sábado, 1 de setembro de 2012

Que teoria melhor explica a participação do Estado na Economia: a de Wagner, a de Picock e Wilseman ou a Desenvolvimentista?

Sem dúvida, a mais válida é a desenvolvimentista (que é a mais atual), por se adequar mais à  atual realidade, pois explica – com mais exatidão – a intervenção dos governos em suas respectivas economias. Todavia, toda teorização nova haure a sua vida da anterior. Algo não surge do nada. Assim, Wagner e Picock e Wiseman não estão totalmente desprovidos de razão. O equívoco deles se deve ao recorte social-econômico que analisaram. E não deve haver engano quanto ao fato de que, futuramente – quando da análise do contexto econômico por outros pesquisadores –, a teoria desenvolvimentista também estará defasada.

Wagner estava inserido num contexto pré-industrial, migrando para o industrial. É natural, portanto, que verificasse que – com o aumento do PIB, decorrente do início da industrialização – os gastos públicos se elevassem, proporcionalmente, mais do que aquele. Ademais, a contribuição dele em relação às causas dessa evolução é de extrema funcionalidade – aumento pela demanda: de infraestrutura de proteção das relações econômicas; de bem-estar, que é considerado um bem superior, sendo elástico em relação à renda; e pela maior necessidade de regulação e intervenção estatal, para combater a concorrência imperfeita – (LINHARES, 2010), por permitirem operar diretamente sobre variáveis concretas.Observe-se que essa é a mesma teoria defendida por Musgrave e seus contemporâneos, para o mesmo período: o pré-industrial. Esses, contudo, vão mais além, analisando outros períodos.

O recorte de Picock e Wiseman foram os momentos de crise. Constaram um fato: realmente – durante as crises –, intensifica-se a ação estatal. Essa tende a permanecer no estado em que parou, com suave evolução, até que nova crise venha a maximizar os gastos estatais. Não é o que também reza a teoria desenvolvimentista? É – contudo –, vai, como já dito, mais além, aprofundando mais, não restringindo tudo à crise, ou colocando essa como foco central. Associa os gastos do Estado à industrialização, explicitando que, perto de um “boom” industrial os recursos estatais são fundamentais, essenciais, para suprir a demanda por infraestrutura adequada.

Agora é possível responder à questão inicial: em que estágio de desenvolvimento (pré-industrial, industrial e pós-industrial) o Brasil se encontra?

Primeiramente, é preciso retroceder a alguns anos. De Getúlio a Sarney, o Brasil investiu pesado em infraestrutura; era preciso munir o país com o necessário para propiciar ao país um desenvolvimento técnico satisfatório. Foram criadas as estatais, que desenvolveriam os setores centrais da economia, para possibilitar o crescimento sustentável da nação. Aqui, vê-se um misto de fase pré-industrial com industrial.

 Do período que vai de Collor até FHC, o Neoliberalismo assume as rédeas do país. Os gastos estatais têm de diminuir. A eficiência é erigida a princípio constitucional. Começa o enxugamento da máquina pública: privatizações das estatais (mesmo que estejam dando expressivos resultados – como é o caso da Vale), demissões, achatamento salarial, otimização dos processos (o modelo gerencial, em contraposição ao burocrático). A industrialização estava consolidada.

De Lula até os dias de hoje (com Dilma), vê-se a retomada, embora não tão intensa, dos gastos governamentais. O Estado começa, dessa vez em parceria com a iniciativa privada, a alavancar setores estratégicos, preparando o país para o ritmo frenético do mercado (produtor e consumidor, de todos os tipos de produtos e serviços) da cibercultura, da robótica, da mais extremada globalização. Assim, o Brasil está, aos poucos, ingressando na pós-industrialização, para, posteriormente, iniciar um estágio de pré-industrialização.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
LINHARES, Fabrício Carneiro. Disciplina Teoria das Finanças Públicas. Fortaleza: UFC Virtual, 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário