INTRODUÇÃO
Este
trabalho tem o objetivo de explicitar os principais agregados
maroeconômicos, considerando a teoria desenvolvida por Keynes, em
decorrência dos infortúnios de 1929, quando — devido à crença de que a
oferta gera a sua própria demanda, conhecida como Lei de Say — o mundo,
puxado pelos Estados Unidos, entrou numa crise econômica sem
precedentes.
Keynes inverteu a ótica da Lei de Say. Ao invés de a oferta gerar a
sua própria demanda, é essa — a demanda — que gera a oferta. E isso
implicou no nascimento da macroeconomia. Antes, não havia necessidades
de estudos macroeconômicos. O mercado era, no campo da teoria,
extremamente simples, embora não o fosse na realidade. O importante era
produzir, era a oferta. O que fosse produzido seria, certamente,
consumido: esse era um axioma.
Todavia — como já dito —, a crise de 1929 mostrou o quão frágil e
irreal era esse axioma. A crua realidade exigiu a elaboração de uma nova
teoria. Foi o que Keynes fez em sua obra “Teoria Geral do Emprego, do
Juro e da Moeda”. Com essa obra, ele lançou as raízes da macroeconomia.
A estrutura deste trabalho é a de um questionário. A primeira
questão é dividida em dois itens. No primeiro, será abordado o conceito
de multiplicador de demanda autônoma. Por meio da demanda autônoma gasto
governamental, mostra-se que o investimento em um setor tem efeito
multiplicador sobre a economia. No segundo, busca-se relacionar os
agregados gastos governamentais, importações e exportações. Na segunda
questão, relaciona-se o gasto governamental com o saldo orçamentário,
questionando-se se o gasto impacta positiva ou negativamente no saldo. A
terceira questão possui dois intens. No primeiro, avalia-se os efeitos
na economia do aumento da propensão marginal a poupar. No segundo,
fala-se sobre o hiato deflacionário e sobre as formas — quando já
estiver ocorrendo — de combatê-lo.
Atividade de Portfólio
Nesta
atividade, com base na leitura do texto da aula, discutiremos assuntos
importantes do modelo keynesiano simples de determinação da renda para o
controle da atividade econômica, mostrando como a ação política do
governo, com ênfase na política fiscal, pode ser utilizada para
minimizar problemas de desemprego e inflação, e para o gerenciamento do
orçamento público.
1. Supondo determinada conjuntura de uma economia hipotética, aberta e com governo. Pede-se:
a) Sabendo que o multiplicador de gastos autônomos (os gastos do governo deveriam aumentar, tudo o mais permanecendo constante, para que o produto de equilíbrio sofra um expansão de cinco por cento
no horizonte de um ano. Em que consiste a força motriz desse efeito
multiplicador de demanda autônoma (no caso, dos gastos públicos)?
Eis a fórmula que será utilizada para solucionar este item: α=∆Ye/∆Go*. Aplicando-a:
2=(0,05x1,6)/∆G
∆G=(0,05x1,6)/2
∆G=0,08/2
∆G=0,04
Logo,
para que o nível de equilíbrio da renda passe de 1,6 trilhões para 1,68
(variação de 0,08 trilhões), é preciso que o governo gaste, ao longo de
um ano, 0,04 trilhões.
No
que se refere à força motriz desse processo, pode-se dizer, baseando-se
em Santos Filho (2010, p.30), que o multiplicador de demanda autônoma
decorre da “demanda de consumo induzida pelos aumentos da renda”.
Quando, por exemplo, o governo constrói uma estrada — nessa construção
—, serão gerados empregos diretos e indiretos. Com essa renda, a
famílias irão consumir, aumentando a produção de bens e serviços. Além
disso, o produto poderá — devido à rodovia — ser distribuído com menor
custo. Sendo essa redução repassada ao consumidor final, o produto será
barateado, o que aumentará novamente o consumo. Não sendo, aumentará a
margem de lucro da empresa, que terá mais recursos para investir na
melhoria do processo produtivo, gerando um aumento na qualidade e/ou uma
barateamento do valor do produto final.
Com se vê, o gasto governamental no setor produtivo dinamiza positivamente a economia.
b) Esse aumento de gastos governamentais pode afetar (aumentar ou diminuir) as exportações líquidas de bens e serviços (saldo em transações correntes) dessa economia? Argumente.
As
exportações líquidas são calculadas subtraindo-se o valor das
exportações das importações (EL=Xo-M). Conforme o modelo de Keynes, as
exportações são variável exógena; ou seja, independe da renda nacional;
varia ela proporcionalmente à renda do resto do mundo e à taxa de
câmbio. Todavia, o mesmo não ocorre com a importação. Essa é
inversamente proporcional à taxa de câmbio e diretamente proporcional à
renda disponível; eis a fórmula considerando-se apenas a renda
disponível: M=m.Y. Onde “M” são as importações, “m” é a propensão
marginal a importar, e “Y” é a renda.
Logo
— seguindo essa linha de raciocínio —, as exportações líquidas seriam
negativamente afetadas. Isso porque o aumento da renda — considerando-se
a propensão marginal a importar — aumentaria também as importações, sem
afetar as exportações. Consequentemente, o saldo das exportações
líquidas de bens e serviços seria reduzido.
As questões a seguir também devem ser resolvidas no contexto do modelo keynesiano simples.
2.
Alguns políticos quando julgam conveniente utilizam o argumento de que:
“o governo deve ampliar seus gastos em áreas estratégicas da economia,
pois o aquecimento da atividade econômica deles resultante levará a um
crescimento suficiente da arrecadação para financiá-los, não afetando
negativamente o orçamento do governo (saldo orçamentário)”. Você
concorda? Por quê?
Em
alguns casos, eles estão certos. Isso se se considerar o modelo
keneysiano. A tributação líquida — variável endógena do modelo, pois
está atrelada à renda — é calculada pela fórmula: T=t.Y, onde “T” é a
tributação líquida, “t” é a propensão marginal a tributar, e “Y” é a
renda. Vale destacar que do valor bruto de toda a tributação é abatido o
valor empregado em transferências — “pagamentos às famílias sem a
contrapartida na prestação dos serviços” (SANTOS FILHO, 2010, p. 25).
Pois
bem, caso o governo gaste 5 bilhões e gere, com esse gasto — em
decorrência do multiplicador —, uma renda de 20 bilhões, e a propensão
marginal a tributar seja 0,25, ele arrecadará, com a renda extra, mais 5
bilhões. Assim, impulsionará a economia e terá o retorno dos recursos
investidos, não impactando negativa ou positivamente no saldo
orçamentário. Se, porém — com esses 5 bilhões —, a renda gerada for de
40 bilhões, e se mantiver a mesma propensão a tributar, a arrecadação
resultante dessa renda será de 10 bilhões, impactando positivamente o
saldo orçamentário.
No
primeiro exemplo dado, o multiplicador de demanda autônoma (α=∆Y/∆D)
foi 4. No segundo, foi 8. Sem dúvida, são valores altos. Entretanto, a
propensão marginal a tributar (t) dos exemplos, considerando-se o
Brasil, é baixa (0,25). Se, porém, “t” for 0,5 e “α” for 2, o governo
terá o retorno do que foi investido. O investimento de 5 bilhões irão
gerar 10 bilhões em renda e uma conseqüente arrecadação de 5 bilhões.
Logo,
caso “α” não seja expressivo — para que essa política seja efetiva —, é
preciso uma sufocante carga tributária. A renda disponível (Yd), obtida
pela fórmula Yd=Y-T, onde Y e a renda nacional e T a tributação
líquida, é a que efetivamente é utilizada para dinamizar a economia.
Quanto maior T, menor será Yd, menor será o crescimento.
Por fim, destaque-se que o sucesso dessa política é diretamente proporcional a “α” e a “t”.
3.
Comente apenas uma das afirmações a seguir que podem ser verdadeiras ou
falsas. Caso escolha o item b, justifique a sua resposta considerando o
objetivo da política econômica de buscar a menor taxa de desemprego
possível.
- “Se as famílias de uma economia buscassem aumentar sua poupança como precaução frente ao risco do desemprego, poderiam incorrer em sucessos individuais, mas a tentativa seria frustrada para o conjunto da sociedade (tudo o mais constante)”.
No
modelo keneysiano, investimento (Io), gasto governamental (Go*) e
exportações (Xo), são considerados “injeções” na economia. Já a poupança
(S), a tributação líquida (T) e as importações (M) são consideradas
“vazamentos”. Nesse modelo, as injeções são iguais aos vazamentos:
S+M+T=Io+Go*+Xo.
Santos
Filho (2010) afirma que a propensão a poupar, a tributar e a importar —
ao contrário do que ocorre com as propensões a investir, a gastar e
exportar — surtem um efeito negativo no fluxo circular da renda, pois
diminuem o valor do multiplicador de demanda autônoma.
No
caso em questão — mesmo que esse aumento na propensão a poupar fosse
acompanhado de um aumento proporcional da aplicação dos recursos dessa
poupança em investimentos —, o crescimento seria desacelerado, visto o
consumo ser diminuído no curto prazo. Porém — no longo prazo —, sendo
essa poupança convertida em investimento, o benefício seria
considerável. Segundo Santos Filho (2010, p.23), “estudos feitos revelam
que os países desenvolvidos apresentam geralmente uma propensão
marginal a consumir menor do a dos países em desenvolvimento, em
decorrência de sua maior capacidade de poupança”.
Todavia,
considerando-se a fórmula do consumo agregado — C=Co+c.Yd, onde “C” é o
consumo agregado, “Co” o consumo autônomo (entendido como o existente
mesmo que a renda seja nula), “c” a propensão marginal a consumir e “Yd”
a renda disponível (já conceituada na questão 2 deste trabalho) —, a
função poupança é complementar à função consumo, exprimindo-se nestes
termos: S=-Co+(1-c)Yd. Ou seja, quanto maior a propensão a poupar, menor
será a propensão a consumir. Quanto menor o consumo, menor será a renda
— considerando-se a identidade macroeconômica básica.
Assim — macroeconomicamente falando—, essa atitude das famílias geraria grave recessão.
b)
“Em uma conjuntura econômica característica de hiato deflacionário, é
desnecessária a ação controladora do governo através de medidas de
política fiscal e/ou comercial, uma vez que o mercado do produto tende
espontaneamente ao equilíbrio via mecanismo macroeconômico de ajuste de
estoques”.
Isso vai depender do tamanho desse hiato deflacionário. Esse
fenômeno é decorrente do excesso de oferta. Em alguns casos — quando há o
pleno emprego dos fatores de produção (Ype) —, a oferta agregada (AO)
pode ultrapassar excessivamente a demanda agregada, extrapolando o ponto
de equilíbrio (E) entre os dois, que seria o adequado para se manter o
nível de equilíbrio da renda nacional. Eis a ilustração gráfica do hiato
deflacionário, representado por HD.
Fonte: Santos Filho (2010, p. 35)
A Crise de 1929 foi resultante desse hiato. O excesso de oferta foi
tão absurdo, em relação à demanda agregada, que não havia como essa
evolução negativa dos estoques ocorrer naturalmente, regulada apenas
pelas forças de mercado. Para que ocorra essa variação, é preciso parar
de produzir. Se se para de produzir, não há como manter a mão de obra
remunerada, sendo preciso demitir. Desempregadas, as famílias não têm
renda para consumir, para comprar os produtos das empresas, para
possibilitar a variação negativa dos estoques. Se as empresas não
vendem, não terão como gerar receita. Não gerando receita, vão à
falência. Está implantada a recessão.
Nesse caso, a solução é gerar demanda. De forma que essa possa
esgotar o excesso de estoque, reestabelecendo o fluxo circular da
economia. E o governo é o agente desse processo, por meio das políticas
econômicas. Nesse caso, é preciso agir sobre a demanda autônoma, devido
ao efeito multiplicador que essa tem sobre a renda. Assim, poderia, por
meio da política fiscal, aumentar os gastos (foi o que foi feito em
1929); ou, por meio da política cambial, aumentar as exportações.
Sintetizando, caso o hiato deflacionário seja pequeno, a afirmativa
estará correta — a variação negativa de estoques estabelecerá a
normalidade; caso seja expressiva — como é o caso da Grande Depressão de
1929 —, a ação governamental, atuando sobre a demanda, é
imprescindível.
CONCLUSÃO
As longo das questões, foram abordados — superficialmente — pontos
relativos aos agregados econômicos de Keynes. Explicou-se a importância
dos gastos governamentais, encarados como multiplicadores de demanda
autônoma. Em teoria, independem da renda, e servem par aumentar a
demanda. E o melhor é que esse aumento não é paritário. Aqui entra o
conceito de multiplicador. O gasto em um agregado de demanda autônoma
(investimento, gastos governamentais e exportação), via de regra, gera
um efeito multiplicador. Como exemplo, se o governo gastar a mais 5
bilhões e o multiplicador for 2, haverá um acréscimo na renda de 10
bilhões. Ademais, mostrou-se que, a depender dos valores da propensão
marginal a tributar e do multiplicador de demanda autônoma, um gasto
governamental pode provocar variações positivas no saldo orçamentário.
Explicou-se, também, que o aumento dos gastos governamentais — sendo
isoladamente considerado — irá impactar negativamente nas exportações
líquidas, pois aumentará a renda e, consequentemente, as importações.
Foi explicado que, no curto prazo — ou desde que todos os demais
agregados permanecessem constantes —, um aumento acentuado na propensão
marginal a poupar diminuiria o consumo e, devido ao efeito cascata,
poderia gerar recessão. Por fim, discorreu-se sobre o hiato
deflacionário e sobre a importância da atuação governamental quando
aquele atingir a certos patamares.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SANTOS FILHO, Raul dos. Disciplina Macroeconomia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.
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