domingo, 25 de setembro de 2011

A Políticas e os Partidos Políticos

Em que aspectos os acordos políticos caracterizam a ciência política como uma disciplina sociológica?

   O que é disciplina sociológica? É o mesmo que ciência social. E essa é entendida como qualquer ciência que se debruça — com os olhos do método científico — sobre a realidade humana. Logo — por sua própria natureza —, a ciência política é uma disciplina sociológica.

   No que se refere aos acordos políticos — considerando a política do mundo contemporâneo —, eles são gestados, forçosamente, no seio dos partidos políticos. A rigor, os partidos são formados de acordos, sendo as coligações — que são consideradas “partidos temporários” (expressão essa utilizada por Torquato Jardim) — o ápice desses acordos.

A forma de governo através do qual o estado se organiza para exercer o poder (sistema político: comunista, socialista, capitalista liberal) é definida em acordos políticos efetivados entre as classes que ora dominam.

As instituições através das quais o estado exercer esse poder (regime político: democrático, autoritário, totalitário) são acordos realizados por essas mesmas classes.

A forma como esse poder é dividido e exercido (sistema de governo: presidencialista e parlamentarista) é resultado da união, de um consenso entre as classes dominantes.

Tudo, na política, resulta de acordos entre as classes que almejam tomar e/ou manter o poder. Alguém poderia argumentar que, quando o poder é exercido despoticamente, não há acordo, mas sim imposição. Se se considerar a conceituação de Chauí sobre o que é a política, verifica-se que o exercício particular do poder não é política, pois o espaço público, no caso, passa a ser privado, e a política é o exercício do poder no espaço público. Mesmo desconsiderando essa conceituação — e, portanto, considerando a política como simples exercício do poder —, é preciso considerar que o déspota, para governar, para fazer valer a sua vontade, necessita de aliados, e os obtém por meio de acordos.

O mundo humano é mundo de acordos.

Feitas essas considerações, pode-se afirmar que a atividade partidária é a raiz e a copa do exercício do poder político. Esse, o poder político, é o principal objeto da ciência política.  
   
Qual a importância da organização desses setores da sociedade civil para a democracia?
   Para essa pergunta, o texto apresentado para estudo oferece subsídios. Machado (2002) faz uma breve análise histórica da gênese da conceituação do que hoje entende-se por partido político. E a democracia permeia essa conceituação. Inicialmente, cita Paulo Bonavides (ilustre jurista cearence), que afirma que os partidos, como hoje os conhecemos, surgiram com a chamada “democracia das massas”. Logo após — verberando contra a falta de unidade e de autenticidade dos partidos políticos —, afirma que uma “Democracia autêntica exige partidos igualmente autênticos”. Nesse ponto, afirma que, no Brasil, longe de servirem como baluartes da democracia verdadeira — na qual as diferentes classes sociais estivessem efetivamente neles representadas —, os partidos servem a inescrupulosas oligarquias ou são propriedades de um homem só. Ademais, ataca o instituto da infidelidade partidária, que — antes da resolução 22.610/2007, do TSE — era bastante comum. Isso se deve ao fato de o artigo ter sido escrito em 2002.

   Por fim — de forma um pouco lamentosa —, afirma que os partidos políticos são essenciais à Democracia. É como se reafirmasse conhecido ditado popular: ruim com eles, pior sem eles. Detém-se mais especificamente ao caso brasileiro, no qual impera um pluripartidarismo exacerbado, que permite a criação de partidos que não representam efetivamente anseios nacionais. Nisso, cita estudo feito por Henry Maksoud, publicado na Revista Visão, edição de 02 de abril de 1984, sob o título “Um Legislativo sem Partidarismo”: “em todos os países de sistema político representativo, nos quais se admite, portanto, o pluralismo na manifestação do pensamento sob a forma de organização da sociedade,  o maior partido é o partido dos ‘sem-partido’"

Finalizando, pode-se afirmar que "esses setores da sociedade civil" não a representam verdadeiramente, pois se circunscrevem às oligarquias que os mantêm, por meio da “democracia das massas”. Esses mesmo setores buscam afastar do espaço público — único local no qual pode ocorrer a verdadeira política (usando a conceituação de Marilena Chauí) — o que é de real interesse público. Hoje, maior importância á dada ao filho do Neymar ou à novela das oito do que aos temas que realmente irão impactar na mesa e na mente da população. É, como bem frisou Chauí —  em seu livro “O que é Política” —, a particuralização do espaço público, a privatização do espaço político por excelência. E, nesse nefando processo, os partidos político — porque constituído por aqueles que militam pela manutenção do “estatus quo” — são os principais agentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MACHADO, Carlos Augusto Alcântara. Os partidos políticos no Brasil e o princípio da verticalização das coligações. Piauí, junho de 2002. Disponível em: < http://jus.uol.com.br/revista/texto/3231/os-partidos-politicos-no-brasil-e-o-principio-da-verticalizacao-das-coligacoes>. Acesso em 30 dez. 2011.

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