Em
virtude das orientações da Lúcia, tive de refazer a postagem. Agradeço
os comentários do Jonas, que me ajudaram a melhor fundamentar a parte
final da postagem. Desculpem o tamanho da postagem, mas não poderia ser
diferente, visto a necessidade de ─ ao mesmo tempo ─ resumir o estudo de
caso e associá-lo aos conceitos expostos na aula, nos textos de apoio,
nos sites da internet e nos livros pesquisados.
O
estudo de caso escolhido foi: A Administração Clássica num ambiente de
Call Center. Esse estudo é bastante interessante. O fato de ser um dos
mais atuais tipos de empresas e, ao mesmo tempo, utilizar-se de um tipo
de administração considerada arcaica ─ a Administração Clássica (Taylor,
Fayol e Weber) ─, por si só, já salta aos olhos.
As
empresas de Call Center são as que se especializam em atendimento ao
cliente por telefone. Normalmente, dedicam-se à venda e a soluções em
assuntos técnicos e comerciais (HENRIQUE et al, 2008). Suas receitas vêm
de contratos com outras empresas que verificaram que sairia bastante
caro realizar essas atividades por conta própria (RAMIRO, 2006 apud
HENRIQUE et al, 2008).
A
pesquisa em questão, quanto à sua natureza, é aplicada, visto ter se
debruçado, de forma direta, sobre a realidade, não se restringindo à
pesquisa de fonte de “papel”, que, de uma forma ou de outra, seja na
escolha do referencial teórico (bibliográfica) ou na própria coleta de
dados (documental), está presente em todas as pesquisas (GIL, 2007 apud
OLIVEIRA; ZANELLA, 2010).
Quanto
à abordagem, é qualitativa. E isso se deve à imposição da natureza do
objeto de pesquisa. Esse é o ambiente do Call Center; sendo a pesquisa
realizada no ambiente de trabalho, em tempo real. Além disso, foca as
relações de trabalho, entre as pessoas e o processo, o que, segundo
Bogdan (1987, apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010) e Godoy (1995a, 1995b), são
características marcantes da pesquisa qualitativa.
Quanto
ao objeto, é descritiva. Bogdan (1987, apud OLIVEIRA; ZANELLA, 2010) e
Godoy (1995a, 1995b) destacam que essa pesquisa é eminentemente
descritiva. O objetivo primeiro dela é a descrição de uma dada
realidade. E essa característica permeia qualquer tipo de pesquisa
qualitativa. Podem começar exploratórias ou terminar explicativas, mas
passará fatalmente pela fase descritiva. Isso é realçado pelos dois
principais métodos utilizados numa pesquisa: a observação e a entrevista
(GODOY, 1995a).
Quanto
ao procedimento de coleta de dados, é predominantemente de fonte de
“gente”, na modalidade estudo de caso ─ classificação essa adotada por
Gil (2007 apud OLIVERIA; ZANELLA, 2010). O que fica bem claro quando se
considera o método empregado. Esse se baseou em três pilares: observação
direta, na qual os funcionários foram observados no momento da execução
de suas atividades; entrevistas, que visavam perceber a visão que esses
têm da empresa ─ na terminologia de Guimarães (2010), as metáforas; e a
consulta ao material institucional. Os dois primeiros procedimentos são
próprios do estudo de caso. Incidem eles sobre realidades nas quais o
controle é extremamente difícil; buscam esgotar a realidade ─ que é
denominada unidade ─ com a máxima profundidade; o fato é contemporâneo;
visam enxergar a realidade na visão do participante; o método é indutivo
─ generalizam-se as conclusões; e, por fim, objetivam o como o porquê
(GODOY, 1995b). Utilizando os conceitos de Gil (2007, OLIVEIRA; ZANELLA,
2010), pode-se afirmar que é estudo de caso porque há pouca amplitude
(a realidade é apenas uma empresa Call Center) e muita profundidade,
pelos motivos já expostos no período anterior. E quanto à pesquisa
documental, em que se recorreu ao material institucional, no fito de se
apreender a cultura formal da instituição e os instrumentos de
implementação dessa? O estudo de caso busca estudar em profundidade a
unidade escolhida. E, para isso, irá utilizar-se de todos os
instrumentos que estiverem ao seu alcance, o que, nesse caso, exigiu o
uso de métodos qualitativos e quantitativos, simultaneamente. O
importante é descobrir algo novo e relevante, que seja uma contribuição à
ciência e à humanidade (GODOY, 1995a). Outro exemplo claro dessa
prática é o estudo de caso realizado por Moura (2008) sobre consultoria
interna em órgãos públicos, no qual se utiliza de questionário fechado
(instrumento quantitativo) e entrevista (instrumento qualitativo). Como
se vê, isso enriquece a pesquisa, dando maior segurança aos resultados
obtidos.
O
referencial teórico ─ a Teoria Clássica ─ não é centrada nas pessoas,
mas sim na empresa e no processo. O foco é interno. Acredita-se, nessa,
que, se se produzir da melhor maneira, da forma mais eficiente possível,
os rendimentos de trabalhadores e empresários serão maximizados (AMARU,
2005 apud HENRIQUE et al, 2008). A motivação é financeira. O gestor é
um gerente de processos. E esse processo é rígido, padronizado, militar
(MORGAN, 2002 apud HENRIQUE et al, 2008). A título de exemplo, no caso
em questão, todos devem se pautar por um livro digital, que ─ naquele
ambiente ─ equipara-se à Bíblia.
Os
resultados, porém, são espantosos. Em oito anos de funcionamento,
começando do nada, a empresa alcançou, no último ano, um faturamento de
800 milhões de reais. Pode-se, nesse caso, afirmar que, assim como
existe a teoria da liderança contingencial ─ na qual os diferentes
estilos de liderança (autoritário, democrático e liberal) não têm valor
em si mesmos, mas sim definidos pela circunstância (GUIMARÃES, 2010) ─,
haveria também uma teoria da administração contingencial, na qual o ramo
empresarial e o ambiente no qual está inserido definiriam qual teoria,
ou combinação de teorias, seria a mais adequada, numa relação funcional
entre as variáveis independentes ─ ambiente ─ e as dependentes ─
técnicas administrativas e as características organizacionais
(CHIAVENATO, 2004). E é isso que ocorre na prática. Empresas como o
Google, cujo principal capital é a criatividade e a inovação, tendem a
valorizar devidamente o corpo funcional, investindo pesado na qualidade
de vida desse. Já empresas que não necessitam muito de criatividade,
tendem a valorizar o processo, a padronização, a rigidez; tanto é que
seus investimentos maciços concentram-se na aquisição de maquinário cada
vez mais eficiente.
Os
trabalhos mecânicos, porém, estão cada vez mais sendo absorvidos por
aquilo que tem natural vocação para executá-los: a máquina. Logo, o
trabalho maquinal executado por humanos está com os dias contados.
Quando isso ocorrer, modelos que enxerguem humanos como humanos ─ e não
como objetos ─, voltados para humanos, serão os únicos adequados à
administração de humanos ─ a repetição foi necessária. Quando isso
ocorrer, diminuirão as doenças psicossomáticas e o sofrimento no
trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CHIAVENATO, Idalberto. Teoria da Contingência. In: CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. Cap. 18.
GODOY, Arilda Schimid. Introdução à Pesquisa Qualitativa e suas Possibilidades.
RAE: Revista de Administração de Empresas. São Paulo, v.35, n° 2,
abr/jun, 1995. Disponível em:<
http://www16.fgv.br/rae/rae/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=488&Secao=ARTIGOS&Volume=35&Numero=2&Ano=1995>
. Acesso em: 21 abr 2011.
GODOY, Arilda Schimid. Pesquisa Qualitativa: Tipos Fundamentais. RAE: Revista de Administração de Empresas. São Paulo, v.35, n° 3, jul/set, 1995. Disponível em: . Acesso em: 21 abr 2011.
GUIMARAES, Elidihara Trigueiro. Disciplina Filosofia e Ética. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
HENRRIQUE, Marcel Luiz et al. Estudo de Caso: A Administração Clássica em um ambiente de Call Center.
Disponível em: <
http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2008/anais/arquivosINIC/INIC0720_01_A.pdf
> . Acesso em: 19 abr 2011.
MOURA, Ana Lúcia Neves. Analisando
a Atividade de Consultoria Interna em Órgãos Públicos: O Impacto no
Desenvolvimento do Servidor e os Benefícios para o Setor Público. In: Encontro Anual da ANPAD, 32, 2008. Rio de Janeiro: Associação Nacional dos Cursos de Pós-Graduação em Administração. 2008.
OLIVEIRA, Joana D’Arc de; ZANELLA, Liane Carly Hermes. Disciplina Metodologia de Estudo e de Pesquisa em Administração. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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