) e da reestruturação da produção. Graças aos
avanços telemáticos, transferem-se bilhões com um clique no mouse,
maximizando o capital especulativo. Lacerda (20--) cita estas como sendo
as principais características desse fenômeno: intangibilidade da
riqueza; os haveres financeiros, e não os bens reais, é que medem a
riqueza; o “efeito riqueza” valoriza a fortuna, aumentando-a
ilusoriamente; as crises são marcadas pelo “efeito contágio”; e, como
exemplo, Coutinho & Belluzzo (1998, apud LACERDA, 20--) mostram
que, no início da década de 80, os capitais transacionados eram cerca de
5 trilhões de dólares, já em 1995, eram de 35 trilhões.
No
que se refere à reestruturação da produção, Lacerda (20--) destaca o
grande espaço hoje preenchido pelas empresas de serviços (como exemplo,
há grandes corporações como a Google, a Microsoft e as empresas de
comunicação) e o fato de as fases de produção de um mesmo produto
ocorrerem em diferentes países, por conta da mão de obra, insumos e
incentivos fiscais. Isso força a um desenvolvimento de todos os países,
no fito de não serem excluídos do processo produtivo.
A cultura é outra instituição social que passou e passa por forte
reengenharia. Vê-se, claramente, que, em decorrência da relativa
eliminação do espaço e do tempo, que – de certa forma – limitam as
interações entre as pessoas, todas as culturas estão em toda a parte.
Está sendo gestada uma “cultura global” (GIDDENS, 2005 apud (--), 20--).
E, segundo o mesmo autor, essa “cultura global” se coaduna com a
ocidental, gerando o que está sendo denominado de “imperialismo global”,
no qual “os valores, os estilos e as visões do mundo ocidental são
difundidos de modo tão agressivo que sufocam culturas nacionais
particulares” (GIDDENS, 2005 apud (--), 20--, p. 9) . Como exemplo
positivo, pode-se citar as influências de Madre Tereza de Calcutá, de
João Paulo II e de Chico Xavier, que inspiraram e inspiram pessoas no
mundo inteiro, estimulando comportamentos altruístas. Como exemplo
negativo, tem-se a difusão dos “Skinheads” e dos Neonazistas. Todas as
idéias, sem exceção – visto não poder a sua circulação ser reprimida,
devido aos variados recursos de telemática –, podem se beneficiar da
Globalização.
Por fim, observa-se que a Globalização é um fenômeno que – queira ou
não – permeia e permeará, de forma definitiva, a vida de todas as
pessoas. O homem é um ser cultural, gestado e desenvolvido em meio
social. Sendo a Globalização o maior catalisador das interações sociais,
conclui-se que ela também é a principal mola propulsora do
desenvolvimento humano.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
[--]. A Globalização. [S.l]:[s.n], [20--].
LACERDA, Antônio Correia. Globalização e o Brasil: riscos, oportunidades e desafios. Revista FAAP, São Paulo, [20--]. Disponível em:< http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_01/lacerda.htm>. Acesso em: 23 set. 2011.
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