1.
Analise a seguinte frase de um jornal: “O governo intervém no cambio
para conter a especulação com dólar”. Que fez o governo vendeu ou
comprou dólar. Justifique.
A especulação não é resultado da permanência do dólar em alta ou
baixa. Decorre da oscilação do seu valor. Suponha-se que, no Brasil –
que utiliza o câmbio incerto ou direto –, a taxa de câmbio nominal seja
de 5.
Um
especulador – observando essa atrativa taxa e tendo 10 milhões de
dólares – resolve comprar 50 milhões de reais, apostando em ganhar com a
baixa taxa de câmbio. Alguns meses depois – devido a uma guinada na
política cambial –, a taxa de câmbio cai para 2. O especulador, então,
pega os 50 milhões de reais e compra 25 milhões de dólares. Assim,
especulando, ganhou 15 milhões. Não produziu, não gerou emprego ou
renda, não ganhou na loto, mas obteve 15 milhões.
Observa-se
que, se a taxa permanecesse em 5, o especulador nada ganharia. Se essa
mesma taxa fosse 2 e assim também permanecesse, não havia que ser falar
em especulação.
Todavia,
essa é uma situação hipotética. O que define – em última análise – a
taxa de câmbio é a oferta de demanda de divisas e de moeda nacional. E
essas variáveis são extremamente dinâmicas.
O
Governo, para evitar essa nociva especulação, é obrigado a intervir no
mercado cambial, controlando a oferta e a demanda de divisas e de moeda
nacional. Assim, de hora em hora, verifica qual a taxa de câmbio
efetiva. Se a taxa estiver acima do patamar desejado – com as divisas
mais valorizadas –, o Estado vende divisas, no fito de aumentar a oferta
delas e, assim, desvalorizá-las até o nível desejado. Se a taxa de
câmbio estiver abaixo do valor desejado – com as divisas desvalorizadas
–, o Governo compra divisas, no fito de diminuir a oferta delas e,
assim, valorizá-las.
Como se vê, conforme o caso, o Estado, para conter a especulação, irá comprar ou vender divisas.
2.
Se a taxa de câmbio se apreciar, ocorrerá aumento das importações
frente as exportações de bens de um determinado país. Verdadeiro ou
falso? Justifique.
Se se considerar o Brasil, a afirmação está falsa. Há dois tipos de
câmbio nominal: o incerto ou direto, o certo ou indireto. No Brasil,
adota-se o primeiro. Nesse, a taxa de câmbio nominal (e) equivale à
quantidade de moeda nacional necessária para se comprar uma divisa
(moeda estrangeira). Assim, quanto maior a taxa de câmbio nominal, menor
será o valor da moeda nacional. Por conseqüência, mais baratos serão,
no mercado externo, os produtos nacionais. Sendo mais baratos, maior
será a demanda internacional pelos mesmos. Ou seja, aumentarão as exportações.
Quanto às importações, ocorrerá o contrário: diminuição. Isso
porque, com o aumento da taxa de câmbio, as divisas ficarão mais caras
frente à moeda nacional. Assim, os produtos importados, cujo valor é
mensurado em divisas, também ficarão mais caros.
3.
No Brasil, em dado momento a taxa de câmbio nominal está cotada em R$
1,70/US$. Caso o índice de preços no mesmo momento, seja 1,02 no Brasil e
1,04 nos EUA, qual será o valor da taxa de câmbio real?
Será
utilizada a fórmula θ=e.P*/P, na qual “θ” é a taxa de câmbio real, “e” é
a taxa de câmbio nominal, “P*” é o nível de preços estrangeiros e “P” é
de preços nacional. Logo,
θ=1,7.1,04/1,02
θ=1,73
4.
Compare e explique sobre os sistemas de taxas de câmbio fixas e
flexíveis, quanto as vantagens e/ou desvantagens no que diz respeito à
política monetária e as reservas cambiais.
O sistema de câmbio flexível puro é o em que as taxas de câmbio são
livremente definidas pelo mercado, por meio das transações ocasionadas
pela oferta e demanda de divisas; sem que haja uma ação estatal.
O sistema de câmbio fixo é o contrário. A ação estatal é máxima. Por
meio de mecanismos diversos (compra e venda de divisas, emissão de
papel moeda, aumento ou diminuição da taxa de juros etc.) o governo
mantém uma taxa de câmbio nominal fixa, controlando o mercado de oferta e
demanda de divisas.
As reservas cambiais são divisas que os Estados (por meio dos BCs)
mantêm no fito de – dentre outros – controlar a oferta e a demanda de
divisas. Assim, quando quer aumentar a oferta – no caso brasileiro,
diminuir a taxa de câmbio –, vende divisas; quando que diminuir a oferta
– no mesmo caso, aumentar a mesma taxa –, compra divisas.
O Estado também pode controlar a taxa de câmbio nominal por meio da
política monetária. Essa taxa é a relação entre as divisas e a moeda
nacional. As políticas cambiais atuam sobre as divisas, aumentando ou
diminuindo a sua oferta. Já a monetária incide sobre a oferta e a
demanda de moeda nacional. Assim – caso o governo brasileiro deseje
diminuir a taxa de câmbio –, basta diminuir a oferta de moeda nacional
(seja vendendo títulos, aumentando o compulsório ou aumentando a taxa de
redesconto); caso deseje aumentar a referida taxa, basta aumentar a
oferta de moeda nacional (seja comprando títulos, diminuindo o
compulsório ou diminuindo a taxa de redesconto)
Quanto à vantagem ou à desvantagem desses mecanismos de política
cambial e política monetária, é preciso observar a necessidade da
economia nacional. Uma taxa de câmbio (e) alta favorece as exportações,
impactando positivamente nas exportações líquidas (EL) e,
consequentemente, na demanda agregada. E isso é uma vantagem. Todavia,
uma “e” excessivamente elevada: dificulta a entrada de produtos
estrangeiros, que ajudam – pela competição – a dinamizar o mercado
nacional, favorecendo a inovação tecnológica; atrai excessivo capital
especulativo, volátil; diminui os investimentos, pois mais vale
especular em divisas; dificulta o controle da inflação, pois a entrada
de produtos estrangeiros é um dos principais instrumentos nesse
processo.
Logo, o ideal é o equilíbrio, é almejar uma taxa cambial que atenda
às reais necessidades do país, embora isso só seja conseguido
parcialmente e em alguns intervalos de tempo.
5.
Quando um país possui um déficit da balança comercial, podemos afirmar
que o saldo em transações correntes também é deficitário? Justifique.
Não. As transações correntes são compostas por três contas: balança
comercial, balança de rendas e serviços e transferências unilaterais
(donativos). Assim, o déficit da balança comercial (o que equivale a
dizer que as exportações líquidas (EL) estão negativas) pode ser coberto
por saldo positivo nas outras duas contas.
6. Suponha os seguintes dados sobre o Balanço de Pagamentos de uma determinada economia em um certo momento:
Saldo em Transações Correntes – deficitário em 100
Saldo da Balança de Serviços – superavitário em 200
Saldo das Transferências Unilaterais – deficitário em 100
Saldo da conta Capital e Financeira – superavitário em 100
Usando os dados acima e considerando Erros e Omissões igual a zero, responda os itens abaixo:
a. O saldo do Balanço de Pagamentos é nulo (zero)? Justifique.
Correto. Pois o saldo de BP é igual à soma entre o saldo das
Transações Correntes (que é -100) e o saldo da conta Capital e
Financeira (que é +100)
b. O saldo da Balança Comercial é deficitária? Justifique.
Sim. E esse déficit é de -200. O saldo das transações correntes é
dado pela equação: TC=BC+BS+TU, onde TC são transações correntes, BC
equivale à balança comercial e TU, às transferências unilaterais. Logo:
-100=BC+200-100
-BC=300-100
-BC=200
BC=-200
c. Quando um país apresenta um déficit em Transações Correntes, como pode
financiá-lo? Explique.
Através de financiamento externo. E isso se dá por meio de operações
em mercado aberto, através da oferta de títulos públicos à comunidade
internacional. Essas operações têm por objetivo aumentar a quantidade de
divisas no mercado nacional, pois essa fora diminuída em virtude do
déficit nas transações correntes.
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