domingo, 4 de agosto de 2013

Sustentabilidade: fruto do Capitalismo.

A questão ambiental será, não apenas no campo falacioso das palavras, efetivamente considerada?

Há uma frase de Marx que, nesse contexto, deve ser obrigatoriamente considerada: "cada sistema tem em si o germe de sua destruição". Referia-se ele aos sistemas sócio-políticos-econômicos. Que é o nosso caso. O consumo, nos padrões atuais, é insustentável. E isso já está mais do que provado. Não há que tecer argumentos relativos a assunto que já há muito é ponto pacífico.

Que tem que mudar, todos -- pelo menos na teoria (embora a prática seja bem discrepante) -- concordam. Falta, porém, o aguilhão, o estímulo. 

Será que uma melhor consciência nossa e daqueles que detêm o poder político-econômico seria a solução? Quando nos tornarmos melhores pessoas é que efetivamente mudaremos essa situação? E o nosso coração, cansado das ignomínias, das hipocrisias milenares, no egocentrismo exacerbado, nas crueldades muitas (que campeiam soberbas nas páginas da História), albergará, de forma definitiva, a solidariedade, o respeito ao outro, o amor pela natureza?

Não estou sendo pessimista, mas o contexto, meu e nosso, não leva a essa conclusão.

A civilização do "ter" não caminhará, por hora, para a do "ser".

O solo não foi suficientemente adubado com o sangue e as lágrimas. A dor ainda não abriu suficientes sulcos no árido solo de nossos corações.

Apesar de a depressão ser a doença do século passado e desse, não estamos ainda suficientemente entediados com o vazio atual das coisas.

A sociedade do ter, do consumo, da vaidade, do egocentrismo, da hipocrisia tem muita força e representa, e representará por bom tempo, a vontade da maioria. Lembrei-me de uma fala de nosso ex-presidente, quando indagado sobre a eleição expressiva de uma palhaço (que, frise-se, é hoje um dos melhores congressistas) para a Câmara dos Deputados: “O povo brasileiro não é nem pior nem melhor que o Congresso Nacional, o Congresso Nacional é a cara do povo brasileiro”. Noutras palavras, nós e eles somos farinha do mesmo saco.

Estou falando sobre a questão moral porque muitos acham que é ela o cerne da questão ambiental. Mas não é. Pouca coisa, pelo menos é o que nos mostram nossas pegadas históricas, deveu-se a questões morais.

A necessidade tem feito nossa evolução.

Os escravos da Idade Moderna foram libertados porque o Capitalismo nascente e sequioso necessitava de vastos mercados consumidores.

O mesmo pode-se dizer da emancipação feminina. As Guerras, que escassearam a mão de obra masculina e – por conseqüência – o mercado consumidor, quebraram os seculares grilhões do preconceito.

O mesmo está, agora, acontecendo. Somos, no que se refere à sede de lucros, de riqueza e de poder, perspicazes, à semelhança da serpente. Sabemos, como ninguém, lutar pelo que deveras desejamos.

Estamos vendo, não apenas com a lógica das teorias ou com a poesia de alguns poucos arautos da realidade, que temos a capacidade de cavar a nossa própria cova.

A destruição da natureza (que, incontestavelmente, tem se arvorado à condição de necessidade inseparável do progresso econômico) irá, de forma brusca, cercear a caminhada não apenas da espécie humana.

Os pequenos e os grandes enxergam isso.

Todavia, isso de nada vale. Sendo mais explícito: essa consciência e nada são a mesma coisa. Não veremos, ainda, a sociedade do “ser”, não por esse motivo.

Mas não são só espinhos. Adotaremos, de forma generalizada, práticas sustentáveis. As empresas energéticas reconstituirão a natureza. As energias (e essas são as grandes vilãs, pelo menos aos olhos de muita gente) serão, em sua maior parte, renováveis. Os hábitos modificar-se-ão.

E sabe por quê? Porque o lucro exige isso. É mais lucrativo ser sustentável. Os efluentes são boa matéria prima. A técnica já existe. Não é a mais utilizada porque, ainda – devido aos altíssimos custos –, não é a mais lucrativa. Mas o será.

A conclusão final (embora toda conclusão seja final, o pleonasmo – em prol da clareza – é necessário) parece absurda, mas se apóia nos fatos:
o Capitalismo aboliu a escravidão;
o Capitalismo emancipou a mulher; e
o Capitalismo será o grande mentor da efetiva sustentabilidade (em seus três pilares – social, econômico e ambiental).

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