1. Quais as características e funções da moeda. Como a inflação pode afetar a capacidade da moeda cumprir essas funções?
No
que se refere às funções da moeda, os teóricos destacam três: a de
intermediária, a de unidade de valor e a de reserva de valor. No
primeiro caso, a moeda é o instrumento que intermedia as transações de
compra e venda; sendo essa a função primeira da moeda.
No
segundo, é o que valora os bens. Como é o instrumento utilizado para
intermediar as trocas, passou, naturalmente, a ser a medida de valor das
mercadorias que transaciona.
Assim
sendo, guardar moeda significa guardar o poder de aquisição de
mercadoria, o que é bem mais vantajoso do que estocar mercadorias, isso
por causa da facilidade de manuseio e da liquidez da moeda.
As
principais características da moeda são (ROCHA, 2010):
indestrutibilidade e inalterabilidade, homogeneidade, divisibilidade,
transferibilidade, facilidade de manuseio e transporte. As primeiras —
indestrutibilidade e inalterabilidade — apregoam que, nas diversas
trocas que uma mesma unidade de moeda intermedia, ela não pode ser —
pelo menos no curto e médio prazos — destruída ou alterada. Na
homogeneidade, diferentes unidades de compra que tenham o mesmo valor
devem ser rigorosamente iguais. A divisibilidade afirma que a moeda
padrão (real, dólar, euro) deve possuir múltiplos e submúltiplos, para
atender as diversas demandas por trocas. A transferibilidade possibilita
que a moeda circule com o mínimo de empecilhos, e isso é garantido pelo
Estado, através da emissão do papel-moeda. Por fim, há a facilidade de
manuseio e transporte. Essa afirma que a impressão da moeda seja feita
em material e em quantidade que possibilite a sua adequada utilização,
de forma a atender a demanda por moeda.
A
inflação é fenômeno econômico que corrói o valor da moeda. Em excesso —
que o diga a experiência brasileira —, destrói o poder de compra das
classes mais desfavorecidas, que não têm recursos para aplicá-los no
banco, o que as beneficiaria com a indexação. Assim — para essas classes
—, a moeda perde muito da sua força, e isso nas três funções que
executa: intermediária, unidade de valor e reserva de valor. Ao perder o
valor, transacionará menos bens. Pelo mesmo motivo, haverá menos moeda
para se guardar. A rigor, uma inflação galopante é um roubo que incide
violentamente sobre as classes desfavorecidas, é um imposto direcionado a
quem tem pouco.
2. Os cartões de crédito e os de débito têm sido cada vez mais utilizados nas transações de aquisição de bens e serviços, então podem ser considerados como moeda? (justifique)
Qual o conceito de moeda? É, em princípio, o instrumento que tem com
finalidade — embora haja outras — servir de intermediário nas trocas de
bens e serviços. Por meio dele, a troca não mais é direta, mas sim
indireta. Em vez de ser uma única transação, passa a ser duas: compra e
venda. E qual a finalidade dos cartões de crédito de débito? O que é
feito com esses cartões? Compras. Eles, literalmente, servem como
intermediários, executam a função que é devida à moeda. Por meio deles, é
possível o uso da moeda escritural (que é a constante nas contas
bancária) e do crédito. Eles são o meio físico que possibilitam o uso de
uma moeda “virtual” — moeda escritural e o crédito.
3. Como o Banco Central pode interferir na capacidade que tem os bancos de criar de moeda?
Por meio do compulsório. Esse determina a razão de reserva, a taxa
de encaixe bancário, que é o montante dos depósitos à vista que não
podem ser transacionados, que, forçosamente, terão de ficar “amarrados”.
Se não podem ser transacionados, não podem ser multiplicados. Isso fica
bastante claro quando se considera o multiplicador bancário: K=1/R,
onde “k” é o multiplicador bancário e “R” é a razão de reserva. Como se
vê, quanto maior a taxa de encaixe bancário, menor será o multiplicador,
menor será a capacidade de os bancos criarem moeda.
4.
Em que consiste o multiplicador da moeda? Se o Banco Central eleva a
taxa de recolhimento (reserva) do sistema bancário de 40% para 80% quais
os valores dos respectivos multiplicadores?
Consiste num instrumento indireto de criação de moeda. Esse
instrumento é utilizado pelo sistema bancário e existe devido à
capacidade que os bens têm de gerar outros bens. Quando o banco empresta
certa quantia a um empresário, cobra juros. O empresário aplicará o
capital na sua atividade produtiva, agregando valor à sua produção e
gerando empregos. Os empregados irão adquirir produtos, poupar ou
especular. E todo esse montante, de uma forma ou de outra, retorna ao
banco, multiplicado.
Quando o BC mantém a razão de reserva na taxa de 40%, o
multiplicador será 2,5 (K=1/0,4). Ao dobrar o valor da taxa de encaixe
bancário — de 40% para 80% —, ele reduzirá o multiplicador pela metade;
ou seja, esse passará a ser 1,25 (K=1/0,8). Como se vê, o multiplicador è
inversamente proporcional à razão de reserva.
5. Qual a variação na oferta de moeda se ocorre um aumento no volume dos depósitos a vista de R$ 200 milhões e se a razão de reserva (R) é de 1/4?
Eis a fórmula da variação dos meios de pagamento: ∆M=k.∆D, na qual
∆M é a variação dos meios de pagamento; “k” é o multiplicador bancário; e
∆D é a variação dos depósitos à vista. Para se encontrar “K”, usa-se a
fórmula: K=1/R. Logo:
K=1/0,25
K=4
Utilizando-se agora a fórmula dos meios de pagamento:
∆M=4.200
∆M=800
Portanto — sendo a variação de depósitos à vista equivalente a R$
200 milhões e a razão de reserva equivalente a 0,25 —, a variação dos
meios de pagamento será de R$ 800 milhões.
6. Quais os instrumentos que o Banco Central pode utilizar para destruir ou criar moeda? (explique a aplicação de cada instrumento).
São
os seguintes instrumentos de política monetária: emissão de papel
moeda, depósitos compulsórios, redesconto e operações em mercado aberto.
A autarquia governamental que operacionaliza esses instrumentos, sob a
chancela governamental, é o BC.
Antes de definir cada uma e explicar a sua atuação na criação e destruição de moeda, é preciso definir o que significam esses termos. Criação de moeda é a variação positiva nos meio de pagamento (∆M). Destruição de moeda é a variação negativa
nesses mesmos meios. Quando se faz alusão a meios de pagamento,
refere-se apenas ao que é denominado M1; ou seja, moeda em circulação e
os depósitos à vista. Assim — quando se aplica moeda em títulos
(poupança,CDB, títulos governamentais etc) —, está havendo destruição de
moeda.
A emissão de papel moeda
é instrumento de criação. Se utilizada para financiar os déficits
estatais — como o foi por muitos anos no Brasil —, irá gerar indesejada
inflação, degenerando a moeda.
Por meio dos depósitos compulsórios
— que é a determinação direcionada aos bancos para que esses não
transacionem, sob qualquer forma, percentual dos depósitos à vista —, o
BC controla o multiplicador bancário (K), que é obtido pela fórmula:
K=1/R. O índice que representa esse instrumento é a razão de reserva (R)
ou taxa de encaixe bancário. Como se vê, a razão de reserva (R) é
inversamente proporcional ao multiplicador (K). Assim — quando o BC
necessita criar moeda —, ele diminui o valor da taxa de encaixe
bancário. Quando deseja destruir, ele aumenta essa taxa.
As operações em mercado aberto
consistem na compra e venda de títulos efetivada pelo Estado, por
intermédio do BC. Ao vender, o Estado destrói moeda, pois recolhe do
setor privado M1. Ao comprar, cria, pois injeta M1 no mercado.
Instrumento que atua diretamente sobre o mercado aberto é a taxa de
juros. O seu aumento torna os títulos (quase-moedas) mais atrativos,
levando a uma diminuição em M1. A sua diminuição surte o efeito
contrário.
O redesconto
é o instrumento através do qual o BC empresta moeda aos bancos. Assim —
quando deseja criar moeda —, o BC diminui a taxa do redesconto e/ou
disponibiliza empréstimos aos bancos, criando moeda.
7. Conceitue inflação e especifique os tipos de inflação?
Santos
filho (2010, p. 49) define inflação como “como sendo um aumento
generalizado e continuado nos níveis de todos os preços da economia”.
Logo, não é qualquer aumento no nível geral de preços, mas sim um
aumento “generalizado e continuado”. Não pode, portanto, ser em apenas
alguns produtos ou apenas pontual.
Há, basicamente, dois tipos de inflação (WIKIPÉDIA, 2011b): a inflação de demanda e a inflação de custos. A inflação de demanda
é a relacionada ao excesso de demanda. A procura agregada é bem maior
que a oferta agregada, o que, naturalmente, irá gerar alta generalizada
no nível geral de preços. A inflação de custos
é que ocasiona a alta dos preços devida ao aumento dos insumos e demais
custos associados à produção. É o que ocorre quando se aumenta os
impostos indiretos, que exemplo de custos, ou o petróleo, que é exemplo
de insumos, bens intermediários. Além desses — porém —, são considerados
outros tipos, como a inflação estrutural (resultante de especificidades do mercado, como imperfeições técnicas e pressões sindicais) e a inercial, que é a elevação dos preços com base em índices inflacionários passados.
8. Se o Banco Central planeja expandir a oferta de moeda em 10% e o Governo estabelece como meta, para o mesmo período, um crescimento do PIB de 4,5%, diante desse cenário o que deve se esperar que ocorra com o nível geral de preços?
Para resolver essa questão é preciso utilizar a seguinte fórmula:
∆p=((∆m+1)/(∆y+1))-1, na qual ∆m é igual à variação reativa do volume
da moeda, ∆y equivale à variação relativa do PIB real ou da renda real e
∆p equivale à variação relativa do nível geral de preços. Assim —
aplicando a fórmula —, tem-se:
∆p=((0,1+1)/(0,045+1))-1
∆p=(1,1/1,045)-1
∆p=1,056-1
∆p=5,26%
Logo, o nível geral de preços — considerando o aumento da oferta de
moeda m 10% do PIB em 4,5% — terá uma variação positiva de 5,26%.
9. Com base na Teoria Monetarista da Inflação, em que consiste o princípio da neutralidade monetária?
Essa
teoria está embasada na Teoria Quantitativa da Moeda. Essa afirma que o
valor da moeda é determinado pela quantidade dessa, e não pela riqueza
que ela representa. Assim, há clara distinção entre as unidades
monetárias (moeda) e as unidades físicas (riqueza real) (WIKIPÉDIA,
2011a). E nisso consiste o princípio da neutralidade monetária. Segundo
ele, há duas variáveis: reais e nominais. As nominais são a moeda e as
reais são os bens e serviços. Essas duas, frise-se, são independentes,
sendo a última a que determina toda a dinâmica da economia.
Como
a inflação é a deterioração do valor da moeda, aquela, portanto,
resulta da quantidade de moeda, e não da oferta e/ou demanda de bens e
serviços. Logo — para controlá-la —, não há a necessidade de se atuar
sobre a demanda agregada de bens e serviços — como apregoa a escola
keneysiana, que fundamenta a teoria heterodoxa —, bastar agir sobre a
quantidade de moeda do mercado, sobre a oferta de moeda. Os instrumentos
keneysianos/heterodoxos de “acerto da economia”, baseados em ações
sobre a demanda real (demanda de bens de serviços, cuja moeda é simples
representação, e não uma entidade independente, onipotente, na qual se
baseia, de forma exclusiva, toda a economia), facilmente refutaram essa
teoria.
10. Nas duas últimas décadas do século passado foram adotados vários programas de combate à inflação na busca pela estabilização dos preços (Plano Cruzado, Plano Verão, Plano Collor e Plano Real), na sua opinião porque apenas o Plano Real teve sucesso (fundamente)?
O Plano Real atuou agressivamente sobre as três políticas que afetam
diretamente a inflação: monetária, fiscal e cambial. Foi implantado em
três fases. Na primeira, buscou-se enxugar a máquina pública. Na
segunda, combateu-se a indexação. Na terceira, implantou-se o plano.
No
que se refere às políticas monetárias, foram dois os principais
instrumentos utilizados: a taxa de juros, que, em média, era de 26,5%,
bem superior aos atuais 12% (WIKIPÉDIA, 2011c); e o aumento da taxa de
encaixe bancário, chegando, no seu auge, a 100% (GARCIA, 1994). Essas
medidas tinham o claro propósito de desacelerar a economia, diminuindo a
demanda agregada por bens e serviços. É claro que isso iria afetar
pesadamente a oferta de bens e serviços, o que poderia gerar uma
escassez de oferta — causa do fracasso do Plano Cruzado.
Para
evitar esse contratempo, utilizou-se a política cambial. O objetivo era
estimular as importações. Isso foi feito através de duas medidas:
contingenciamento, que é a fixação forçada do câmbio (câmbio fixo),
valorizando o real, objetivando também obrigar a indústria nacional a
modernizar-se; e a gradual redução de tarifas de importação.
Mas
isso não era suficiente. O Estado estava passando por grave crise
fiscal. Os sucessivos déficits estavam sendo financiados pela emissão de
papel moeda e por empréstimos contraídos interna e externamente. Por
isso, era fundamental enxugar a máquina pública e aumentar as receitas,
para que o Estado pudesse se sustentar apenas com seus próprios
recursos. Nesse processo, foram privatizadas diversas empresas, cortados
diversos gastos (no governo de FHC, foram, aproximadamente, demitidos
20 mil servidores) e aumentada a carga tributária.
Como
se vê — atuando sobre as três frentes (fiscal, monetária e cambial) —, o
Real conseguiu estabilizar a economia e retomar o crescimento nacional.
E isso foi possível graças à sua ação sinérgica e global, que mobilizou
toda nação. Os planos a ele anteriores pecaram por atuar, via de regra,
em uma só frente, de forma que a conquista numa era anulada pelo
fracasso noutra.
REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
DICOTOMIA CLÁSSICA.
In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dicotomia_cl%C3%A1ssica> Acesso em:
07 set 2011.
GARCIA, Márcio G. P. Compulsório, Crédito e Política Monetária. [S.I.]: [s.n.], 1994. Disponível em: < http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:antEQ7RVYAIJ:www.econ.puc-rio.br/mgarcia/artigos/compulsorio.pdf+qual+o+valor+do+compulsorio+no+plano+real&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESgstqj5jPOwagznN7bWOrDQCw5Y9Z7UGkkJe1UMSh1CBVTKMHsOm08argIj6oV2hs9JFdqp1CP92g8lHSM2dVTRwxBLjNhwEpUC-SIuUqVH2FHZQtUQnhKFVTT7YB4wDGSHtPP2&sig=AHIEtbR48UhiYEzifLnUsmLmKR3hN9BQgA> Acesso em: 07 set 2011.
INFLAÇÃO. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Infla%C3%A7%C3%A3o > Acesso em: 07 set 2011.
PLANO REAL.
In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_real > Acesso em: 07 set 2011.
ROCHA, Adilson. Economia e Finanças Empresariais Macroeconomia. São Paulo: Fatec Sorocaba, 2010. Disonível em: . Acesso em: 07 set 2011.
SANTOS FILHO, Raul dos. Disciplina Macroeconomia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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