domingo, 25 de setembro de 2011

Finalidade da Pesquisa

Pesquise em textos provenientes de pesquisa na Internet ou em livros-texto de metodologia da pesquisa científica outras definições de pesquisa e responda: Qual a ideia central que está presente em cada uma das definições apresentadas? Os autores têm a mesma concepção de pesquisa? Qual a finalidade de pesquisa? Elabore um texto com aproximadamente duas páginas digitadas e disponibilize em seu Portfólio.
Não esqueça de fazer as referências das fontes de pesquisa.

    Gil (2007 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010) afirma que pesquisa científica é a que utiliza método científico buscando produzir novo conhecimento. Trujillo Ferrari (1983 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010, p. 43) destaca que a pesquisa deve centrar-se em “questões significativas”. Ander-Egg (1978 apud MARCONI; LAKATOS, 1992, p. 43) tem conceito semelhante ao de Gil, definindo conhecimento com “fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”. A Wikpédia conceitua pesquisa como “um processo sistemático de construção do conhecimento que tem como metas principais gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento pré-existente”.

   Como se vê, duas são as idéias centrais contidas em todas as definições: (1) utilização de método científico e (2) construção de um novo e relevante conhecimento. Noutras palavras, são o procedimento de pesquisa e o objetivo da mesma. Nas pesquisas não científicas, o procedimento é bem diferente. Quando uma dona de casa vai às compras, objetiva geralmente realizar uma pesquisa de preços. Para isso, utiliza um método: anda de loja em loja perguntando, pacientemente, o preço de cada produto. E tem um claro objetivo: encontrar o produto com a qualidade desejada e a um menor custo possível. Nesse exemplo, o método não foi o científico e não se objetivou produzir novo e relevante conhecimento.

   No que se refere ao método científico, Severino (2007 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010) afirma que esse é o que diferencia o conhecimento científico dos demais: filosófico, teológico, popular e artístico. Oliveira e Zanella (2010), sintetizando as idéias de Trujillo, Cervo e Bervian, acreditam que há duas características centrais no método científico: (1) busca sempre a produção de um novo e relevante conhecimento e (2) são sistemáticos e ordenados. Este trabalho, porém, não visa a aprofundar o conceito de método. Fez-se um esboço apenas para que fique clara a importância desse na pesquisa científica.

   No que se refere à finalidade da pesquisa, Trujillo (1982 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010, p. 45) afirma que a pesquisa “destina-se a finalidades mais amplas que a simples procura de respostas”. Logo após, explicita quais seriam essas finalidades, que são duas: (1) enriquecimento teórico das ciências e (2) valor prático ou pragmático da realidade. No primeiro caso, a pesquisa seria pura, básica ou teórica. O foco dessa é a construção intelectual, é a teoria; ou seja, não é a realidade em si mesma, mas sim o que o homem teorizou sobre ela. Fazendo um paralelo, arrisca-se afirmar que esse tipo de pesquisa é a que mais se aproxima da filosofia, visto o objetivo dessa ser, segundo Ghiraldilli (2006), os mecanismos de apreensão da realidade. No segundo caso, há a pesquisa aplicada. Oliveira e Zanella (2010, p. 46) destacam que essa modalidade se debruça sobre “problemas concretos, práticos e operacionais”. Assim, enquanto uma pesquisa pura se debruçaria sobre o materialismo histórico, de Marx e Engel, a pesquisa aplicada tomaria como objeto a realidade concreta ─ as relações sociais, os meios de produção, os instrumentos de dominação e de poder ─ que inspirou esse materialismo. Em ambos os casos, haveria rigorosa aplicação do método científico e a obsessiva busca por um conhecimento novo e relevante.

   A finalidade da pesquisa a torna um instrumento inafastável da prática de qualquer profissional comprometido. “Ao contrário de outrora, quando o importante era dominar o conhecimento, hoje (...) o importante é ‘dominar o desconhecimento’” (BEIRÃO, 2008). A expressão “dominar o desconhecimento” é bastante expressiva. Hoje, os problemas, quase sempre, são novos, não tendo, portanto, uma resposta pronta. Isso se deve, em grande parte, ao ciberespaço ─ conjunto interativo formado pela rede virtual de comunicação, pelas informações que nela circulam e pelas pessoas que nela interagem ─ e pela cibercultura, que é o resultado cultural do ciberespaço (LEVY, 1999). Daí a relevância de, já no curso de graduação, o objetivo primeiro ser a capacitação de pesquisadores. O discente, seja direcionado à carreira acadêmica, seja direcionado ao mercado de trabalho, deve saber pesquisar, deve saber formular um problema, definir o modo de enfrentá-lo, coletar e analisar dados e, por fim, tirar conclusões. Saber pesquisar não é mais apenas obrigação de quem almeja ser mestre ou doutor. É também obrigação do discente que deseje verdadeiramente ser o facilitador da diferença, criando soluções às cada vez mais inusitadas problemáticas organizacionais.

   Surge, nesse ponto, uma pergunta: como, logo no início da preparação acadêmica, pode o discente iniciar a sua preparação para a pesquisa científica? Gil (2007 apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010), considerando a classificação quanto ao procedimento adotado na coleta de dados, divide a pesquisa em dois grandes grupos: (1) as que se utilizam de fontes de “papel” e (2) as que se utilizam de fonte de “gente”. Essas se debruçam sobre a realidade concreta, sobre os fatos no momento em que se apresentam. Aquelas sobre a teoria construída em cima dessa realidade; ou seja, sobre documentos e textos. Se se basear em livros ou artigos científicos, será bibliográfica. Pois bem, esse tipo de pesquisa é o que ─ na fase inicial da pesquisa universitária ─ está mais acessível. Nela, o estudante pode exercitar todas as etapas de uma pesquisa científica: (1) pode formular um problema, que seria a hipótese, que seria posta à prova nas demais fases; (2) deve definir qual método irá empregar para pesquisar a informação de que necessita na bibliografia ─ normalmente vasta ─ relacionada à hipótese; (3) deve, por meio de exaustiva e sistemática leitura, coletar dados; (4) logo após, organiza e articula esses dados por meio de minuciosa análise; e, por fim, (5) tira as conclusões, que refutarão ou confirmarão a hipótese formulada. E isso o estudante pode fazer desde o seu primeiro trabalho acadêmico, necessitando apenas de assistência adequada por parte da instituição e dos docentes e, é claro, do seu próprio esforço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BEIRÃO, Paulo Sérgio Lacerda. A importância da iniciação científica para o aluno de graduação. Coordenação de Pesquisa ─ PROPEX/UFCG. Campina Grande, 13 mar. 2011. Disponível em: <http://www.pibic.ufcg.edu.br/apresentacao.html>. Acesso em: 16 mar. 2011.
GHIRALDILLI, Paulo. Filosofia ─ o que é um problema filosófico?, 14 nov. 2006. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=cyF6w0tiXG0>. Acesso em: 15 mar. 2011.
LEVY, Pierre. Introdução: Dilúvios. In: LEVY, Pierre. Cibercultura. 1ª ed. São Paulo: Editora 34, 1999, p. 11-18.
OLIVERIA, Joana D’Arc; ZANELLA, Liane Carly Hermes. Disciplina Metodologia de Estudo e de Pesquisa em Administração. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
PESQUISA. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesquisa>. Acesso em: 16 abril 2011.

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