domingo, 25 de setembro de 2011

CONSIDERAÇÕES SOBRE A POLÍTICA CAMBIAL

1.  Analise a seguinte frase de um jornal: “O governo intervém no cambio para conter a especulação com dólar”. Que fez o governo vendeu ou comprou dólar. Justifique.

   A especulação não é resultado da permanência do dólar em alta ou baixa. Decorre da oscilação do seu valor. Suponha-se que, no Brasil – que utiliza o câmbio incerto ou direto –, a taxa de câmbio nominal seja de 5.

Um especulador – observando essa atrativa taxa e tendo 10 milhões de dólares – resolve comprar 50 milhões de reais, apostando em ganhar com a baixa taxa de câmbio. Alguns meses depois – devido a uma guinada na política cambial –, a taxa de câmbio cai para 2. O especulador, então, pega os 50 milhões de reais e compra 25 milhões de dólares. Assim, especulando, ganhou 15 milhões. Não produziu, não gerou emprego ou renda, não ganhou na loto, mas obteve 15 milhões.  

Observa-se que, se a taxa permanecesse em 5, o especulador nada ganharia. Se essa mesma taxa fosse 2 e assim também permanecesse, não havia que ser falar em especulação.

Todavia, essa é uma situação hipotética. O que define – em última análise – a taxa de câmbio é a oferta de demanda de divisas e de moeda nacional. E essas variáveis são extremamente dinâmicas.

O Governo, para evitar essa nociva especulação, é obrigado a intervir no mercado cambial, controlando a oferta e a demanda de divisas e de moeda nacional. Assim, de hora em hora, verifica qual a taxa de câmbio efetiva. Se a taxa estiver acima do patamar desejado – com as divisas mais valorizadas –, o Estado vende divisas, no fito de aumentar a oferta delas e, assim, desvalorizá-las até o nível desejado. Se a taxa de câmbio estiver abaixo do valor desejado – com as divisas desvalorizadas –, o Governo compra divisas, no fito de diminuir a oferta delas e, assim, valorizá-las.

Como se vê, conforme o caso, o Estado, para conter a especulação, irá comprar ou vender divisas.

2.  Se a taxa de câmbio se apreciar, ocorrerá aumento das importações frente as exportações de bens de um determinado país. Verdadeiro ou falso? Justifique.

   Se se considerar o Brasil, a afirmação está falsa. Há dois tipos de câmbio nominal: o incerto ou direto, o certo ou indireto. No Brasil, adota-se o primeiro. Nesse, a taxa de câmbio nominal (e) equivale à quantidade de moeda nacional necessária para se comprar uma divisa (moeda estrangeira). Assim, quanto maior a taxa de câmbio nominal, menor será o valor da moeda nacional. Por conseqüência, mais baratos serão, no mercado externo, os produtos nacionais. Sendo mais baratos, maior será a demanda internacional pelos mesmos. Ou seja, aumentarão as exportações.

   Quanto às importações, ocorrerá o contrário: diminuição. Isso porque, com o aumento da taxa de câmbio, as divisas ficarão mais caras frente à moeda nacional. Assim, os produtos importados, cujo valor é mensurado em divisas, também ficarão mais caros.

3.  No Brasil, em dado momento a taxa de câmbio nominal está cotada em R$ 1,70/US$. Caso o índice de preços no mesmo momento, seja 1,02 no Brasil e 1,04 nos EUA, qual será o valor da taxa de câmbio real?

    Será utilizada a fórmula θ=e.P*/P, na qual “θ” é a taxa de câmbio real, “e” é a taxa de câmbio nominal, “P*” é o nível de preços estrangeiros e “P” é de preços nacional. Logo,
θ=1,7.1,04/1,02
θ=1,73
4.  Compare e explique sobre os sistemas de  taxas de câmbio fixas e flexíveis, quanto as vantagens e/ou desvantagens no que diz respeito  à política monetária e as reservas cambiais.

   O sistema de câmbio flexível puro é o em que as taxas de câmbio são livremente definidas pelo mercado, por meio das transações ocasionadas pela oferta e demanda de divisas; sem que haja uma ação estatal.

   O sistema de câmbio fixo é o contrário. A ação estatal é máxima. Por meio de mecanismos diversos (compra e venda de divisas, emissão de papel moeda, aumento ou diminuição da taxa de juros etc.) o governo mantém uma taxa de câmbio nominal fixa, controlando o mercado de oferta e demanda de divisas.

   As reservas cambiais são divisas que os Estados (por meio dos BCs) mantêm no fito de – dentre outros – controlar a oferta e a demanda de divisas. Assim, quando quer aumentar a oferta – no caso brasileiro, diminuir a taxa de câmbio –, vende divisas; quando que diminuir a oferta – no mesmo caso, aumentar a mesma taxa –, compra divisas.

   O Estado também pode controlar a taxa de câmbio nominal por meio da política monetária. Essa taxa é a relação entre as divisas e a moeda nacional. As políticas cambiais atuam sobre as divisas, aumentando ou diminuindo a sua oferta. Já a monetária incide sobre a oferta e a demanda de moeda nacional. Assim – caso o governo brasileiro deseje diminuir a taxa de câmbio –, basta diminuir a oferta de moeda nacional (seja vendendo títulos, aumentando o compulsório ou aumentando a taxa de redesconto); caso deseje  aumentar a referida taxa, basta aumentar a oferta de moeda nacional (seja comprando títulos, diminuindo o compulsório ou diminuindo a taxa de redesconto)

   Quanto à vantagem ou à desvantagem desses mecanismos de política cambial e política monetária, é preciso observar a necessidade da economia nacional. Uma taxa de câmbio (e) alta favorece as exportações, impactando positivamente nas exportações líquidas (EL) e, consequentemente, na demanda agregada. E isso é uma vantagem. Todavia, uma “e” excessivamente elevada: dificulta a entrada de produtos estrangeiros, que ajudam – pela competição – a dinamizar o mercado nacional, favorecendo a inovação tecnológica; atrai excessivo capital especulativo, volátil; diminui os investimentos, pois mais vale especular em divisas; dificulta o controle da inflação, pois a entrada de produtos estrangeiros é um dos principais instrumentos nesse processo.

   Logo, o ideal é o equilíbrio, é almejar uma taxa cambial que atenda às reais necessidades do país, embora isso só seja conseguido parcialmente e em alguns intervalos de tempo.

5.  Quando um país possui um déficit da balança comercial, podemos afirmar que o saldo em transações correntes também é deficitário? Justifique.

   Não. As transações correntes são compostas por três contas: balança comercial, balança de rendas e serviços e transferências unilaterais (donativos). Assim, o déficit da balança comercial (o que equivale a dizer que as exportações líquidas (EL) estão negativas) pode ser coberto por saldo positivo nas outras duas contas.

6.  Suponha os seguintes dados sobre o Balanço de Pagamentos de uma determinada economia em um certo momento:
Saldo em Transações Correntes – deficitário em 100
Saldo da Balança de Serviços – superavitário em 200
Saldo das Transferências Unilaterais – deficitário em 100
Saldo da conta Capital e Financeira – superavitário em 100
Usando os dados acima e considerando Erros e Omissões igual a zero, responda os itens abaixo:  
a.  O saldo do Balanço de Pagamentos é nulo (zero)? Justifique.
   Correto. Pois o saldo de BP é igual à soma entre o saldo das Transações Correntes (que é -100) e o saldo da conta Capital e Financeira (que é +100)

b.  O saldo da Balança Comercial é deficitária? Justifique.
   Sim. E esse déficit é de -200. O saldo das transações correntes é dado pela equação: TC=BC+BS+TU, onde TC são transações correntes, BC equivale à balança comercial e TU, às transferências unilaterais. Logo:
-100=BC+200-100
-BC=300-100
-BC=200
BC=-200

c.  Quando um país apresenta um déficit em Transações Correntes, como pode
financiá-lo? Explique.
   Através de financiamento externo. E isso se dá por meio de operações em mercado aberto, através da oferta de títulos públicos à comunidade internacional. Essas operações têm por objetivo aumentar a quantidade de divisas no mercado nacional, pois essa fora diminuída em virtude do déficit nas transações correntes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário