Pesquise
em textos provenientes de pesquisa na Internet ou em livros-texto de
metodologia da pesquisa científica outras definições de pesquisa e
responda: Qual a ideia central que está presente em cada uma das
definições apresentadas? Os autores têm a mesma concepção de pesquisa?
Qual a finalidade de pesquisa? Elabore um texto com aproximadamente duas
páginas digitadas e disponibilize em seu Portfólio.
Não esqueça de fazer as referências das fontes de pesquisa.
Gil
(2007 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010) afirma que pesquisa científica é a
que utiliza método científico buscando produzir novo conhecimento.
Trujillo Ferrari (1983 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010, p. 43) destaca que a
pesquisa deve centrar-se em “questões significativas”. Ander-Egg (1978
apud MARCONI; LAKATOS, 1992, p. 43) tem conceito semelhante ao de Gil,
definindo conhecimento com “fatos ou dados, relações ou leis, em
qualquer campo do conhecimento”. A Wikpédia conceitua pesquisa como “um
processo sistemático de construção do conhecimento que tem como metas
principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum
conhecimento pré-existente”.
Como se vê, duas são as idéias centrais contidas em todas as
definições: (1) utilização de método científico e (2) construção de um
novo e relevante conhecimento. Noutras palavras, são o procedimento de
pesquisa e o objetivo da mesma. Nas pesquisas não científicas, o
procedimento é bem diferente. Quando uma dona de casa vai às compras,
objetiva geralmente realizar uma pesquisa de preços. Para isso, utiliza
um método: anda de loja em loja perguntando, pacientemente, o preço de
cada produto. E tem um claro objetivo: encontrar o produto com a
qualidade desejada e a um menor custo possível. Nesse exemplo, o método
não foi o científico e não se objetivou produzir novo e relevante
conhecimento.
No que se refere ao método científico, Severino (2007 apud OLIVEIRA;
ZANELLA, 2010) afirma que esse é o que diferencia o conhecimento
científico dos demais: filosófico, teológico, popular e artístico.
Oliveira e Zanella (2010), sintetizando as idéias de Trujillo, Cervo e
Bervian, acreditam que há duas características centrais no método
científico: (1) busca sempre a produção de um novo e relevante
conhecimento e (2) são sistemáticos e ordenados. Este trabalho, porém,
não visa a aprofundar o conceito de método. Fez-se um esboço apenas para
que fique clara a importância desse na pesquisa científica.
No que se refere à finalidade da pesquisa, Trujillo (1982 apud
OLIVEIRA; ZANELLA, 2010, p. 45) afirma que a pesquisa “destina-se a
finalidades mais amplas que a simples procura de respostas”. Logo após,
explicita quais seriam essas finalidades, que são duas: (1)
enriquecimento teórico das ciências e (2) valor prático ou pragmático da
realidade. No primeiro caso, a pesquisa seria pura, básica ou teórica. O
foco dessa é a construção intelectual, é a teoria; ou seja, não é a
realidade em si mesma, mas sim o que o homem teorizou sobre ela. Fazendo
um paralelo, arrisca-se afirmar que esse tipo de pesquisa é a que mais
se aproxima da filosofia, visto o objetivo dessa ser, segundo
Ghiraldilli (2006), os mecanismos de apreensão da realidade. No segundo
caso, há a pesquisa aplicada. Oliveira e Zanella (2010, p. 46) destacam
que essa modalidade se debruça sobre “problemas concretos, práticos e
operacionais”. Assim, enquanto uma pesquisa pura se debruçaria sobre o
materialismo histórico, de Marx e Engel, a pesquisa aplicada tomaria
como objeto a realidade concreta ─ as relações sociais, os meios de
produção, os instrumentos de dominação e de poder ─ que inspirou esse
materialismo. Em ambos os casos, haveria rigorosa aplicação do método
científico e a obsessiva busca por um conhecimento novo e relevante.
A finalidade da pesquisa a torna um instrumento inafastável da
prática de qualquer profissional comprometido. “Ao contrário de outrora,
quando o importante era dominar o conhecimento, hoje (...) o importante
é ‘dominar o desconhecimento’” (BEIRÃO, 2008). A expressão “dominar o
desconhecimento” é bastante expressiva. Hoje, os problemas, quase
sempre, são novos, não tendo, portanto, uma resposta pronta. Isso se
deve, em grande parte, ao ciberespaço ─ conjunto interativo formado pela
rede virtual de comunicação, pelas informações que nela circulam e
pelas pessoas que nela interagem ─ e pela cibercultura, que é o
resultado cultural do ciberespaço (LEVY, 1999). Daí a relevância de, já
no curso de graduação, o objetivo primeiro ser a capacitação de
pesquisadores. O discente, seja direcionado à carreira acadêmica, seja
direcionado ao mercado de trabalho, deve saber pesquisar, deve saber
formular um problema, definir o modo de enfrentá-lo, coletar e analisar
dados e, por fim, tirar conclusões. Saber pesquisar não é mais apenas
obrigação de quem almeja ser mestre ou doutor. É também obrigação do
discente que deseje verdadeiramente ser o facilitador da diferença,
criando soluções às cada vez mais inusitadas problemáticas
organizacionais.
Surge, nesse ponto, uma pergunta: como, logo no início da preparação
acadêmica, pode o discente iniciar a sua preparação para a pesquisa
científica? Gil (2007 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010), considerando a
classificação quanto ao procedimento adotado na coleta de dados, divide a
pesquisa em dois grandes grupos: (1) as que se utilizam de fontes de
“papel” e (2) as que se utilizam de fonte de “gente”. Essas se debruçam
sobre a realidade concreta, sobre os fatos no momento em que se
apresentam. Aquelas sobre a teoria construída em cima dessa realidade;
ou seja, sobre documentos e textos. Se se basear em livros ou artigos
científicos, será bibliográfica. Pois bem, esse tipo de pesquisa é o que
─ na fase inicial da pesquisa universitária ─ está mais acessível.
Nela, o estudante pode exercitar todas as etapas de uma pesquisa
científica: (1) pode formular um problema, que seria a hipótese, que
seria posta à prova nas demais fases; (2) deve definir qual método irá
empregar para pesquisar a informação de que necessita na bibliografia ─
normalmente vasta ─ relacionada à hipótese; (3) deve, por meio de
exaustiva e sistemática leitura, coletar dados; (4) logo após, organiza e
articula esses dados por meio de minuciosa análise; e, por fim, (5)
tira as conclusões, que refutarão ou confirmarão a hipótese formulada. E
isso o estudante pode fazer desde o seu primeiro trabalho acadêmico,
necessitando apenas de assistência adequada por parte da instituição e
dos docentes e, é claro, do seu próprio esforço.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BEIRÃO, Paulo Sérgio Lacerda. A importância da iniciação científica para o aluno de graduação. Coordenação de Pesquisa ─ PROPEX/UFCG. Campina Grande, 13 mar. 2011. Disponível em: <http://www.pibic.ufcg.edu.br/apresentacao.html>. Acesso em: 16 mar. 2011.
GHIRALDILLI, Paulo. Filosofia ─ o que é um problema filosófico?, 14 nov. 2006. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=cyF6w0tiXG0>. Acesso em: 15 mar. 2011.
LEVY, Pierre. Introdução: Dilúvios. In: LEVY, Pierre. Cibercultura. 1ª ed. São Paulo: Editora 34, 1999, p. 11-18.
OLIVERIA, Joana D’Arc; ZANELLA, Liane Carly Hermes. Disciplina Metodologia de Estudo e de Pesquisa em Administração. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
PESQUISA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisa>. Acesso em: 16 abril 2011.
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