A questão ambiental será, não apenas no campo falacioso das palavras, efetivamente considerada?
Há uma frase de Marx
que, nesse contexto, deve ser obrigatoriamente considerada: "cada sistema
tem em si o germe de sua destruição". Referia-se ele aos sistemas
sócio-políticos-econômicos. Que é o nosso caso. O consumo, nos padrões atuais,
é insustentável. E isso já está mais do que provado. Não há que tecer
argumentos relativos a assunto que já há muito é ponto pacífico.
Que tem que mudar, todos
-- pelo menos na teoria (embora a prática seja bem discrepante) -- concordam.
Falta, porém, o aguilhão, o estímulo.
Será que uma melhor
consciência nossa e daqueles que detêm o poder político-econômico seria a
solução? Quando nos tornarmos melhores pessoas é que efetivamente mudaremos
essa situação? E o nosso coração, cansado das ignomínias, das hipocrisias
milenares, no egocentrismo exacerbado, nas crueldades muitas (que campeiam
soberbas nas páginas da História), albergará, de forma definitiva, a
solidariedade, o respeito ao outro, o amor pela natureza?
Não estou sendo
pessimista, mas o contexto, meu e nosso, não leva a essa conclusão.
A civilização do
"ter" não caminhará, por hora, para a do "ser".
O solo não foi
suficientemente adubado com o sangue e as lágrimas. A dor ainda não abriu
suficientes sulcos no árido solo de nossos corações.
Apesar de a depressão
ser a doença do século passado e desse, não estamos ainda suficientemente
entediados com o vazio atual das coisas.
A sociedade do ter, do
consumo, da vaidade, do egocentrismo, da hipocrisia tem muita força e
representa, e representará por bom tempo, a vontade da maioria. Lembrei-me de
uma fala de nosso ex-presidente, quando indagado sobre a eleição expressiva de
uma palhaço (que, frise-se, é hoje um dos melhores congressistas) para a Câmara
dos Deputados: “O povo brasileiro não é nem pior nem melhor que o Congresso
Nacional, o Congresso Nacional é a cara do povo brasileiro”. Noutras palavras,
nós e eles somos farinha do mesmo saco.
Estou falando sobre a
questão moral porque muitos acham que é ela o cerne da questão ambiental. Mas
não é. Pouca coisa, pelo menos é o que nos mostram nossas pegadas históricas,
deveu-se a questões morais.
A necessidade tem feito
nossa evolução.
Os escravos da Idade
Moderna foram libertados porque o Capitalismo nascente e sequioso necessitava de
vastos mercados consumidores.
O mesmo pode-se dizer da
emancipação feminina. As Guerras, que escassearam a mão de obra masculina e –
por conseqüência – o mercado consumidor, quebraram os seculares grilhões do
preconceito.
O mesmo está, agora,
acontecendo. Somos, no que se refere à sede de lucros, de riqueza e de poder, perspicazes,
à semelhança da serpente. Sabemos, como ninguém, lutar pelo que deveras desejamos.
Estamos vendo, não
apenas com a lógica das teorias ou com a poesia de alguns poucos arautos da
realidade, que temos a capacidade de cavar a nossa própria cova.
A destruição da natureza
(que, incontestavelmente, tem se arvorado à condição de necessidade inseparável
do progresso econômico) irá, de forma brusca, cercear a caminhada não apenas da
espécie humana.
Os pequenos e os grandes
enxergam isso.
Todavia, isso de nada
vale. Sendo mais explícito: essa consciência e nada são a mesma coisa. Não
veremos, ainda, a sociedade do “ser”, não por esse motivo.
Mas não são só espinhos.
Adotaremos, de forma generalizada, práticas sustentáveis. As empresas
energéticas reconstituirão a natureza. As energias (e essas são as grandes
vilãs, pelo menos aos olhos de muita gente) serão, em sua maior parte,
renováveis. Os hábitos modificar-se-ão.
E sabe por quê? Porque o
lucro exige isso. É mais lucrativo ser sustentável. Os efluentes são boa
matéria prima. A técnica já existe. Não é a mais utilizada porque, ainda –
devido aos altíssimos custos –, não é a mais lucrativa. Mas o será.
A conclusão final
(embora toda conclusão seja final, o pleonasmo – em prol da clareza – é necessário)
parece absurda, mas se apóia nos fatos:
o Capitalismo aboliu a
escravidão;
o Capitalismo emancipou
a mulher; e
o Capitalismo será o
grande mentor da efetiva sustentabilidade (em seus três pilares – social,
econômico e ambiental).
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