Primeiro
é preciso tecer algumas considerações sobre planejamento. Depois, sobre
RH. Feito isso, será feita a conceituação do que é planejamento em RH e
exposta qual a importância desse planejamento.
Planejamento
é o processo que busca criar instrumentos que possibilitem a execução
adequada de eventos futuros. Três são os seus pilares: objetivos,
recursos e tempo. Todo planejamento busca alcançar objetivos, por meio
da utilização de recursos, num dado espaço de tempo. E isso ocorre por
meio da identificação das necessidades e da avaliação e acompanhamento
(esses dois instrumentos serão melhor detalhados quando se abordar o
planejamento em RH). É importante destacar que deve ser participativo,
caso deseje otimizar ou viabilizar o seu sucesso. Isso porque a
participação gera compreensão. Essa resulta em concordância, que
acarreta comprometimento.
Há
três níveis de planejamento: estratégico, tático e operacional. E
esses estão, na ordem em que foram apresentados, hierarquicamente
organizados.
O estratégico é marcado pelo foco no todo e por ocorrer no longo prazo.
Pode-se afirmar que é gestado com base na missão, na visão, nas crenças
e valores, considerando, sempre, o ambiente externo (ameaças e
oportunidades) e o interno (forças e fraquezas).
O tático abrange setores da organização (finanças, produção, RH, marketing) e ocorre no médio prazo. Nele, são confeccionados, pautando-se pelo estratégico, os planos de ação, que são conjuntos articulados de projetos.
O operacional engloba as atividades e ocorre no curto prazo.
Sua implementação se dá por meio de projetos, que são conjuntos
articulados de atividades, que objetivam a resultados imediatos.
O RH, sendo função básica -- setor obrigatório de toda organização --, tem seu planejamento articulado no nível tático (PINTO,
2006). Esse setor é considerado o mais delicado e importante de
qualquer organização. Os recursos humanos são os únicos que têm vontade,
são os que manipularão e criarão os demais, são os que e realizam a
missão e a visão, são os únicos que também são agentes, ao invés de
apenas pacientes.
Todo plano de ação de RH
deve considerar as quatro atividades que, obrigatoriamente, compõem-no:
suprimento, capacitação, compensação e desempenho. Vale destacar que
essas atividades são interdependentes e complementares. Isso significa
dizer que o sucesso ou fracasso de uma impactará nas outras. E fará isso
por meio da identificação das necessidades (quantitativas, consistente
em dados históricos-estatíticos e em projeções fundadas no planejamento
estratégico; qualitativas, consistente na descrição e especificação do
cargo e na definição de novos cargos) e da avaliação e acompanhamento de
todo o processo.
O suprimento engloba as atividades de recrutamento
(comunicação clara da descrição e especificação do cargo ao público
alvo, sendo a avaliação da sua adequação medida pelo número de pessoas
enquadradas que atrai e pelo grau de entendimento dessas quanto à
descrição, à especificação e à compensação do cargo), seleção
(escolha dos melhores entre os recrutados, ocorrendo a avaliação
através da gestão de desempenho, de clima organizacional e, no plano
mais imediato, de relatórios) e indução
(uma seleção-adaptação, que se equipara ao estágio probatório; a
avaliação ocorre na medição da satisfação do novo funcionário após o
processo e na sua adequação às expectativas da empresa ).
A capacitação visa desenvolver permanentemente as capacidades esperadas: habilidades, conhecimento e atitudes. O seu planejamento consiste na elaboração da descrição do cargo (que é o rol das atividades que caracterizam o cargo) e da sua especificação (rol das capacidades necessárias ao exercício do cargo). A avaliação ocorre por meio da avaliação dos custos, da satisfação e do desempenho.
A compensação
é a retribuição pelo desempenho do funcionário. Normalmente,
consolida-se por meio de benefícios e da criação de um ambiente
adequado. É avaliada por meio dos custos, da satisfação e da avaliação
de desempenho.
O desempenho
é o objetivo e, ao mesmo tempo, um dos processos de controle e
avaliação da organização. Por meio dele, verifica-se se a organização
está alcançando as metas propostas. Os instrumentos que o medem são a
gestão de desempenho – que mede resultado – e a gestão de clima
organizacional, que mede satisfação.
Como
se vê – por meio do planejamento de RH e da sua implementação –, a
organização, seja pública ou privada, filantrópica ou com fins
lucrativos, elabora o plano de ação que irá suprir
as necessidades de recursos humanos da organização – o termo mão de
obra não pode ser utilizado por encerrar impessoalidade, distanciamento
(CHIAVENATO, 2004) –, capacitá-los, compensá-los (mantendo-os motivados) e aprimorar o desempenho dos mesmos.
Não se pode esquecer que os recursos humanos são o recurso,
sem o qual qualquer outro não tem nenhuma utilidade. São o oxigênio da
empresa. São o sangue que a sustenta e movimenta. São a inteligência que
a controla e melhora, permitindo com que se adapte às sempre renovadas
exigências do mercado. São, como já dito, o agente de todo processo,
enquanto os demais recursos são, forçosamente, pacientes.
Por
fim, frisa-se que, em virtude da grande importância conquistada pela
criatividade – devido à vertiginosa velocidade das transformações dos
diversos mercados, provada pelas revoluções no campo da telemática –, o
reconhecimento dos recursos humanos como sendo o
recurso é majoritário. Isso, logicamente, leva as empresas a investirem
pesadamente no setor de RH. Isso fazem, porém, não por humanidade, mas
sim por imposição do atual contexto econômico, no qual a sobrevivência
só é possível a custa de constante renovação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
PINTO, Roberto. Estratégia e Planejamento em RH. UEC, Fortaleza, 2006. Disponível em: http://www.robertopinto.com/pdf/apostila%20estrat%20plan%20rh.pdf. Acesso em: 02 out. 2001.
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