domingo, 25 de setembro de 2011

Globalização

A Globalização – seja qual for o nome que se lhe dê (internacionalização ou mundialização), ou qual a ótica sob a qual é analisada (céticos ou globalistas) (--, 20--) – é, sem sombra de dúvida, fenômeno social global que impacta maciçamente em todas as esferas humanas. Não há um consenso quanto à sua origem. Uns dizem que começou com as Grandes navegações; outros, com o imperialismo europeu do Século XIX; e outros, com as revoluções tecnológicas no campo da telemática. Nas duas primeiras, trata-se mais de uma interação econômica e territorial. Na última, desaparecem as limitações de tempo e espaço (esses conceitos são radicalmente modificados); é como se existisse um país global e todos vivessem numa única casa. A informação, os sentimentos, a cultura, numa palavra, tudo que é humano trafega livremente sobre todas as partes do orbe, movido unicamente pela vontade. Isso é mais do que uma ruptura (no sentido marxista e no sistêmico), é um mecanismo que possibilita rupturas em cadeia, é o catalisador de rupturas globais.

    A Política, como não podia ser diferente – especialmente devido ao papel central que desempenha em qualquer sociedade –, foi revolucionada pela Globalização. Hoje, não mais há como reprimir a informação. E, para alguns sistemas políticos – baseados na repressão cultural –, isso é um golpe fatal; que o digam parte das nações do Oriente Médio.

   No Brasil, a Globalização lançou, em todos os setores, raízes profundas e eternas. No campo do trabalho, tornou-o mais dinâmico e democrático. O maior exemplo é o do seu ex-presidente, que foi laranjeiro, tintureiro, metalúrgico e não possuía conhecimento formal. Hoje, vêem-se analfabetos superarem esse estado e se formarem, engraxates se tornarem advogados, favelados se tornarem doutores (não com a freqüência desejada, mas pelo menos ocorre). E isso se deve à reestruturação do conceito de individualismo (--, 20--). O indivíduo não mais é formado apenas em sua comunidade, mas sim pelo mundo inteiro, por meio dos sempre melhores recursos de telemática. Todavia, não são só rosas. Ao mesmo tempo, porém, disseminou o desemprego estrutural, resultante não de crises nem da redução de investimentos, mas sim da tecnologia, o que está sendo chamado de “apagão de competências” (SAMUELSON, 2011).

Lacerda (20--) destaca o grande espaço ocupado pela disseminação impositiva da financeirização (e isso foi o que possibilitou a implantação do famigerado Neoliberalismo) e da reestruturação da produção. Graças aos avanços telemáticos, transferem-se bilhões com um clique no mouse, maximizando o capital especulativo. Lacerda (20--) cita estas como sendo as principais características desse fenômeno: intangibilidade da riqueza; os haveres financeiros, e não os bens reais, é que medem a riqueza; o “efeito riqueza” valoriza a fortuna, aumentando-a ilusoriamente; as crises são marcadas pelo “efeito contágio”; e, como exemplo, Coutinho & Belluzzo (1998, apud LACERDA, 20--) mostram que, no início da década de 80, os capitais transacionados eram cerca de 5 trilhões de dólares, já em 1995, eram de 35 trilhões.

No que se refere à reestruturação da produção, Lacerda (20--) destaca o grande espaço hoje preenchido pelas empresas de serviços (como exemplo, há grandes corporações como a Google, a Microsoft e as empresas de comunicação) e o fato de as fases de produção de um mesmo produto ocorrerem em diferentes países, por conta da mão de obra, insumos e incentivos fiscais. Isso força a um desenvolvimento de todos os países, no fito de não serem excluídos do processo produtivo.

   A cultura é outra instituição social que passou e passa por forte reengenharia. Vê-se, claramente, que, em decorrência da relativa eliminação do espaço e do tempo, que – de certa forma – limitam as interações entre as pessoas, todas as culturas estão em toda a parte. Está sendo gestada uma “cultura global” (GIDDENS, 2005 apud (--), 20--). E, segundo o mesmo autor, essa “cultura global” se coaduna com a ocidental, gerando o que está sendo denominado de “imperialismo global”, no qual “os valores, os estilos e as visões do mundo ocidental são difundidos de modo tão agressivo que sufocam culturas nacionais particulares” (GIDDENS, 2005 apud (--), 20--, p. 9) . Como exemplo positivo, pode-se citar as influências de Madre Tereza de Calcutá, de João Paulo II e de Chico Xavier, que inspiraram e inspiram pessoas no mundo inteiro, estimulando comportamentos altruístas. Como exemplo negativo, tem-se a difusão dos “Skinheads” e dos Neonazistas. Todas as idéias, sem exceção – visto não poder a sua circulação ser reprimida, devido aos variados recursos de telemática –, podem se beneficiar da Globalização.

   Por fim, observa-se que a Globalização é um fenômeno que – queira ou não – permeia e permeará, de forma definitiva, a vida de todas as pessoas. O homem é um ser cultural, gestado e desenvolvido em meio social. Sendo a Globalização o maior catalisador das interações sociais, conclui-se que ela também é a principal mola propulsora do desenvolvimento humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
[--]. A Globalização. [S.l]:[s.n], [20--].
LACERDA, Antônio Correia. Globalização e o Brasil: riscos, oportunidades e desafios. Revista FAAP, São Paulo, [20--]. Disponível em:< http://www.faap.br/revista_faap/rel_internacionais/rel_01/lacerda.htm>. Acesso em: 23 set. 2011.

SAMUELSON, Robert J. Desemprego estrutural. Época Negócios, [S.l], 01 jul. 2011.  Disponível em: HTTP://epocanegocios.globo.com/Revista?Common/0,,EMI245877-16649,00-DESEMPREGO+ESTRUTURAL.html. Acesso em: 23 set. 2011.

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