sábado, 24 de setembro de 2011

PIB, PNB, Desenvolvimento Sustentável

INTRODUÇÃO

Tudo precisa de um início, de uma base. É isso que é esse trabalho. Constituído de algumas questões, com suas respectivas respostas, objetiva verificar a compreensão dos conceitos bases da macroeconomia e da relação dessa com a microeconomia. Além disso, destacou-se o PIB, mais famoso dos agregados econômicos. Busca-se verificar o quanto esse indicador é confiável para medir o crescimento e o desenvolvimento econômicos.

1. Explique a diferença entre o enfoque macroeconômico e o microeconômico. Como se relacionam esses dois campos da Economia?  

A micro é operacional. A macro, estratégico. Não são ramos antagônicos da economia. Pelo contrário, são complementares. Os Estados pensam a economia, definem seus rumos. Para isso, utilizam-se da macroeconomia. As empresas obedecem a esse planejamento, operacionalizando-o. Para isso, usam a microeconomia. Grosso modo, é como se a macroeconomia fosse a cabeça, e a microeconomia fosse os membros.

Outro ponto essencial é a amplitude de cada uma. A macroeconomia considera sempre o todo, sendo assim de grande amplitude. Já a micro considera sempre indivíduos, empresas ou aglomerados empresariais, focando sempre públicos e situações específicas; sendo assim de menor amplitude.

Outra diferença relevante é a questão dos limites geográficos. A microeconomia está sempre geograficamente circunscrita. Já a macroeconomia desconhece limitações geográficas. O todo, o geral, é o seu principal foco. Por fim, embora sejam os conceitos bem diferentes, agem conjuntamente sobre a economia. E um serve ao outro. Um é instrumento do outro. No caso, a microeconomia é instrumento da macroeconomia.  

2. Analisar a dupla dimensão do Produto, como despesa e renda, utilizando o modelo do fluxo circular da renda. Justifique porque há igualdade entre as variáveis agregadas utilizadas em sua análise.

Segundo Santos Filho (2010), há três grandes agregados: Produto Nacional (PN), Renda Nacional (RN) e Despesa Nacional (DN). O PN é a avaliação monetária em preços correntes dos bens e serviços finais produzidos pelos proprietários dos fatores de produção. A RN é a remuneração paga aos proprietários dos fatores de produção. Essa é dividida em quatro categorias: salários, aluguéis, juros e lucro. E a DN são os gastos finais dos agentes econômicos para a aquisição dos produtos finais. Santos Filho (2010) destaca que a diferenciação desses agregados é apenas uma questão de ótica, de foco. Isso porque, no que se refere ao valor monetário corrente, elas são idênticas. Essa igualdade é denominada e igualdade econômica básica, representada na equação PN=RN=DN.

O modelo do fluxo circular da renda é um modelo simplificado. Nesse, dos quatro agentes econômicos — famílias, empresas, governo e setor externo —, somente os dois primeiros estão presentes. Nele, as famílias são os proprietários dos fatores de produção: terra, capital, trabalho e empreendedorismo. Esses serão os insumos que serão utilizados pelas empresas para confeccionarem o produto final. Na aquisição desses insumos, as empresas remuneram as famílias com a renda. Por sua vez, as famílias utilizam essa renda para adquirirem esses produtos. Nesse momento, ocorre a despesa.

Como se pode observar, embora esses agregados sejam de natureza distinta, o valor monetário dos mesmos, no referido modelo, será forçosamente idêntico.
3. Explicar a diferença entre os conceitos de Produto Nacional Bruto a preços de mercado e Produto Interno Líquido a custo de fatores. (Pode usar as equações ou relações conhecidas)  

Para se encontrar o PNBpm, utilizando-se como base o PIB, lança-se mão da seguinte fórmula: PNBpm=PIB+RLE+Impostos Indiretos-Subsídios. Ao se somar o PIB com o RLE, aquele passa a ser PNB. Ao se somar esse com o resultado da subtração entre impostos indiretos e subsídios, tem-se o PNBpm. Para se encontrar o PILcf, utilizando-se como base o PIB, tem-se a seguinte fórmula: PILcf=PIB-D-(Impostos Indiretos-Subsídios). O PIB menos a depreciação é denominado PIL (Produto Interno Líquido). O PLI subtraído do resultado da diferença entre os impostos indiretos e os subsídio equivale ao PLIcf;.

4. No cálculo do PIB não é levado em consideração o valor de um bem usado que é revendido. Por que a inclusão de transações dessa natureza tornaria o PIB um indicador menos eficiente de crescimento? JUSTIFIQUE.

Porque esse produto, quando da primeira venda, já fora contabilizado na riqueza nacional. Considerá-lo novamente, implicaria em dupla contagem. Vale ressaltar, porém, que a remuneração do vendedor na comercialização do referido produto é considerada parte da Renda Nacional (SANTOS FILHO, 2010).
5. O PIB de um país, medido a preços correntes, aumentou consideravelmente entre dois anos. Analise as opções abaixo e justifique qual é a correta:
a) Ocorreu um incremento real na produção.
b) O investimento real entre os dois anos não se alterou.
c) O país está atravessando um período inflacionário.
d) O país apresenta taxas significativas de crescimento do produto real.
e) Nada se pode concluir, pois é necessário ter informações sobre o comportamento dos preços no período.

Não são os itens “a”, “b”, “c” e “d” porque o enunciado não explicita se esse aumento é real (aumento no número itens produzidos), nominal (aumento decorrente da inflação do período) ou dos dois simultaneamente. Para que isso ficasse claro, ele teria de ter explicitado os valores dos preços correntes e dos preços constantes. Somente assim, seria possível fazer qualquer análise, seria possível calcular o deflator (índice de preços) e, por conseqüência, o crescimento real, que é o que realmente interessa. Logo, o item correto é o “e”. Isso porque afirma que nada se pode concluir.  

6. Do ponto de vista da propriedade dos fatores de produção utilizados na obtenção do produto de um país, explique analiticamente, qual a diferença entre os conceitos e PIB e PNB. (Utilize a equação que os diferencia apenas como apoio para a resposta)  

O PNB é o que efetivamente pertence à nação, aos nacionais, aos residentes. É o que, de fato, o país tem à sua disposição. É aquela riqueza monetária que o país pode olhar para ela e dizer: é minha. O PIB é tudo produzido no território nacional, sem se considerar a quem pertence essa riqueza — se dos nacionais ou os de outras nacionalidades.

Com o PNB a história é outra. O que vale é o produzido pelos nacionais, onde quer que estejam. A preocupação é medir o que efetivamente pertence ao país. Dito isso, é fácil perceber que os países considerados mais ricos, pelo atual critério de riqueza — que é eminentemente centrado no financeiro —, têm empresas em vários cantos do mundo. Isso faz como que a remessa de renda para eles, oriundas de outros países, seja significativa. Por isso — neles —, o PNB será sempre maior que o PIB. E é por isso que esse é o indicador que eles utilizam para auferir a sua riqueza.

Já nos países menos desenvolvidos ocorre exatamente o contrário. Eles mais remetem rendas do que recebem. Assim, o PIB é sempre maior que o PNB. Por isso, eles utilizam o PIB como medição de sua riqueza. A rigor, isso é uma infantilidade, pois se iludem propositadamente, maquiando uma gritante e triste realidade. Isso acaba por dificultar o seu crescimento.

Tecnicamente falando, o que diferencia os dois indicadores é a Renda Líquida dos Fatores do Exterior (RLE). Essa é obtida pela subtração entre os valores da Renda Recebida do Exterior (RRE) e a Renda Enviada ao exterior. Eis a fórmula: RLE=RRE-REE. A equação central é a seguinte: PNB=PIB+RLE. Como se vê, caso o valor da RLE seja negativo (ou seja, o valor da renda enviada seja maior que o da renda recebida), o PNB será menor que o PIB. Que é o caso dos países menos desenvolvidos. Caso o valor do RLE seja positivo, é sinal de que a renda recebida foi maior do que a enviada. Nesse caso, o PIB será menor que o PNB. É o caso dos países mais desenvolvidos.

7. Considerando a questão do desenvolvimento sustentável, diga por que é importante a manutenção de altos índices de crescimento do PIB e, dê exemplo de algum fato econômico/social ligado à questão do crescimento, mas que seja indesejável.

De fato, é imprescindível que o PIB, e principalmente o PNB, esteja numa crescente contínua. Isso porque ele é a quantificação da riqueza de um povo que pode ser valorada em dinheiro. Comparando com um indivíduo, equivale a ao levantamento anual de todo o patrimônio. E essa riqueza é fundamental. Por meio dela, é que se constroem hospitais, escolas, criam-se ambientes de lazer, investe-se em tecnologia benéfica, minimizam-se as desigualdades sociais (que tanto incitam a violência), dissipa-se a fome etc.

Sem crescimento do PIB, não há crescimento relevante do IDH.

Todavia, sem desenvolvimento do IDH, o crescimento do PIB é contraproducente. Criar grandes riquezas e mantê-las nas mãos de poucos é exacerbar, como já foi dito, as desigualdades sociais, aumentando a violência e o descontentamento popular. Há um exemplo radical que ilustra essa realidade. É a guerra. Ela movimenta, e muito, a economia. Gera grandes riquezas. A indústria de transformação e a tecnologia são bastante beneficiadas, o que impacta “positivamente” nos demais setores econômicos. Não foi por simples capricho que Hitler e os Bush nela investiram. Sabiam os efeitos positivos que isso traria para o crescimento econômico, apesar dos grandes males que a ela são inerentes.

Além da guerra, que é o caso mais gritante, há o desmatamento. Gera emprego e renda, dinamiza a economia, aumenta o PIB. Mas a que preço? Há muito se sabe que a destruição da natureza implicará em conseqüências danosas. Furações, inundações, chuvas e secas fora de época são alguns desses efeitos. Todavia, o dinheiro no bolso é que é importante, mesmo que esteja manchado de sangue e com cheiro de fumaça. E, ao que parece, assim será por muito tempo.

Por fim, é fundamental gerar riqueza. Todavia, é preciso fazer isso de forma sustentável. É preciso incluir no conceito de riqueza algo além dos recursos financeiros. É o que propõe Henderson (2007). Ela afirma que a riqueza é composta de quatro índices: recursos financeiros, ativos da natureza, capital social e capital intelectual.

CONCLUSÃO    

Neste singelo esforço, foram esboçados alguns agregados de macroeconomia. O objetivo inicialmente proposto — ter relativo conhecimento que permita iniciar uma empreitada proveitosa, com o interesse de se criar adequado suporte à efetiva atividade de administrar — foi alcançado. A compreensão dos agregados — realizada com o auxílio das perguntas — foi associada à realidade, por meio de casos práticos e atuais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SANTOS FILHO, Raul dos. Disciplina Macroeconomia. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.

HENDERSON, Hazel. O PIB não reflete a qualidade de vida. Carta Maior. São Paulo, dez. 2007. Disponível em: < http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=3782#>. Acesso em: 07 ago. 2011.

BIBLIOGRAFIA:

LOUETTE, Anne. Críticas ao PIB: Como Medir a Riqueza, e qual Riqueza?. In: LOUETTE, Anne. Gestão do Conhecimento – Compêndio de Indicadores de Sustentabilidade de Nações. 1ª ed. São Paulo: Antakarana Cultura Arte Ciência Ltda. / Willis Harman House, 2009, p. 14-16.

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